segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O Homem de Aço

 

Man of SteelEu não sou lá muito fã de Superman (OK, eu assistia Smallville, mas depois de um tempo ela cansou, e não em pequena parte por causa de Clark mesmo. Sim, Tom Welling é lindo, e era um dos motivos de eu ver, mas o personagem é extremamente chato, que me desculpem os fãs mais apaixonados). Mas havia dois motivos para eu ver esse filme (mesmo depois de perder todas as esperanças de um filme decente de Superman, depois da tortura de ver Superman returns – apaguem isso da história cinematográfica, pelamordedeus!): Henry Cavill e Christopher Nolan, que assina a produção deste. E minha fé na humanidade foi restaurada.

Jor-El

Homem de Aço começa com o nascimento de Kal-El, e com Krypton já em vias da destruição. Jor El, belissimamente interpretado por Russel Crowe, faz o parto de sua mulher Lara. É preciso ressaltar a tensão nessa cena, não somente pelo nascimento em si, mas Kal-El também não é um bebê comum. Ele é o primeiro bebê NASCIDO em Krypton em séculos. É, bem, para poupar vocês de spoilers, deixo por conta de sua imaginação saber como os kryptonianos se reproduzem.

ZodBom, só vou dizer que foram os próprios kryptonianos que provocaram seu fim, e isso, claro teve repercussão e gerou muitos conflitos. Um dos dissidentes é Zod (Michael Shannon, ótimo), que mais que tudo tenta preservar, e mais tarde repopular algum planeta, com sua gente. Compreensível, mas ele usa de todos os métodos errados para isso. E como eu já falei ali em cima, Michael Shannon faz bonito ao retratar esse general implacável e sem nenhuma restrição moral. Sua braço direito, Faora (Antje Traue, eita nominho difícil! Curiosidade: a atriz nasceu na Alemanha) é tão desequilibrada como Zod. E tanto Michael Shannon como Antje Traue passam perfeitamente a frieza dos personagens.

Faora

Destaco aqui a reconstrução de Krypton. Apesar de estar em vias de destruição total, neste filme retratarem Krypton um pouco diferente do que eu imaginava, até pelo que via nos filmes anteriores. A aspereza e aridez do lugar são quebradas um pouco com uma fauna exuberante. O planeta aqui tem um pouco mais de vida. E eu gostei disso. Palmas para o pessoal do CGI. Também a recriação da tecnologia kryptoniana está linda. Adorei os comunicadores deles.

E assim, num último ato desesperado, Jor-El lança seu filho através da galáxia para a Terra, e o resto é história. Clark cresce na fazenda dos Kent (vividos por Kevin Costner, que andava meio sumido, e Diane Lane, ambos em interpretações um pouco diferentes de Jonathan e Martha Kent. Ambos são mais proativos, mesmo a doce Martha). Essa parte é mostrada em flashbacks, e destaco as participações de Dylan Sprayberry e Cooper Timberline, Clark respectivamente aos 13 e aos 9 anos. Cooper em particular dá show quando pequenino Clark descobre, de uma só vez, seus poderes. Lembrou a cena de Matt acordando depois de seu acidente em Daredevil (e Scott Terra também dá show na cena), e logo depois Martha ensinando o filho a controlar isso (guardem isso, que vou retomar). Mas Dylan também faz bonito, e suas cenas são mais dramáticas. O resgate do ônibus é muito bem feito, e a cena subsequente, quando Jonathan diz que Clark tem que esconder suas habilidades, é linda. Uma coisa bem legal desses flashbacks é mostrar que Clark é um garoto normal, e tem uma infância feliz, apesar de tudo. E aqui há um dos conflitos que Clark tem que enfrentar depois de crescido: esconder quem realmente é, como quer Jonathan, ou assumir sua identidade, como aconselha Jor-El? Esse conflito permeia o filme inteiro.

Jonathan   clark 13

Isso porque logo depois da destruição de Krypton, Zod e seus amiguinhos, que haviam sido presos, escapam (acho que isso nem é spoiler, já que eles aparecem no trailer aqui na Terra) e acabam descobrindo que Clark está aqui entre nós. E ele vem atrás, pois antes de mandar seu baby pelos confins da galáxia, Jor-El escondeu algo em sua nave, e agora Zod quer de volta. E a ameaça que ele faz é exatamente que Clark se entregue. E aí aparece o dilema de Clark.

