domingo, 24 de abril de 2011

A garota da capa vermelha

 

garota capa O corpo de uma garota é descoberto em um campo de trigo. Em sua carne mutilada, marcas de garras. O Lobo havia quebrado a paz. Quando Valerie descobre que sua irmã foi assassinada pela lendária criatura, ela acaba mergulhando de forma irreversível em um grande mistério que vem amaldiçoando sua aldeia por gerações. A revelação vem com Father Solomon: o Lobo habita entre eles — o que torna qualquer pessoa do vilarejo suspeita. Estaria Peter, sua paixão secreta desde a infância, envolvido nos ataques? Ou seria Henry, seu noivo, o Lobisomem que assola as redondezas? Ou, talvez, alguém mais próximo? Enquanto todos estão à caça da besta, Valerie recorre à Avó em busca de ajuda; ela dá à neta uma capa vermelha feita à mão e a orienta através da rede de mentiras, intrigas e decepções que vem controlando o vilarejo por muito tempo. Descobrirá Valerie o culpado por trás do lobo antes que toda a aldeia seja exterminada? A Garota da Capa Vermelha é uma nova e arrepiante versão do clássico conto. Nela, o final feliz poderá ser difícil de ser encontrado.

Assim que vi esse livro, contando uma nova versão, mais sombria e próxima da original da Chapeuzinho Vermelho, já fiquei interessada. Aumentou quando vi que viraria filme (na verdade é o contrário. O livro é que é baseado no roteiro do filme), aí juntou a fome com a vontade de comer. E, antes de o filme estrear, e também para descansar um pouquinho das Crônicas do Gelo e do Fogo, resolvi ler. Se é para ser sincera, assisti o filme antes de terminar o livro, mas já falo sobre isso.

Bom, comecei o livro cheia de expectativas, achando que ia engatar uma quinta e só parar quando terminasse. Mas a verdade, apesar de ter lido rápido, é que o livro demora um pouquinho para engrenar. Só fica legal mesmo a partir da morte da irmã de Valerie. Daí pra frente, a leitura fica mais agradável.

Valerie é uma garota de 17 anos, que vive em um vilarejo em algum reino distante. Ela tinha um amigo de infância, Peter, com quem andava para todo lado quando era criança. Mas, sob circunstâncias no mínimo estranhas, ele partiu com seu pai. A partir daí, Valerie se torna mais arredia, não se mistura muito com ninguém no vilarejo. Ela é quieta e observadora, e só se dá bem mesmo com sua irmã. Claro que ela tem amigas, mas todas são meio fúteis e ela não se identifica com nenhuma delas. E ela vai levando sua vida assim, na mesma rotina, até que Peter retorna, dez anos depois.

Esse retorno, igualmente misterioso, desencadeia uma série de ataques do Lobo, criatura que assola a vila toda lua cheia, exigindo um sacrifício de todos a cada mês. Confesso que essa parte me comoveu. Logo no começo, quando Valerie ainda era uma criança e sua cabritinha de estimação tem que ser o sacrifício do mês. Deu dó. E já vou logo falando que achei sacanagem não ter isso no filme.

Enfim, Peter volta, lindo e misterioso e isso traz de volta a Valerie sentimentos que ela pensava que estavam mortos há muito tempo. E Peter, incapaz de esquecer a amiga durante todo esse tempo, enfrenta o escrutínio de todos na vila. Ele vive isolado de todos, mas mesmo assim desperta o interesse das garotas locais, para desespero de Valerie. Para piorar a situação, Valerie descobre que seus pais acertaram seu casamento com Henry, um ferreiro próspero que pode dar a Valerie uma vida melhor. Só que Valerie está apaixonada, como sempre esteve, por Peter e se ressente dessa decisão, feita sem seu conhecimento ou consentimento e desconta em Henry. Mas ao passar mais tempo com Henry, no entanto, ela percebe que também se identifica com ele, e quando suas suspeitas sobre Peter vão crescendo, a confusão na cabeça da garota só piora.

Mas o melhor personagem é de longe Father Solomon, um caçador de lobisomens que chega a pedido de Father Auguste. Father Solomon é experiente na caça e tem motivos muito fortes para querer acabar com o tal Lobo, pois já sentiu na pele o que o Lobo faz. No início, Father Solomon é recebido com desconfiança, mas logo todo o povo tem que dar o braço a torcer. O que ninguém desconfia é que Father Solomon é na verdade um fanático que tem prazer em torturar (literalmente) qualquer um que seja diferente. Ele age exatamente como um Inquisidor da Idade Média, que primeiro tortura para depois chegar a um veredicto.

A história é intrigante e o mistério fica até o final. Só dá pra saber quem é o Lobo no último capítulo, que aliás só está disponível na internet. Achei isso bem desnecessário, e se não tivesse visto o filme antes de terminar o livro e saber como termina, ficaria muito brava. Entendo que é jogada de marketing, mas essa de cortar todo um capítulo para forçar o leitor a acessar um site, que aliás não traz nada demais, a não ser o tal capítulo final, é muito pra minha cabeça. Não sei como é na versão original em inglês, mas confesso que não gostei disso. Também achei a narrativa fraca, por vezes fragmentada, apesar do tema interessante e da história prender o leitor até o fim.  Talvez isso seja devido a se basear num roteiro de filme, e não o contrário, como sempre acontece. E, nesse sentido, o livro é absolutamente fiel ao filme, tirando a passagem que eu mencionei, que na verdade é o primeiro contato de Valerie com o Lobo. E no livro não tem o coelhinho do filme. Nesse sentido, prefiro o livro. Não por causa do que acontece com o coelho, mas porque fica um mistério a mais no ar. Afinal, qual a ligação de Valerie com o Lobo?

