terça-feira, 17 de abril de 2012

O Arqueiro – A Busca do Graal # 1 – Bernard Cornwell

 

O arqueiro Aos 18 anos apenas, Thomas vê o pai morrer em seus braços após um ataque-surpresa à aldeia de Hookton. Um lugar simples que escondia um grande segredo: a lança usada por São Jorge para matar o dragão, uma das maiores relíquias da cristandade. Em busca de vingança contra um homem conhecido apenas como Arlequim, o rapaz, um arqueiro habilidoso, se junta ao exército inglês em campanha na França, onde se envolve em batalhas e aventuras que, sem perceber, lançam-no na busca do lendário Santo Graal. Com este romance, o autor usa o cenário da Guerra dos Cem Anos para dar início a uma saga empolgante.

Para quem lê As Crônicas de Artur (para ler as resenhas separadamente, clique em: O Rei do Inverno, O Inimigo de Deus e Excalibur), pode ser surpreendente que a famosa busca do Graal não esteja presente (entre outras coisas que Bernard Cornwell colocou bem diferentes da lenda que todo mundo conhece). Mas fazendo uma saga à parte, ele consegue dar mais destaque às personagens e às histórias em si, afinal, são duas lendas grandiosas, e misturá-las pode ser desastroso. Artur até é mencionado neste, mas como se passaram cerca de mil anos, ele é tido mais como lenda mesmo, assim como o Graal.

Diferente do que se conhece, Bernard Cornwell situa a busca pelo cálice sagrado em plena Guerra dos 100 Anos. Thomas de Hookton é um jovem de 18 anos quando vê seu pai ser assassinado por um cavaleiro conhecido como Arlequim, para que levem da igreja – e acho que vale mencionar que o padre é o pai de Thomas, e isso é dito logo no final do prólogo, portanto não constitui spoiler – a relíquia (que toda igreja medieval clamava ter: um pedaço do Santo Sudário, ossos de tal santo, lascas da cruz, etc), que no caso é a lança com a qual segundo a lenda São Jorge matou o dragão. Em seu leito de morte, o pai de Thomas o faz prometer que irá recuperar a lança. O que Thomas parte para fazer, mas como ele é filho bastardo, seu objetivo é primariamente descobrir sobre sua família.

Thomas, apesar de ser filho de quem é e ter sido criado na igreja, na verdade não acredita em nada que não seja seu arco. E eu adoro arqueiros não pelo arco super-hiper-fashion de Katniss, mas sim do pesado arco de guerra de Thomas. A tal ponto de querer praticar o esporte (rs!).Ele mudou totalmente o modo como eu via arqueiros até então. Thomas é rude, beberrão e sarcástico, me lembra muito o Derfel das Crônicas de Artur, só que é moreno. Como eu disse, é meio cético, e não bota muita fé no Graal, mesmo caindo de paraquedas na busca pelo cálice. Mas no fundo, Thomas tem bom coração, e é muito honrado. E só a título de curiosidade, ele é avô, se não me engano, do Nick Hook, de Azincourt.

Ironicamente para um cético, seu melhor amigo (ou um deles) é o Padre Hobbe. Gosto muito dele. Padre Hobbe é religioso, sim, mas não é fanático, e tira um sarrinho com a igreja. Também é meio soldado (ele não é lá muito habilidoso), e diz que matar os franceses não é pecado. E ele funciona meio que como a consciência de Thomas, sempre o lembrando de sua promessa.

E claro que o mocinho não pode ficar sem a mocinha. No caso, são duas. A primeira é Jeanette, uma francesa conhecida como Blackbird. Ela é uma condessa, mas na verdade só vive mesmo do nome, porque riqueza mesmo ela não tem nenhuma desde que o marido morreu. E por isso mesmo, com um filho pequeno para criar, ela pega numa besta (arma tipo a que o Hagrid usa) contra os ingleses. Mas ela também é bem volúvel, e muda de ideia como a gente muda de roupa.

A segunda é Eleanor, filha bastarda de um lorde francês, mais precisamente o que aportou em Hookton no dia em que o pai de Thomas morreu. Eleanor é bem novinha, com somente 15 anos, é doce, mas determinada e generosa. E, se formos falar a verdade, também não liga muito para as convenções sociais da época, já que larga toda sua família para seguir com Thomas, sem se casar. E é corajosa, porque nem pensa duas vezes antes de entrar no meio do acampamento inglês, ainda que com Thomas a seu lado, convenhamos ela é francesa, e o período não é o ideal para se juntar a um inglês.

