segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Dezesseis Luas – Bautiful Creatures #1- Kami Garcia, Margareth Stohl

 

16 luasEm Gatlin não havia surpresas. Pelo menos era isso que eu achava…Só que eu não poderia estar mais errado. Havia uma maldição. Havia uma garota. E, no fim, havia um túmulo. Mas vamos por partes.
Quando Lena chegou a Gatlin, eu só tinha certeza de uma coisa: ela não se parecia com ninguém que o pessoal daqui já vira. E as diferenças não estavam apenas na aparência, mas isso eu só descobri depois. Ela a mais nova gata da escola, só que, infelizmente, morava com o tio, em Ravenwood – leia-se o “recluso da cidade” na “casa mal assombrada”.
E ainda assim eu não conseguia desgrudar os olhos dela. Ela era linda. E diferente. E de fora. Eu tinha certeza de que já havíamos nos encontrado antes, talvez nos sonhos. E, sei que parece idiota, mas eu vinha sonhando com alguém há tempos, alguém que eu não conhecia, alguém que, no sonho, precisava ser salva, ou tipo isso.
Antes de Lena eu estava contando os meses para deixar Gatlin, suas fofocas, preconceitos e encarnações da Guerra Civil. Agora era diferente: havia Lena. E havia algo entre nós, uma atração que não conseguia explicar. Eu precisava conhecê-la melhor e entender o que eu estava sentindo. Mas, para isso, teria de me aproximar. E, no caminho, enfrentar seu tio com fama de louco; Amma, nossa governanta supersticiosa, que tinha praticamente me criado; meu pai, que desde a morte de minha mãe só ficava trancado no escritório “trabalhando”; meus amigos e inimigos; as garotas populares da escola…
Pois é, e ainda havia o segredo, um tipo de segredo que não ficaria oculto por muito tempo em um lugar como Gatlin, um tipo de segredo que pode mudar tudo a sua volta…

Eu sempre achei a capa desse livro linda, mas não me interessava muito por ele porque, pelo nome, eu achava que se tratava de lobisomens, e eu não sou muito chegada a eles. Daí saiu o filme (que eu ainda não vi, mas vi que tem no Netflix, por isso li agora), e a Nádia, do Palavra em Movimento assistiu e falou bem do filme. E, dia desses, andando pela Av. Paulista, e claro, entrando naquele templo que é a Livraria Cultura de lá, eu não vejo o livro com 50% de desconto. Nem precisa adivinha no que deu, né? Claro que eu trouxe pra casa. E nem esperava muita coisa, só uma leitura leve e descompromissada, não pensante, como Crepúsculo. Mas é muito bom ser surpreendida às vezes. Foi o que aconteceu comigo. Peguei para ler, depois de reler toda a coleção Percy Jackson (de O ladrão de raios até A marca de Atena, e sofrer de novo com o final deste – ai!), e não conseguia largar o livro. Li em um fim de semana. Mas chega de enrolação.

Ethan Wate é um adolescente normal de 16 anos. Leva uma vida mais que pacata, sem nada a fazer, numa cidadezinha do interior da Carolina do Sul, nos Estados Unidos. Estuda na mesma escola de sempre, com as mesmas pessoas de sempre, joga no time de basquete e flerta com as mesmas meninas de sempre. Tudo OK, a não ser pelo fato de ele ter perdido a mãe em um acidente alguns meses atrás, e que seu pai agora é um recluso que não sai do escritório para nada, nem deixa que ninguém entre. Ethan tenta levar tudo isso da melhor forma possível, mas no fundo anseia por mais. Ele não vê a hora de sair de Gatlin, e ir estudar em outro lugar na faculdade. E além disso, Ethan também esconde segredos só seus. Ele adora ler, lê o tempo todo, mas como isso é muito diferente dos hábitos das pessoas do lugar, para manter as aparências, ele não diz nada. Chego a isso já, é uma parte importante da história.

Voltando a Ethan, sabe aquele ditado que diz para ter cuidado com o que deseja, porque você pode conseguir? É, bem isso. Ethan vive sua vida entediado, fazendo o melhor que pode num lugar perdido no meio do nada como Gatlin, com tradições seculares e estanques. Ele é um garoto introspectivo, mas não necessariamente tímido, mais no sentido de pensar muito, característica que herdou dos pais, ambos escritores e que estudaram em faculdades de fora, e por isso mesmo, vistos com desconfiança pela população local. Ethan quer mesmo encontrar seu lugar no mundo sua identidade. E no meio de tudo isso, eis que surge Lena, a exótica sobrinha de Macon Ravenwood, o esquisito local. Daí o mundo de Ethan dá um salto de 180 graus, e ele se vê no meio de uma guerra de proporções gigantescas. E que mudarão sua vida para sempre.

