terça-feira, 3 de setembro de 2013

Dezoito Luas – Beautiful Creatures #3 – Kami Garcia, Margareth Stohl

 

ATENÇÃO! SPOILERS SE VOCÊ NÃO LEU NENHUM DOS LIVROS DA SÉRIE!

18 luasEu achei que havia me acostumado a impossíveis e bizarros eventos varrendo Gatlin, minha pacata, típica e previsível cidadezinha sulista. Mas agora que eu e Lena voltamos da Grande Barreira, estranho e impossível ganharam uma nova dimensão…uma capaz de abrir um portal para que demônios invadam o mundo Mortal.

Ridley perdeu seus poderes, Link é um Incubus e as habilidades da família de Lena não andam muito acuradas. Nuvens de gafanhotos devoram todo o verde de Gatlin. Um calor sufocante deixa a grama marrom e os humores negros. Raios riscam o céu e tempestades assustam os animais. O equilíbrio está quebrado. Aparentemente, ao se Invocar, Lena pode ter dado o pontapé inicial no Apocalipse.

Como não bastasse, John Breed resolveu aparecer. Nada melhor do que o cara que quis roubar sua garota para deixar as coisas ainda mais confusas. Não que já não estejam. Amma saindo de fininho para visitar um bokor, eu me esquecendo de coisas triviais – tipo, que sou destro – e uma Rainha Demônio exigindo o preço para salvar a cidade.

E o pior é que não sei se os Conjuradores da Luz serão fortes o bastante para manter as Trevas a distância. Afinal, qual o sacrifício para restabelecer a Ordem? E será mesmo possível? Até que toda essa distração serve para desviar meus pensamentos do meu novo pesadelo. E da figura que me segue nas sombras. Mas o medo está sempre à espreita…não quero perder ninguém que amo.

Depois de quase perder Lena na Grande Barreira, eles estão de volta mais unidos do que nunca, mesmo que não possam ficar juntos realmente fisicamente, por causa do risco para Ethan. Você deve estar pensando: ops, já vi isso antes! Sim, em Os Imortais. Mas deixa eu esclarecer algo aqui. Enquanto na série de Alyson Noël a fulana faz o que faz só para poder transar com o namorado, como se nada mais importasse, aqui a história é bem complexa e o fato de Lena e Ethan não poderem se unir fisicamente (ainda) é bem secundário, e muitas vezes passa despercebido. A trama não gira em torno disso, e é bem mais elaborada.

Bom, voltando ao livro. Ethan e Lena estão mais unidos, porque já passaram pela experiência de quase se perderem, e nenhum dos dois quer isso novamente. Lena se sente culpada por ter fugido com John (falo mais dele daqui apouco) e também porque ao se Invocar, ela causou uma ruptura que abalou tanto o mundo Mortal com o Conjurador. Pragas infestam Gatlin, a cidade sofre com ataques de Tormentos e há muitas perdas. Tudo porque a Ordem foi quebrada. Por outro lado, Lena também está mais madura, e mais poderosa, ainda que seus poderes andem meio fora de controle. Quando ela se invocou, ela percebeu que tem tanto trevas como luz dentro dela, e ela se aceita assim. Gostei disso porque a torna mais humana. E ela já não é tão frágil como a garota que conhecemos no primeiro, está mais forte.

E Ethan sofre pelo medo constante de perder Lena de novo. Não que ele precise se preocupar com isso, mas o retorno de John Breed mexe com suas inseguranças. Some-se a isso o fato de que ele não dorme direito, com pesadelos, que de novo, são só dele, e a sensação de que alguém está à espreita. O que não fica mais fácil ao receber uma mensagem enigmática: estou esperando. E como se isso não fosse o suficiente, uma tragédia se abate sobre sua família, forçando as Irmãs, suas tias centenárias e superfofas, a morarem em sua casa. É, a vida dele não está nada fácil. Mas, de novo, Ethan amadureceu, e muito. E considerando-se tudo que aconteceu em sua vida, ele até que lida com tudo muito bem. Ele aceita melhor seu papel em tudo. O que não significa que ele não faça de tudo para proteger quem ama. Mesmo.

Quem se deu bem mesmo foi Link. Depois de ser mordido por John e se tornar um quarto de Incubus, Link tem os poderes de um Incubus (força, agilidade, visão noturna) mas não as fraquezas. Ele não dorme mais e tem que se alimentar de sonhos humanos, mas por outro lado ele tem um poder magnético sobre as meninas. De repente, todas as meninas da escola que não ligavam para ele agora o adoram e disputam por ele. O que ele acha o máximo, claro. Mas o fundo é só fachada, porque ele gosta mais de Ridley do que gostaria de admitir. E ela depois que perdeu os poderes de Sirena na Grande Barreira, agora tem que lidar com o fato de ser Mortal, o que ela não faz muito bem. E assim ela acaba libertando John Breed do Arco Voltaico e também começa uma tentativa desesperada para reaver seus poderes. Mas uma coisa a gente pode dizer: ela realmente gosta de Link. Eu não posso falar como sei disso, mas ele tinha razão quanto a isso.

