domingo, 6 de maio de 2012

O Herege – A Busca do Graal #3 – Bernard Cornwell

 

Herege Símbolo de imortalidade e pureza, o Santo Graal até hoje inspira vários escritores. Tornou-se o mais mítico dos objetos, gravado no imaginário d o mundo ocidental. Sua lenda é normalmente ligada às histórias de Artur e a Távola Redonda, mas o inglês Bernard Cornwell transporta a saga de sua busca para o século XIV, em plena Guerra dos Cem Anos. Em 'O Herege', terceiro romance da trilogia A Busca do Graal - iniciada com o romance O arqueiro - Bernard Cornwell conta uma saga tão empolgante quanto as aventuras de Artur e seus cavaleiros narradas na série As Crônicas de Artur, que conquistou milhares de fãs mundo afora. Uma fábula sobre guerra e heroísmo que encanta do início ao fim. Mas o livro não se resume a cenas de batalhas bem escritas e reviravoltas cheias de ação e suspense. O material impõe um diferente tratamento à Guerra dos Cem Anos e mostra a importância de outros acontecimentos além das famosas batalhas de Crecy, Poitiers e Azincourt.
Depois de participar do cerco de Calais, o arqueiro inglês Thomas de Hookton reúne um grupo de homens e viaja para o interior da França. Pretende tomar uma fortificação na Gasconha, perto da Astarac de seus antepassados, e assim chamar a atenção de seu primo Guy Vexille, o assassino de seu pai que, como Thomas, também segue a trilha do Santo Graal. Durante a jornada, deixa um rastro de aldeias saqueadas e, em uma delas, salva da fogueira uma jovem acusada de feitiçaria. Uma mulher que faz com que Thomas perca o controle sobre parte de seus guerreiros, ameaçados o sucesso da missão mais importante de sua vida: encontrar maior relíquia de toda a Cristandade. Neste terceiro romance da trilogia "A Busca do Graal", Bernard Cornwell mais uma vez usa o cenário da Guerra dos Cem Anos para contar uma saga tão empolgante quanto as aventuras de Artur e seus cavaleiros narradas na série "As Crônicas de Artur", que transformou para sempre a imagem daqueles heróis lendários.

ATENÇÃO! SPOILERS SE VOCÊ NÃO LEU OS OUTROS LIVROS DA BUSCA DO GRAAL!

Depois de participar do cerco de Calais, e perder e esposa Eleanor (eu tenho que especificar, porque ao contrário de Derfel das Crônicas de Artur, Thomas arranja um caso e se apaixona por onde quer que passe), Thomas finalmente consegue o que quer e parte liderando um grupo de arqueiros para a Gasconha, violando uma trégua na guerra entre ingleses e franceses (ele faz isso sob as ordens do conde de Northampton, que agora sabe sobre a sua busca) a fim de encontrar mais pistas sobre o cálice nas terras de sua família, Astarac. E, com a perda de Eleanor e do padre Hobbe, ambos mortos por seu primo Guy Vexille), Thomas está mais amargurado e sua sede de vingança está ainda maior.

Por outro lado, ele também está mais maduro, e apesar da juventude, consegue liderar homens mais velhos e mais experientes, e tem seu respeito (mais ou menos. Eu explico daqui a pouco). Mas seu ódio o cega, e ele acaba tomando umas decisões precipitadas, que resultam em mais algumas desgraças para ele.

Uma dessas decisões foi proteger uma moça, Genevieve, acusada de heresia. Quando eles chegam a Castillon d’Arbizon, ela está presa e pronta para a fogueira, mas Thomas a vê, e adivinha…se apaixona pela moça. Parte disso também foi em desafio contra a Igreja, mas a razão maior mesmo foi porque ele caiu de quatro pela bela herege. Mas Genevieve na verdade só foi condenada mesmo por ser forasteira, e acabou confessando heresia depois de torturada pela Inquisição. Daí Thomas já sente uma certa empatia por ela. De todas as mocinhas desta série, ela é a que eu mais gosto. Ela é forte e parte para a luta. E tem o espírito livre e bom coração.