Lena é uma garota de 15 anos, quieta mas fascinante, principalmente por ser de fora, e ainda por cima sobrinha do Velho Ravenwood. Ethan imediatamente sente uma atração inexplicável por lena, Esqueci de dizer que Ethan andava tendo sonhos com ela, sem saber que era ela. Lena é inteligente e escreve o tempo todo. Mas tem mais sobre ela. Coisas estranhas, como um furacão de grandes proporções, acontecem quando ela está contrariada ou amedrontada. O que acontece com frequência. Além de enfrentar o preconceito das pessoas da escola, ela ainda tem que enfrentar uma maldição que corre em sua família. Veja, Lena é uma Conjuradora, e quando completar 16 anos, o que será em breve, ela será Invocada, e isso significa que ela pode se tornar uma Conjuradora das Trevas ou da Luz, e não depende da vontade dela. Além de tudo isso, ela ainda tem que lidar como fato de estar se apaixonando por Ethan, o que é novo, tanto para ela quanto para ele. E no caso deles, não é tão simples assim.

Lena corre perigo constante, e por isso tem a proteção de seu tio, o excêntrico Macon Ravenwood. Macon é misterioso, de poucas palavras, mas quando ele fala, é bom prestar atenção. Some e aparece quando quer. Mas não há nada que ele não faça para proteger a sobrinha. Mesmo. E quando Ethan aparece, claro que as coisas ficam mais difíceis. Macon tem um segredo também, que pode botar abaixo tudo pelo que ele luta para proteger Lena. Confesso que Macon me dá um pouco de medo. Mas é um bom personagem.

E do lado de Ethan, há Amma, a governanta que quase o criou, e que depois da morte da mãe de Ethan, faz as vezes de pai e mãe do garoto. Amma é supersticiosa, e tem conhecimentos de vodu, sempre com um amuleto pronto para espantar qualquer mal. É autoritária, e consegue colocar Ethan nos eixos mesmo que ele tenha 1,89 m e ela meros 1,50. Mas ela também é meiga, e como Macon, faz de tudo para proteger o seu menino, como ela diz.

Uma personagem que eu não posso deixar de mencionar é Ridley, prima de Lena. Ridley é uma Sirena, e das Trevas ainda por cima. Ela pode controlar quem quiser, como uma sereia mesmo. É desinibida (pra não dizer outra coisa), e não escrúpulos. Não posso elaborar muito, mas ela tem papel importante na história, especialmente depois de seduzir Link, o melhor amigo de Ethan, e o único em Gatlin que gosta de Lena.

Bom, Gatlin. A população da cidade é quase um personagem à parte. No interior da Carolina do Sul, Gatlin é cheia de batistas e metodistas, que frequentam a igreja todo domingo (inclusive as 3 tias de Ethan, mas elas são fofas), e em sua maioria, são pessoas tacanhas e de mente estreita. Não aceitam nada diferente, que saia das normas, e nem forasteiros. O fanatismo se resume na Sra. Lincoln, mãe de Link, e que chega a fazer petição para banir os livros de Harry Potter da biblioteca e queimá-los, nas integrantes das FRA, Filhas da Revolução Americana. São tradicionais ao extremo, e muito seletivas quanto a quem pode fazer parte de seu grupinho. Ethan despreza isso tudo, especialmente porque sua mãe, sendo de fora, também enfrentou o mesmo tipo de desconfiança, o que só acabou quando ela morreu, numa tremenda hipocrisia. O que aliás sobra em Gatlin.

Outra coisa importante a se saber sobre Ethan e Lena é que eles não se encontram, nem sonham um com o outro à toa. Há um motivo para isso. Ligando os destinos dos dois (e o destino é inexorável, né, Derfel?) há a história de Genevieve e Ethan, outro, que se passa em plena Guerra Civil Americana. A história deles é contada em flashbacks, através de um medalhão, e vivenciada por lena e o Ethan contemporâneo. E a história deles tem muito a ver com a passada.

Há ainda mais personagens bacanas, mas não posso comentar muito, primeiro porque eles não aparecem muito, e depois porque senão fico aqui até amanhã e a resenha não sai. É o caso dos familiares de Lena, Tia Del, a fofa avó dela, a gracinha Riley, e a amiga de Ethan Dra. Ashcroft, bibliotecária de Gatlin. Os personagens são muito bem construídos, tem várias camadas, nenhum é exatamente o que parece. A narrativa é em terceira pessoa, mas contada por Ethan, o que eu achei bem bacana e original, já que esse tipo de história geralmente é contada pela mocinha. A trama é complexa, cheia de histórias dentro de histórias, e fala de temas como preconceito, fanatismo, adaptação social. É fluida, também, vai fácil, e envolvente, com toques de sobrenatural e sombrio, no melhor estilo Poe, Oscar Wilde, Anne Rice e Henry James. Recomendadíssimo.

