segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Ahmnat – A mãe de todos os pecados – Julien de Lucca

 

Ahmnat 2Um dia ela já foi a poderosas Ahmnat. Hoje, quatro mil anos após seu nascimento, ela é Alice Femi, que vive a tão almejada vida simples. Seu tempo é dividido entre seu trabalho. que adora, um namorado divertido e uma amiga sincera que conhece seus segredos.

Bem longe dali, Christian, um solitário rapaz nova-iorquino, vive enclausurado em uma existência monótona e sem objetivo. Ele odeia seu emprego, não faz nada de diferente e não tem amigos com quem sair.

Ao mesmo tempo, em outro ponto do mundo, um assassino profissional prepara-se para cumprir seu último contrato, que vai garantir um futuro muito confortável para ele e sua sua confidente secretária.

Porém tudo muda quando eventos imprevisíveis entrelaçam os destinos dessas três histórias e imponentes figuras do além-vida conspiram para realizar um plano que poderá abalar os pilares da própria criação.

ATENÇÃO! SPOILERS CASO VOCÊ NÃO TENHA LIDO AHMNAT – OS AMORES DA MORTE!

Depois de finalmente derrotar Destino, e conseguir a pacata vida mortal que sempre quis, Ahmnat, agora Alice, agora vive uma vida simples em São Paulo. Trabalha numa livraria perto da Paulista, mora por perto (como? Aluguel por lá é caríssimo, mas OK, vamos com isso) e tem um namoradinho, Alex, que é louco por ela e faz de tudo por ela. Só que quatro mil anos depois de seu nascimento, ela não ficou mais sábia. E se tornou um ser humano fútil, que só quer mesmo é aproveitar a vida, bebendo até a última gota, e fazendo de bobo o coitado do namorado, Porque enquanto Alex é apaixonado por ela, não sinto que ela sinta o mesmo, apesar de dizer que não. E eu tenho que dar crédito a ela por se manter ao lado dele durante as doideiras da vida dela e tentar protegê-lo dos monstros que a perseguem. Talvez por um dia ter sentido todas as emoções humanas de uma vez, mas me parece que Alice é genuinamente incapaz de se conectar de forma completa com quem quer que seja, mesmo a sua amiga mais antiga, Isabel, não tem um laço de amizade forte, sempre há um traço de desconfiança, e Alice sempre parece estar tramando algo para seu próprio proveito. Em outras palavras, é egoísta. Não adianta, não consigo me afeiçoar a ela. Mas talvez isso mude. Afinal, eu também levei uns dois livros para começar a gostar de Uthred de Bebbanburg.

Por outro lado, outros personagens são bem bacanas. A começar por Alex. Garoto normal de 23 anos, paulistano, curte a vida, e tem um personalidade leve que em nada combina com Alice. É louco por ela, e a aceita por quem ela é, mesmo depois que descobre sua verdadeira identidade (mais ou menos, ele não chega a saber que ela é, ou era, a Morte). Embarca com ela numa aventura maluca e potencialmente fatal, sem perguntas, cofiando completamente nela. Sinceramente, ele não merece ser tratado como um idiota qualquer que está disponível para o divertimento de Alice. Merece mais.

Outro personagem legal é Christian. No começo, e até boa parte do livro, eu não conseguia gostar dele, com sua existência insignificante e insegurança pra lá de exagerada. E como ele tem vários capítulos só nas debates internos dele, era um pouco cansativo. Mas no final ele dá uma virada e eu comecei a gostar dele. Muitas vezes, fora os infindáveis debates internos, as partes dele eram as mais legais (só uma observação, o núcleo de Alice também é legal, mas não por ela, e sim por causa dos outros personagens envolvidos. Já falo deles). Junto com ele, e uma das razões para os monólogos interiores, está Melissa, moça de personalidade esfuziante, mas misteriosa. Inicialmente, a gente fica se perguntando o que a história deles está fazendo ali, parece meio avulsa, mas no fim tudo se encaixa.

Voltando um pouco no núcleo de Alice, o que é legal também são Isabel, sua amiga Perpétua (não como a de Tieta – que eu sempre associava – mas uma entidade) boca-suja, mas igualmente fútil A diferença é que Isabel tem uma personalidade mais leve e divertida que Alice. E também Marcos, o gigante segurança de Isabel, que é apaixonado por esta última, e que é um paradoxo engraçado: gigante musculoso, mas de coração mole. As briguinhas deles deixavam as partes de Alice mais divertidas. Bom, isso e mais o fato de que coisas estranhas acontecem, demônios perseguem o grupo, e sem que a gente saiba o motivo, instigando nossa curiosidade.

O outro núcleo do livro é o do assassino de aluguel em sua última missão. Esse também é um núcleo interessante, porque mantém um mistério (por que esses alvos aparentemente aleatórios? Quem contratou o assassino? E qual o significado do enorme diamante vermelho que ele tem que mostrar para suas vítimas antes de matá-las?) e por causa de sua assistente, Controle. As tiradas dele com ela, e vice-versa, são divertidas, e dão um toque de humor sarcástico bem bacana para o livro. Sem contar que a gente fica querendo adivinhar onde será o próximo ataque do assassino, e o método da morte.

O livro se divide em três partes distintas, como eu mostrei, cada uma centrada num personagem diferente, e contado em terceira pessoa. No final, todas essas histórias se cruzam, e não dá para evitar a curiosidade de saber como. A trama é mais complexa que no primeiro, cheia de reviravoltas e intrigas. Mas ás vezes o livro é descritivo demais, e perde um pouco o ritmo. Poderia ter mais um pouco de ação. Os personagens poderiam ser mais bem elaborados, especialmente Alice, a quem falta força para ser protagonista. A história no entanto é interessante, e o suspense se mantém até o fim. Recomendo a leitura.

Trilha sonora

Sympathy for the devil é mencionada, mas tem a ver. Live and let die também combina. As duas como Guns. The end is the beginning is the end, do Smashing Pumpkins também cai bem.

Se você gostou de Ahmnat – a Mãe de todos os pecados, pode gostar também de:

  • A batalha do Apocalipse – Eduardo Spohr;
  • Filhos do Éden – Herdeiros de Atlântida – Eduardo Spohr;

2 comentários:

Nerito disse...

Não li a resenha porque também ainda não li Ahmnat. Descobri que tenho esse livro na biblioteca e vou pegá-lo logo que acabar de ler Necrópolis 1 e O Enigma da Espada.

Bjo!

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Lê si, que é legal!
:)

Beijos!