Mas Genevieve vai criar sérios problemas para Thomas. Para começar, Robbie, seu amigo escocês, é outro que cai de quatro pela moça, e claro que não gosta nada do fato de Thomas, apesar de perceber que Robbie tinha ficado de queixo caído, fica com ela. E sua dor de cotovelo é tanta que Robbie meio que perde o rumo. Ele também acaba tomando algumas decisões meio impensadas, o que pode custar a amizade com Thomas. Mas Robbie não faz isso por mal. Na verdade, ele é bem ingênuo, e outras pessoas menos escrupulosas tiram proveito da situação. O que vai causar uma divisão no grupo de Thomas. Parte por influência de Robbie, mas também por medo de Genevieve, afinal ela é uma herege.

E Sir Guillaume também acompanha Thomas no ataque, e também cai sob o encanto de Genevieve. Só que ele a vê como a filha que perdeu.Ele continua sendo a voz da razão para Thomas, e continua fiel ao arqueiro. Ele assume o comando dos homens quando Thomas é obrigado a fugir da perseguição da Igreja.

Nesta fuga, Thomas conhece um pouco mais sobe sua família, boa parte disso revelada por Planchard, um abade que dá abrigo a ele e Genevieve na fuga. Planchard é bem idoso, e tem a placidez que vem com a idade. Ele parece um vovozinho. Sabe da busca de Thomas, e sempre dá bons conselhos. Mais do que a busca do Graal, ele entende o jogo político por trás da busca, e não toma parte nenhuma. Ele só quer mesmo manter sua paróquia e seus fiéis.

Agora a busca do Graal é evidente, e toma rumos mais sombrios. O Cardeal Bressières, juntamente com seu irmão Charles, bolam um plano para o caso de Thomas não encontrar o Graal. Eles mandam fazer um em segredo, para ser revelado na hora certa, e assim, assegurar o papado para o Cardeal. Este é um homem calculista e frio, com sede de poder e sem escrúpulos. Ele é o cérebro da dupla. Já seu irmão é a força bruta. E bota bruta nisso. É cruel, como seu irmão é mentiroso e manipulador, e igualmente sem escrúpulos. Eles tem mais destaque neste, no anterior eles até aparecem, mas ficam mais nos bastidores.

E claro que Guy Vexille não deixa a busca para trás. E ele agora se alia a Charles Bressières, o que na verdade é uma barganha para tentar reaver as terras de seus antepassados, bem como seu título. E ele precisa desses aliados, depois que Bernard de Tailleburg morre. Ele continua insistindo numa aliança com Thomas, mas claro que seus objetivos são outros, e Thomas sempre recusa.

Este tem mais ação que o anterior, e as sutilezas políticas também tem papel mais importante. A busca fica mais intensa e mais pessoas se dão conta dela. E em meio a isso tudo, outra ameaça aparece: a peste. Ela chega no final, mas vem com força total. E ela é uma ameaça muito maior que qualquer batalha. Como sempre, Bernard Cornwell não poupa os detalhes mais sangrentos e, tenho que admitir, nojentos. Mas a narrativa é envolvente e dá para ler bem rápido. Se não tivesse que trabalhar, provavelmente eu terminaria em muito menos tempo que eu levei. Recomendadíssimo.

Se você gostou de O Herege, pode gostar também de:

  • As Crônicas de Artur – Bernard Cornwell;
  • As Crônicas Saxônicas – Bernard Cornwell;
  • Stonehenge – Bernard Cornwell;
  • As aventuras de Sharpe – Bernard Cornwell;
  • Azincourt – Bernard Cornwell;
  • As Crônicas do Gelo e do Fogo – George R. R. Martin;
  • Os Pilares da Terra – Ken Follett;
  • Mundo Sem Fim – Ken Follett;
  • As Brumas de Avalon – Marin Zimmer Bradley.