Trilha sonora

Seven Devils, do Florence and the machine está no trailer do filme, e tem tudo a ver com a história. You´ll be in my heart, do Phil Collins pode não ser sombria como o livro, mas a letra tem tudo a ver (e eu AMO essa música). Ethan usa Sympathy for the devil para definir Ridley. Com os Stones, mas eu prefiro com o Guns. Mil vezes melhor. The monster´s loose tem partes da letra que tem a ver (The monster´s loose, and now you have to choose, and prove that you can take it, to the top and never fall). Ela tem a ver também com um personagem em especial, mas não posso dizer quem. If this is the last kiss (let´s make it last all night) também combina. Ambas do Meat Loaf. My heart is broken e Lost in paradise, do Evanescence e finalmente All I need, do Within Temptation.

Se você gostou de Dezesseis Luas, pode gostar também de:

  • Vampire Academy – Richelle Mead;
  • Os Instrumentos Mortais – Cassandra Clare;
  • Harry Potter – J. K. Rowling;
  • Hunger Games – Suzanne Collins;
  • O retrato de Dorian Grey – Oscar Wilde;
  • A menina que não sabia ler – John Harding;
  • A volta do parafuso – Henry James;
  • A sombra do vento – Carlos Ruiz Zafón;
  • Marina – Carlos Ruiz Zafón.

9 comentários:

Nadia V. disse...

Oi, Fê. Olha eu aí no post. :)
Eu gostei do filme, mas já me disseram que é bem diferente do livro. De qualquer forma quero ler os livros também. Pela sua resenha, acho que o primeiro livro deve ser melhor que o filme que é legalzinho e tem ótimos atores, mas não é nenhuma maravilha.

Beijos.

Nerito disse...

Acho que vc já sabe, mas eu deixei um selinho (dois, na verdade) pra vc lá no blog! ^_^

bjo.

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Na!

Eu nem espero mesmo que seja igual. Afinal, uma coisa que Hollywood sabe fazer bem é distorcer os livros (nem sempre de forma boa). Mas como eu gosto de formar minha própria opinião, eu vou assistir do mesmo jeito.

Leia o livro, você vai gostar. Já estou devorando o segundo.

Beijos!


Fernanda Assis disse...

Ei Fê,

Ah que legal, quer bom que vc gostou, eu não amo, mas adoro a série hehe.
O filme achei legal tbm, apesar que acho que quem não leu fica meio boiando no filme.
Putz, inveja, quem dera eu poder reler uma série toda, sme chance rsrs.
bjs

Carissa Vieira disse...

Depois que vi o filme fui ler o livro. Gostei bastante, mas achei que podia ter algumas coisas cortadas. acho que podia ser menor, sabe? Mas gostei muito, dei 4 estrelinhas.

Beijos,
Carissa

Vitor disse...

Fernanda, você, mais uma vez, fez eu gostar de um livro ser tê-lo lido. Sua resenha está ótima, e agora estou com vontade de ler esse livro... Nem vou ler a resenha do próximo, quero tirar minhas conclusões quando (se) eu ler. Nunca passou pela minha cabeça que ele era contado por um garoto, o que faz com que eu fique com mais vontade de ler, rs.

Abraços

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi gente!

Nanda e Carissa, eu tinha postado a resposta antes, mas acho que não foi. Bom, eu assisti o filme esse fim de semana, e realmente é bem fraquinho. Legalzinho, mas só se você desconsiderar o livro, porque perde feio pro livro (como de costume), e muita coisa que é fundamental no livro, como a perseguição a Lena ficou de fora, ou amenizada. A única coisa boa foi a Emma Thompson. Acho que vou postar a review esses dias.

Vitor, é bem legal sim, e o fato de ser ele que narra dá um toque diferente, apesar de ainda ter umas partes bem clichês. Mas nada que afete a história.

Beijos!

Jéssica Soares disse...

Oi, Fernanda! Tudo bem? Já vi muita gente falando de "Dezesseis Luas", mas confesso que nunca tive aquela vontade desesperadora para lê-lo... Daí veio o filme, as críticas falando que ele era fraquinho e com o tempo eu acabei me esquecendo da série. Se aparecer uma oportunidade (e aqui eu digo: se aparecer alguma promoção bacana de 50% de desconto também, hehe), irei dar uma olhada! Bjs
Jéssica

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Jess!

Eu só me animei depois que uma amiga falpou que tinha gostado do filme. Eu já assisti, e é fraquinho mesmo, não curti muito. Mas o livro pe uma delícia, e eu viciei legal na série. Já estou terminando o quarto e último, e a resenha sai logo, logo. Leia que você não vai se arrepender. Eu também não esperava muito, mas amei.

Beijos!

F~e