Superman

E você deve estar se perguntando onde está Clark nisso tudo? Fale, falei e nada dele propriamente ainda. Fiz de propósito. Quando adulto, ele é vivido pelo lindo, maravilhoso, gostoso, e tudo o mais Henry Cavill. E muito bem, diga-se de passagem. Além de ser muito parecido fisicamente com o personagem, ele atua muito bem. Clark/Superman nesse filme é um pouco mais humano que os anteriores, e um pouco mais atormentado (mas não muito). Assim, era preciso além da semelhança física alguém que pudesse levar o papel adiante à altura. Não me entenda mal, eu assisti o primeiro filme, com o saudoso Christopher Reeve quando era bem pequena, então não me lembro bem e não posso julgar. Estou baseando isso nas interpretações mais recentes do personagem. Não consigo, por exemplo, imaginar Tom Welling num papel com tanta carga dramática como esse (sim, ele é lindo e faz aniversário perto de mim, o que é um plus, mas vamocombiná que ele é um ator no máximo mediano). O que deixa a desejar não é por culpa de Henry, mas pelo próprio personagem, já muito bem estabelecido (apesar que eu acho que poderiam dar uma sacudida maior nele, como Christian Bale e o próprio Christopher Nolan, fizeram com Batman). Clark, por mais que esteja mais perturbado neste filme, ainda é muito limitado por obrigações morais. Exemplo: quando Zod exige que Clark se entregue a fim de salvar a Terra, Clark se rende à ameaça. Quando o Coringa (sniff, sniff, RIP Heath Ledger), Bruce não o faz. Isso porque ele entende que o Coringa não vai cumprir o seu lado do trato. Já Clark até desconfia disso, mas até pela educação que os Kent lhe deram (que é exemplar, admito), se entrega às autoridades (guardem isso) pois sua honra o guia. Nesse sentido ele é parecido com Ned de ASOIAF. E é justamente essa limitação que eu acho que estraga um pouco o personagem. Falta ele ter uma área cinzenta, e chegar mais perto do Lado Negro, exatamente como Batman e o Green Arrow de Stephen Amell. Deixa eu explicar: tanto Batman como Green Arrow não são exatamente os bad guys, mas sabem muito bem que às vezes, para que se faça cumprir a lei e pelo bem maior, é necessário que a lei seja quebrada.

Clark 3Por outro lado, é muito bacana descobrir junto com Clark seus poderes. Uma das melhores cenas é quando ele descobre que pode voar. Dá vontade de gritar junto. Henry Cavill balança lindamente esse lado meio infantil com o peso de ser um alien (numa metáfora belíssima daquele que n]ao pertence, que não se encaixa, é diferente). Ele até tem um lado meio rebelde, e senso de humor, bem discreto, mas que eu gostei bastante. Além de também ser um bom lutador. Só mais uma coisa que eu tenho que comentar, e que novamente não é culpa dos roteiristas, mas do personagem. Lembra quando eu falei para guardar a informação de que os pais de Clark o ensinaram a controlar seus poderes? Bem, numa cena, Zod perde seu capacete e é inundado de uma vez só com todos eles ao mesmo tempo. E no meio da luta, o que Clark faz? Diz pra Zod como controlar isso. OI! COLEGA, VOCÊ ACHA UMA FRAQUEZA NO CARA E NÃO TIRA PROVEITO? EM VEZ DISSO ENSINA O CARA A SE DEFENDER???? OK, vai, Superman pode ter superpoderes bem bacanas, mas superinteligência não é um deles. Pelo contrário, o cara é bem burrinho, vamos admitir.

LoisEsqueci de falar da Lois. Aqui ela é interpretada por Amy Adams, e eu gostei bastante da atuação dela, e de como ela deu vida a Lois. Lois não faz o tipo mocinha indefesa, e o que falta de inteligência em Clark, sobra em Lois. Ela é determinada e desinibida, fala o que quer. É ela quem primeiro descobre que há aliens entre nós, e é ela quem primeiro descobre o que Zod quer. E também, diferente do que vimos até aqui, foi ela que descobriu quem Clark é realmente, sem que ele precise contar. E ela o apoia em todo o caminho, nunca o abandona nem deixa de acreditar nele. Porque claro que ao saber que ele é um alien, e da mesma raça de Zod ainda por cima, os excitadinhos do exército americano já vão logo prendendo o cara, sem parar pra ouvir. O que na verdade acaba sendo engraçado, porque eles nem imaginam que Clark se deixou capturar e que só usa as algemas porque quer. E mais outra idiotice, e bem típica dos rapidinhos no gatilho do exército: vocês não veem que os kryptonianos são imunes ás balas? Então por que continuam atirando? Bando de cabeção. Tem mais uma coisa que eu quero falar sobre isso, mas vou deixar mais pra frente.