E John. Bom, nesse a gente conhece um pouco mais dele. Ele foi criado por Hunting, que é irmão de Macon, se não me engano, e sua infância na verdade não foi nada fácil. Ele não sabe quem são seus pais verdadeiros, e ele sofreu abusos e mais abusos. Toda sua infância ele teve martelada em sua cabeça o ideal de puritanismo racial de Hunting e Abraham, que se consideram melhores que todos, Mortais e Conjuradores (tanto da Luz como das Trevas) igualmente. De certa forma, ele é tão vítima de Abraham quanto os outros, mas Ethan não vê isso. Ou não quer ver, o que a gente entende perfeitamente. Como confiar no cara que tentou roubar sua namorada e transformou seu melhor amigo em um ser das Trevas? Mas tenho a sensação de que John é um daqueles personagens com várias camadas, bem do jeito que eu gosto. E acho que ele realmente está no caminho de redenção.

E não está sozinho. Ele conta com Macon, que depois de voltar como Conjurador da Luz, salvo pela mãe de Ethan, ele continua poderoso, e ainda mais plácido, com um tipo de sabedoria calma. Mas que impõe muito respeito. E Liv, agora que não é mais aprendiz de Guardiã, pois quebrou as regras de só observar sem interferir, passa os dias escondida nos túneis, mas ainda pesquisando sobre o mundo Conjurador. Ela ainda sofre com os efeitos do rebound de Ethan, a rejeição, mas ela sabe que ele nunca gostou dela do mesmo jeito que ela dele.  Mas seu sofrimento está com os dias contados agora que John apareceu em sua vida. A única coisa é que ela se culpa pelo destino de Marian, que enfrenta as consequências de ter deixado Liv ir atrás de Ethan e Link nos túneis.

Do outro lado, aparecem Abraham, o pai de todos os Incubus, e um cara realmente assustador. Ele não tem nenhum escrúpulo, e vai fazer de tudo, e usar quem quiser, para alcançar o seu objetivo de limpar o mundo dos Conjuradores e dos Mortais, deixando os Incubus como os donos de tudo. E ele mais que todos, claro. Ele comanda o grupo de Hunting, e até eles tem medo dele. E sua aliada é Sarafine. E neste a gente sabe um pouco amis sobre ela, como ela se tornou quem é. E percebe, junto com Lena, que as duas não são muito diferentes. Mas quais essas semelhanças eu vou deixar a cargo da imaginação de vocês para evitar spoilers. E também aparece a Rainha Demônio, um ser poderoso, e que vem para coletar o preço  para restaurar a Ordem. Ela é muito importante, apesar de não aparecer muito, e não posso falar mais sem dar spoilers.

Este livro definitivamente deu uma guinada para o sombrio. A história continua envolvente e interessante, com várias camadas e personagens bem construídos. Ainda tem umas partes bem clichês, e é um tanto previsível, mas nada que atrapalhe ou prejudique a leitura. E o final é de arrepiar e daqueles que acaba na melhor parte, deixando a gente com vontade de bater nas autores. Ainda bem que já saiu a continuação, que eu já comprei, porque esperar por este ia ser tão doloroso quanto está a espera de The Winds of Winter. E o que quero dizer é que ele termina no mesmo tom (ops! Spoilers para os entendedores!). E já basta ter que esperar angustiada por TWoW.

Trilha sonora

Começando muito bem, It´s time, do Imagine Dragons (It´s time to begin, isn´t it, I get a little bit bigger, but then I admit, I´m just the same as I was, Now don´t you understand, that I´m never changing who I am); o livro fala o tempo todo da Roda da Fortuna (Thomas de Hookton ficaria feliz), então O Fortuna, da ópera Carmina Burana; My sacrifice, do Creed (até o clipe tem a ver, mas não posso dizer porque); claro que em se tratando do Apocalipse, não podeia deixar de ter It´s the end of the world as we know it, do REM; mais uma vez If this is the last kiss (let´s make it last all night), do Meat Loaf marca presença; e finalmente, mais uma vez, Haunted, do Evanescence.

Se você gostou de Dezoito Luas, pode gostar também de:

  • Vampire Academy – Richelle Mead;
  • Harry Potter – J. K. Rowling;
  • A sombra do vento – Carlos Ruiz Zafón;
  • Marina – Carlos Ruiz Zafón;
  • A menina que não sabia ler – John Harding;
  • O retrato de Doria Grey – Oscar Wilde;
  • A volta do parafuso – Henry James;
  • Os Instrumentos Mortais – Cassandra Clare;
  • Dragões de Éter – Rapahel Draccon.

5 comentários:

Nerito disse...

Puxa, gostei da trilha sonora. Tanto que, só pelas músicas, já me deu muita vontade de ler... rs...

bjo

Nerito

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Nerito!

Só que este é p terceiro, você tem que começar por Dezesseis Luas :)

Mas eu também tenho dessas, com filme: vontade de ver só pela trilha sonora :)

Beijo!

Carissa Vieira disse...

Já terminasse o terceiro? Uau!
Eu só li o primeiro.

Beijos,
Carissa

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

HAHAHAHA!!!!!

E estou esperando a saraiva me entregar o quarto angustiada!

Beijo, Carissa!

Fefa Rodrigues disse...

Feeee vc já leu Cidade dos Ossos??

Será que é legal???