6 comentários:

CMachado disse...

Fê,
esqueci de um elogio o seu blog é aconchegante rsr

Vou ler esse ano, as 3 séries do BC
Rei Arthur, esse Graal e as Cronicas Saxônicas por culpa sua e da Fefa!!
hehehe! com essa resenha quem não leria?
Bjks
e boas leituras!!

♥ Mila Wander ♥ disse...

Olá! Olha eu aqui também ^^ kk

Acho esses livros fantásticos, mas acredita que nunca li nenhum desse gênero? Mesmo assim, a história parece ser bem interessante, um enredo cheio de detalhes!

Também adorei o filme "Os Vingadores". E não achei que tinha falta de vilão, na verdade sou apx por vilões mimadinhos e o Loki foi fantástico! Os caras nem se falam, babei um bocado! kkkkk

Bjão!!

Fefa Rodrigues disse...

Fe, acho que a "traição" de Robbie é a parte que mais me chocou no livro... bem, vc sabe que esta é minha série preferida do Cornwell... e tbm pretendor reler...

Sobre a Irmandade da Adaga Negra, me interessei justamente por parecer mais "picante"... não que eu seja uma "tarada" hahaha, mas eu não estava muito a fim de ver uma históri de vampiro que não "chega junto", se é que me entende... mas estou xavecando minha irmã, que adora vampiros, pra que ela compre essa série...

OUtra coisa... gente, o Rob Stark está tudo de bom nessa temporada, não?? A cena dele no campo de batalha... nossa, estou gostando ainda mais dele, por causa da série... muitot riste mesmo oq aconteceu com ele... mancada do Martin!!!! Sexy ao extremo!!!!

Eee... o Gendry, ai meu Deus!!! Tbm estou amando ele... Arya sortuda!!!! E realmente... apesar de nãot er nada de muito explicito, parece que já da pra sentir o "clima" entre eles... e eu adorei a cena em que ele descobre que ela é de uma família nobre... fica dizendo que deveria chamá-la de Lady!!!

Realmente é uma pena que sejam apenas 10 episódios... passa tão rápido. Já vi até o 4º... e jaja acaba... dai, só ano que vem!!:o(

PS: me compadeci pelo Theon, viu!!! Realmente, parece que entendi melhor o lado dele...

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi meninas!

Orquídea: obrigada! E assumo culpa total por te iniciar em bernard Cornwellm;D Ele é mesmo fantástico, não tenho nem o que dizer. Pra mim um dos melhores, está lá no Olimpo.

Mila: seja muito bem vinda! E leia sim, que é muito bom. Só se prepare que é bem forte. Mas aposto que se você ler, não vai querer parar mais, e vai ler tudo do Bernard Cornwell ;D
E eu também adorei o Loki. Bom, eu adoro vilões, e ele é muit fashin, vamocombiná. E também bem bonitinho, e aquele sotaque inglês...ai, derreto! e o resto do elenco então...ai, calor! ;D

Beijos!

Nerito disse...

Oi, Fê.

Esse é o livro que mais gostei na trilogia. Conheci Cornwell através de "O Arqueiro" e particularmente prefiro as crônicas de Arthur. Mesmo assim, acho que Cornwell se sente extremamente à vontade na Guerra dos Cem Anos e Thomas de Hookton (assim como Nick Hook) é um personagem ambíguo, uma mistura de luz e trevas, cheio de angústias e dúvidas. Acho que foi isso que me cativou na escrita de Cornwell.

Abraço!

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Nerito!

Agor aue reli, também acho este o melhor da trilogia. Mas ianda prefiro os do Artur. E sim, Cornwell se sente m,uito bem neste cenário, ele sabe muito bem explorar a Guerra dos Cem Anos. tanto que segundo aquela entrevista que eu linkei dele com o George Martin, ele disse que pode voltar a escrever sobre Thomas de Hookton ;D

Beijos!