Clark 2Com isso, o filme carrega nas explosões, lutas e muita ação. Mas tudo bem balanceado com dramaticidade. Bem típico dos filmes do Nolan. Peca por algumas coisas, que são mais ligadas á história original do que propriamente ao filme., Por exemplo: depois que Metrópolis (que na verdade em momento algum é nominada) e Smallville vira Nothingville, que todo o mundo viu quem é o Superman, no final (e não é spoiler, porque é fato conhecido de todos) ele diz que precisa de um emprego que permita que ele vá a lugares sem levantar suspeitas, coloca um óculos, e BAM! Nasce a identidade secreta mais ridícula da história! (segredinho: quando eu tiro o óculos eu viro uma super-heroína mais baddass que Superman, falou? Smiley piscando). E mais uma coisa: você acha que Capitão América é o cúmulo do patriotismo americano? Pense novamente. Primeiro porque o filme nem é tão apelativo pra esse lado, e depois uma cena totalmente descartável neste resume bem essa idiotice: depois de Superman salvar o mundo, lá vem o general sabichão (#sóquenão) do exército prender o cara com a desculpa: como eu vou saber que você não vai se voltar contra os interesses da América? Veja bem que ele se refere aos EUA, o resto do mundo pode explodir. e a resposta de Clark não poderia ser mais cafona: eu cresci  no Kansas, não poderia ser mais americano. OI! Ridículo! Pelo menos em The Avengers isso foi mais sutil.

Mas mesmo com tudo isso, O Homem de Aço com certeza é o melhor dos últimos filmes que eu vi (e isso inclui Wolverine Imortal). A história é um pouco arrastada, mas trata-se de um começo, então isso é necessário. Exatamente como foi com Batman Begins. Os efeitos especiais são muito bons, e as cenas de ação são de tirar o fôlego. O figurino é bem bacana, e aqui um bônus por terem tirado a cueca de cima das calças do uniforme do Superman (sério, aquilo é ridículo. Ele ainda precisa de umas dicas da Edna Moda, though, porque aquela capa é um risco constante Smiley piscando). E o uniforme até pega uma sujeirinha! Fiquei impressionada. E a trilha sonora também é outro atrativo, com músicas belíssimas de Hans Zimmer, e o bônus da ótima Seasons, na lindíssima voz de Chris Cornell. Confira o vídeo abaixo:

Mesmo sem grandes cliffhangers para uma continuação, o filme deixa aquele gostinho de quero mais. Afinal, cadê Jimmy Olsen? Superman aqui é ou não vulnerável a kryptonita?  E ONDE ESTÁ LEX LUTHOR? Respostas que creio eu que teremos no futuro. então, sem mais, eu deixo vocês com o trailer do filme:

Antes de eu ir embora uma explicação. Eu sei que faz um tempo que eu não posto a resenha de algum livro, e acredite, eu sinto falta disso, mas há uma razão para isso. Aproveitei as férias para reler Mundo Sem Fim, porque queria assistir a série (falta eu ver um DVD, mas a resenha dela sai em breve) e com a aproximação de Percy Jackson e o Mar de Monstros no cinema, eu precisava reler também, mas claro que não ficaria somente em Mar de Monstros, e estou relendo toda a série. Mas como essa eu leio rapidinho, logo eu volto à rotina.

Beijos e até o próximo post!

7 comentários:

Nadia V. disse...

Oi, Fê.
Eu tenho sentimentos ambíguos e relação ao superman. Gosto do personagem porque marcou minha infância (adoro os filmes com o Christopher Reeve), mas também acho-o muito chato. Eu adorei Smallville. Assisti à série toda 2 vezes! Mas achava o Clark um chato e muito hipócrita! Dava raiva! Nas últimas temporadas assisti mais pela Chloe, pelo Oliver e pela Lois que eram personagens maravilhosos. De qualquer jeito, claro que estou louca pra assitir Homem de Aço. Adorei o post.

Beijos.