Mas o que seria da vida de Thomas se não fossem seus inimigos? E não estou me referindo ao tal Arlequim (que só é revelado no final, portanto vou deixar para falar dele na resenha do próximo), mas de Sir Simon Jekyll. Ele é um dos comandantes do exército inglês, e, ao entrar na cidade onde mora Jeanette, prestes a estuprá-la, é interrompido por Thomas, que ainda o entrega a seu superior (um conde, não lembro qual. Isso é um dos problemas do livro: muitos personagens!). Como Sir Simon acha que é seu direito possuir Jeanette, ele fica bem contrariado com Thomas, que ainda por cima o deixa em maus lençóis com um conde (se não me engano, William. Esse está do lado de Thomas). Pronto, Thomas arranjou um inimigo mortal. E bota mortal nisso. O cara sempre está atrás de um jeito de fazer Thomas pagar, até mesmo com a vida.

No meio de tudo isso você deve estar se perguntando onde entra o Graal. Bem, não vou me estender agora, porque isso envolveria dar spoilers antes do tempo, mas basta dizer que ele tem a ver com a promessa de Thomas. E para falar a verdade, o Graal só é mencionado mesmo da metade para a frente do livro, e bem pouco. Mas como eu disse, para elaborar mais, tenho que dar spoilers, então vou deixar para falar no próximo.

O livro alterna a narrativa entre os personagens, não como As Crônicas do Gelo e do Fogo, mas cada vez um personagem é focado. O centro das atenções é mesmo Thomas, mas outros personagens também tem seu ponto de vista registrados. E também tem um ritmo bom, alternando as batalhas, que como sempre são detalhadas e bem sangrentas (eu estava precisando depois de terminar a enjoativamente melosa série Os Imortais). O humor sutil de Bernard Cornwell também está presente, e dá para ler bem rápido, sem cansar. Recomendadíssimo.

Trilha sonora

Como mais de uma vez a Roda da Fortuna gira para Thomas (e ela é mencionada no livro), O Fortuna, da ópera Carmina Burana (eu adoro essa música, aliás). Tira Thomas do contexto da Guerra dos 100 Anos e joga ele no Velho Oeste americano e ele vira Billy the Kid, então, Blaze of Glory, do Bon Jovi vira seu tema. Mas a letra também tem a ver. Por causa da mesma Roda da Fortuna, Wheels e Long road to ruin, ambas do Foo Fighters (acho que ainda estou sob influência do show ;D)

Let's say we take this town
No king or queen of any state
Get up to shut it down
Open the streets and raise the gates
I know one wall to scale
I know a field without a name
Head on without a care
Before it's way too late

Maybe the season
The colours change in the valley skies
Oh God I've sealed my fate
Running through hell, heaven can wait

E para finalizar, Pirates of the Caribbean Theme, Wheel of Fortune (também de Piratas, e eu acho que está no meio do vídeo anterior, maior, mas achei melhor ressaltar), The Battle (de Gladiador), ambas de composição de Hans Zimmer.

Curiosidade

Eu não vou mencionar nada, porque como este livro é mais ou menos na mesma época de Azincourt, eu já fiz comentários a respeito da Guerra dos 100 Anos na resenha dele. É só clicar no link acima.

Se você gostou de O Arqueiro, pode gostar também de:

  • As Crônicas de Artur – Bernard Cornwell;
  • As Crônicas Saxônicas – Bernard Cornwell;
  • Stonehenge – Bernard Cornwell;
  • coleção Sharpe – Bernard Cornwell;
  • Azincourt – Bernard Cornwell;
  • As Crônicas do Gelo e do Fogo – George R. R. Martin;
  • Os Pilares da Terra – Ken Follett;
  • Mundo Sem Fim – Ken Follett.

5 comentários:

Nadia Viana disse...

Esse foi o primeiro livro do Bernard Cornwell que eu li. Gostei muito també da trilogia toda. Mas As Crônicas de Artur são meus preferidos!
Beijos,
Nadia

CMachado disse...