Mas não deixem esse meu último parágrafo os enganar. Apesar das críticas, eu recomendo o livro, porque a história é cativante, apesar de ser pudica demais (o romance de Valerie e Peter é mais frio que Edward/Bella e Stefan/ Elena – no livro – juntos). Mas, devido à época em que se passa, até é aceitável.

Trilha sonora

Collide, do Dishwalla bate direitinho com a história. Mas a trilha do filme também é bem bacana (desculpa, não consegui achar as faixas em lugar nenhum, então vou ficar devendo quem está lá)

Filme

Red riding hood Como já disse, o filme é absolutamente fiel ao livro (ou vice-versa). Confesso que fiquei meio preocupada quando vi que a diretora era a mesma de Crepúsculo (que fez uma tremenda meleca neste último), mas me consolava ver que o produtor é Leonardo DiCaprio. E isso muda tudo. O filme é bem legal, e deixa de fora toda a enrolação do livro. Destaques para Gary Oldman, que brilha como Father Solomon, Amanda Seyfried como Valerie, a gracinha Shiloh Fernandez como Peter (alguém condena Valerie por escolher o Lobo?) e Lukas Haas como Father Auguste e Julie Christie como a Avó. Por outro lado, Max Irons deixa um bocado a desejar como Henry. Outra coisa bacana é o cenário, muito bem feito e a beleza fria e sombria da fotografia. E aquela capa vermelha, lindíssima. A parte ruim: as aborrecentes falando sem parar o filme todo atrás de mim, desrespeitando todo mundo. E ainda solta a pérola, já no final, quando Valerie vai para a casa da Avó com a cestinha: “É Chapeuzinho vermelho!”. Hello! A garota vai ver um filme chamado A garota da capa vermelha, com uma avó que mora na floresta e um lobo, e espera que seja o quê? Cinderela? Faça-me o favor! Taí a cultura da molecada de hoje. Triste, muito triste. Fora isso, vale conferir.

Curiosidade

Todo mundo conhece a versão mais leve da lenda, escrita pelos irmãos Grimm, datada do século 19. O que pouca gente sabe é que a lenda da Chapeuzinho Vermelho é anterior, do século 18, de autoria de Perrault, e bem mais macabra. E bota macabra nisso. Nela, ao chegar na casa da avó, Chapeuzinho (que não era vermelho) encontra o lobo, que já havia matado a avó e tirado seu sangue e fatiado a carne e feito dela um ensopado. Quando Chapeuzinho chega, o lobo a faz comer o tal ensopado e beber o sangue, que ele diz que é vinho. E sim, no filme tem isso também, só não falam que o ensopado que ela come no final é de vovó. após comer, o lobo manda que Chapeuzinho deite ao seu lado, nua, e enquanto rola o tal diálogo “que olhos grandes você tem…” na verdade o que está acontecendo é uma sedução, com conotação bem sexual. E no fim o lobo acaba por devorar a menina também, e não há lenhador (ou caçador, como preferir) para salvá-la, o final é esse mesmo. Para saber mais sobre esta e outras histórias infantis que não são bem o que conhecemos a vida inteira, acesse Histórias infantis: quem tem medo do lobo mau?, de onde eu tirei as informações.

Se você gostou de A garota da capa vermelha, pode gostar também de:

  • saga Crepúsculo – Stephenie Meyer
  • Vampira Diaries – L. J. Smith
  • Formatura Infernais – Stephenie Meyer

4 comentários:

Thalinne disse...

Quer dizer que o livro não vem com o final da história?... Que chato...
Já tinha ouvido falar nessa versão meio "censurada" da Chapeuzinho Vermelho, saiu uma matéria na Superinteressante uma vez falando sobre várias histórias infantis que são assim. Dizem que essas histórias surgiram de conversas de adultos no meio da noite, em volta de fogueiras.

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Thalinne!

Também achei uma idiotice o livro não vir com o final...e nem boa estratégia de marketing é. Eu li as versões censuradas na Mundo Estranho, mas ela é filhota da Super, então meio que dá na mesma. E surgiram disso mesmo, conversas de adultos, para alertar as crianças do mal que existe por aí.

Beijos!

Nana disse...

Ai eu acho que o livro é baseado no filme haha tá rolando muito isso agora...
Eu simplesmente não acho graça...porque é isso aí que acontece...o livro não tem final! Que sacanagem
mas eu estou morrendo de vontade de assistir o filme...tem uns atores que adoro.!

Ai jura que você já leu Dorian Gray?
Eu preciso ler e ver o Ben no filme! Só vejo o Ben em Nárnia e Stardust KKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

bjs e bom domingo!
Feliz Dia das mães para a sua :)

Nana
Obsession Valley

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Nana!

Vai ver o filme sim que vale à pena. E já li duas vezes Dorian Gray...adivinha quem eu imagino sempre que eu leio...Eu também só vejo o Ben Barnes em Nárnia (queria ir pra lá...rs)e Satardust (que eu também li), mas os bonzinhos não tem muita graça...queria ver ele bem mau:)
E eu fiz resenha dos dois, procura pelo autor (Oscar Wilde e Neil Gaiman).

Feliz dia das mães pra sua mãe também!

Beijos!