Carissa Vieira disse...

Eu gosto muito do Superman. Eu assistir Smallville e gostava, mas gosto do super-herói mesmo.
Só que ainda não vi o filme e quero muito. Adoro o Nolan e o Henry, como você.

Beijos,
Carissa

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi meninas!

Desculpa a demora pra responder, mas meu computador está com algum problema e o blog não tem carregado direito. Vou tentar resolver isso logo.

Nadia, eu concordo com você. Superman é realmente um perdsonagem muito marcante na infância de todo mundo, mesmo quem não é tão fã assim. Afinal, quem nunca amarrou uma toalha no pescoço e fingiu que podia voar, que era Superman ou Supergirl quando criança. Mas depois que cresci e comecei a ver o personagem de outra maneira, vi que ele não é tão interessante. Eu também achava o Clark de Smallville muito chato e hipócrita, e foi um dos motivos para eu deixar de seguir a série direito. Mas sempre vi alguns episódios isolados mais tarde, por causa do Oliver mesmo. Então eu sei como terminou, e hoje mesmo se não tiver outra coisa pra ver, eu assisto (mas só se conseguir em inglês, porque dublado é de morrer. A voz de criança que puseram no Clark é de dar raiva. I mean, olha o tamanho do cara! Não combina).

Carissa, se você gosta do personagem, você vai com certeza gostar do filme. Eu adorei, foi o melhor dos últimos que eu vi, e nem sou tão fã assim do Superman. Gosto dos mais perturbados, e na saga do Homem de Aço, gosto mesmo é do Lex. Mas o filme é muito bom, sem dúvida.

Beijos!

Jéssica Soares disse...

Ei, Fernanda! Tudo bem?
Eu concordo com quase tudo que você falou, menos da necessidade de uma "área cinzenta" para o Superman. Eu também não sou lá a maior fã do herói, mas eu o vejo como um dos heróis mais altruístas que existe. Ok, todo herói, por definição, é considerado altruísta, mas o Superman é o pico disso tudo, acredito que se acrescentasse algo mais "problemático", das "trevas" ou algo do tipo a ele, as comparações com o Batman iam ser enormes (até porque o próprio Nolan está na produção, então imagine o que o povo neurótico iria dizer). Acho que só por terem finalizado a batalha entre ele e o Zod daquela maneira já acrescentaram algo sombrio ao personagem, algo que o põe em uma posição diferente daquilo para qual a sua imagem existe, que o desconecte de uma imagem "limpa", "branca". Fiquei muito surpresa com essa atitude do personagem e agora resta saber se as decisões que ele tomou no final do primeiro filme resultará em algum conflito pessoal para ele no segundo... Enfim, "O Homem de Aço" foi uma surpresa positiva e eu fiquei muito feliz por terem escolhido o Henry Cavill, já estou ansiosa para saber o que eles irão fazer na sequência! Bjs
Jéssica

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Jess!

Concordo com você, em termos de altruísmo, Superman é realmente a definição. E eu gostei de terem balançado um pouquinho a imagem dele neste filme, deixando-o mais humano. E também concordo que se tivessem mexido mais com o personagem os fãs mais xiitas iriam ter ataques de histeria. Mas pe que eu gosto de personagens mais dúbios, e isso é meu gosto pessoal. Por outro lado, como esse é com certeza o primeiro do que eu acho que deva ser uma trilogia também, talvez mais para a frente a gente veja a evolução dele, e aguardo ansiosa para isso.

Beijos!

Nadia V. disse...

Ah sim, como eu me esqueci do Lex! O Lex de Smallville era o melhor personagem da série. O fato de ele ter deixado de ser amigo do Clark e ter se tornado seu inimigo por causa dos segredos e falta de confiança dele foi mostrado brilhantemente. Pena que o ator deu um ataque de estrelismo e saiu da série. Burro. Não conseguiu nenhum papel melhor depois disso.
Beijo.

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Na!

Lex era tudo mesmo. Pena mesmo que ele saiu da série, e por besteira ainda por cima. Sabe que eu tenho uma teoria a respeito dele. Acho que se Clark tivesse sido honesto com ele, em vez de todas as mentiras e segredos, acho que Lex em vez de se tornar o grande inimigo dele, iria fazer tudo o possível, usar todo o poder dele, para proteger Clark. O legal de Smallville foi justamente colocar as coisas em um perspectiva diferente.

Beijos!