Boooom diaaaa Fê!!!

Bem que eu imaginava, melhor ler o livro JV, tem aquela coisa toda de uma discussão assim como o livro 1984, (George Orwell)clássico que a escritora de JV pode ter bebido dessa fonte.

Fê, que bom que sua vida está em ordem, sabe o que dizem, (disciplina), vc deve ser disciplinada, por isso, seu tempo é organizado e dá conta do blog e da facul...

O Arqueiro, já tenho aqui em casa, provavelmente vou ler ainda este mês... Ainda bem que se fala pouco do Graal assim fica diferente do livro de Dan brown, se bem que um escritor aborda coisas bem diferentes.

Você mencionou, São Jorge na resenha, sabe que li Rei Arthur de Allan Massie. Nesse livro, tem uma passagem sobre S. Jorge, claro que a religião Igreja Católica + religião dos Bárbaros, (absorvidos alguns itens das religiões pagas)temos a religião como ela é hoje.
Esqueço as vezes, que santos, costumes, são antigos já lá desde a idade média, por isso é bom ler Romance Histórico.

Ler O Andarilho, antes do Arqueiro, fica sem sentido? Acho que sim né?
Abç

PS: Estamos aguardando a resenha da Fefa do O Condenado. Você pretende ler logo ou ainda vai demorar?

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi meninas!

Nádia, eu também adoro esta trilogia, mas o meu preferido e o de Artur mesmo. Esta foi a segunda saga que eu li dele. Mas já fazia tempo, eu tinha que reler mesmo para fazer a resenha.

Orquídea, eu tenho que admitir que aprendi muito mais lendo bons romances hit´roricso que em todos os meus anos na escola. E JV pode não ser histórico, mas é impossível não ligar com o comunismo e a Rússia. Fora outras discussões que podem ser levantadas.

Não sei se sou lá muito disciplinada, mas eu tento. E como, apesar de trabalhar basttante, meu horário é bem flexível, então dá pra levar tudo numa boa. Às vezes acumula, mas em geral dá pra levar.

Olha, não dá mesmo pra ler O Andarilho antes. E não se preocupe, a abrdagem de bernard Cornweel sobrte o Graal é bem diferente de Dan Brown (na minha opinião, melhor). Vou ler O Condenado sim, mas não sei quando. Eu tenho todos os livros que saíram em português do Bernard Cornwell, mas depois de ler a trilogia do Graal, acho que não vou precisar de um tempo na carnificina ;D

Beijos!

Fefa Rodrigues disse...

Fe, vc sabe que A Busca do Graal é minha série do Cornwell preferida... eu suo louca pelo thomas, totalmente apaixonda por ele... e pretendo reler... apesar de td mundo achar as Croniacs de Arthut melhor, eu curto mais o Graal hehehe...

Agora, quanto ao condenado, é um livro que não tem massacre, não tem sangue jorrando... aliás é um dos omentários do Sandmam que estando eles em tempos de paz, estão todos intediados!!!!

Fe, leia, vc vai gostar...


Estou no comecinho de A Menina que Roubava Livros, mas ja estou vendo que é algo bem diferente do que estou acostumada... e acho que vou gostar sim... minha antipatia com o livro é culpa da minha sobrinha que me disse que não cosenguiu ler o livro por ser muito chato... mas as poucas páginas que eu li já me mostraram que não é bem assim!!!

Nerito disse...

Esse foi o primeiro livro de Cornwell que li. Desde então, não parei mais. Até hoje, acho Azincourt o melhor de todos, tanto pela composição do personagem Nick Hook como pela narrativa balanceada.
Bem, acho que cometi uma injustiça. Quero dizer, não posso negar a poesia existente na narrativa mágica de Derfel nas Crônicas de Arthur. E também não posso negar a forma belíssima que Cornwell termina o livro "O último reino"...
Então, fui muito parcial em meu juízo de valor sobre Azincourt.
Agora, é sério essa história do parentesco entre Thomas e Nick? Eu fiquei pensando nisso, mas quando li Azincourt, o livro chega a mencionar Thomas como um arqueiro famoso, que conseguiu mudar de vida com o fruto do seu trabalho, mas não relaciona diretamente os dois. Queria saber mais dessa informação!
Abração, Fe!