quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Azincourt – Bernard Cornwell

 

Azincourt A batalha de Azincourt, travada em 25 de outubro de 1415, Dia de São Crispim, é uma das mais importantes da História britânica.Tornada célebre na peça Henrique V, de Shakespeare, foi uma vitória inesperada dos ingleses e uma das primeiras batalhas a triunfar pelo uso do arco longo.
AZINCOURT, de Bernard Cornwell, é um relato vívido, de tirar o fôlego e meticulosamente pesquisado sobre essa grande batalha e suas consequências.A partir do ponto de vista de nobres, camponeses, arqueiros e cavaleiros.Cornwell retrata habilmente as horas de luta implacável, o desespero de um exército mutilado pela doença e a coragem excepcional dos soldados ingleses.

Se tem alguém que consegue escrever sobre uma única batalha e não ficar maçante, esse alguém é Bernard Cornwell. Confesso que, apesar de ser de Bernard Cornwell, eu estava meio desconfiada antes de ler este livro, com medo de ficar tedioso. Mas aí eu li a resenha da minha amiga Fefa, que além de Apaixonada por Papel, também é apaixonada por Bernard Cornwell, como eu, e foi todo o incentivo que eu precisava. Acho que fui influenciada por umas resenhas e comentários sobre o livro (e por isso eu gosto de ler as resenhas DEPOIS de ler os livros. Assim, além de evitar spoilers, também formo minhas próprias opiniões, sem influência de ninguém).

“Em um dia de inverno de 1413, pouco antes do Natal, Nicholas Hook decidiu cometer assassinato.” Essa é a primeira frase do livro, e, como se pode ver (ao contrário do que eu, burrinha que sou, pensava), ele começa bem antes daquele fatídico 25 de outubro de 1415. Ali, naquele dia de inverno, Nick Hook colocava ainda mais lenha na rixa de sangue travada por sua família e a Perrill, que já acontecia há tanto tempo que acho que ninguém sabe porquê.

Nick é descendente de Thomas Hookton, o arqueiro de A Busca do Graal, e, para fugir da forca, se alista no exército de Henrique V e parte para a França. Mais precisamente em Soissons. Lá, ele é testemunha o horror imposto pelos franceses a seu próprio povo, e conhece Melisande. Atormentado por não conseguir salvar uma moça em Londres (o motivo por ele ter sido condenado à morte), ele a salva e não demora para os dois se tornarem amantes, e mais tarde marido e mulher. Nick é inteligente, observador e tem mais uma particularidade: tem dois santos conversando com ele, São Crispim e São Crispiniano. E Hook também é humilde, sabe seu lugar. Sua única preocupação é proteger Melisande e seu irmão Michael.

Melisande, por sua vez, é uma mulher forte e de opinião, que não se contenta com as convenções. Ela é filha de um poderoso lorde francês, mas é bastarda, então até que Hook a salvasse, estava presa em um convento. O que para ela era pior que a morte. Melisande tem o espírito livre, e é impossível fazer com que ela faça algo contra a vontade.

Amigos do casal são o padre Christopher, que não é fanático e nem tem a mania de ficar pregando o sermão. E também há Sir John Corwaille, homem duro, mas bem-humorado. Este é também o mentor de Hook, que o ensinou a manejar a espada. E ela também protege Hook e Melisande. Gosto de ambos.

E ainda o rei Henrique V. Ele reclama o trono da França por direito (assim ele diz), e parte para a invasão. É um homem orgulhoso e extremamente devoto, mas não é imune a falhas. No decorrer da história ele comente um erro grave, que afeta Hook diretamente. Mas é por causa de seu orgulho que os ingleses chega àquele 25 de outubro. E, só para constar, ele foi imortalizado por ninguém menos que Shakespeare, em sua peça de mesmo nome (Henrique V).

Do outro lado, o maior dos inimigos é mesmo o Senhor de Lanferelle. E adivinhou quem disse que ele é o pai de Melisande. Ele é cruel, sádico e implacável. Mas, por causa da filha, consegue uma cortesia tensa com Hook.

Além dele, há também os irmãos Perrill, que eu já mencionei. Ambos são falsos e seu desejo mais profundo é esmo fazer o que for preciso para prejudicar Hook, atacando tanto ele como seus amigos. E, junto com eles o padre Martin, corrupto, devasso, mas que sabe com conseguir o favor do lorde a quem serve (ou seja, com bajulação e mentiras).

A batalha de Azincourt em si se concentra na parte final do livro, e o bacana é que ela é contada por diversos pontos de vista que se misturam, mas de forma suave, sem confusão e sem brusquidão. E a forma realista e crua de Bernard Cornwell narrar deixa tudo mais emocionante, nada chato. Vale a pena ler.

Trilha Sonora

Miracle, do Jon Bon Jovi, até pela situação enfrentada pelos ingleses, é perfeita. E eles conseguiram o tal milagre, aliás. E presta atenção para a participação especial de Matt “Joey Tribiani” LeBlanc no clipe. E também Somebody else's song, do Lifehouse (apesar de Hook não querer que os santos vão embora).

Nota Histórica

A Batalha de Azincourt realmente aconteceu, e foi um dos muitos conflitos da Guerra dos Cem Anos, travada entre a França e a Inglaterra. O que torna esta batalha particularmente famosa é que os ingleses chegaram ao campo de Azincourt com um exército já desgastado e doente devido ao cerco a Harfleur (que durou cinco semanas, quando deveria ser bem mais curto) e pela marcha mais longa para Calais. Desta forma, os números ingleses eram absurdamente inferiores aos franceses. Há muita controversa quanto aos números exatos, mas estima-se que haviam cerca de 15 mil ingleses para 50 mil franceses (segundo a Wikipedia). Bernard Cornwell escreve uma nota no final da minha edição (americana) que põe os números em 6000 ingleses para 30 mil franceses. O certo mesmo é que os ingleses tinham um desvantagem absurda, mas mesmo assim, não sei como, conseguiram vencer a batalha.

A Guerra dos Cem Anos na verdade durou cerca de 120 anos, e foi desencadeada por uma questão dinástica. E foi também o primeiro conflito europeu com profundas consequências econômicas e políticas para a Europa Medieval.

E, segundo a mesma nota histórica de Bernard Cornwell, Soissons também foi real, e chamou a atenção justamente por causa da violência dos franceses contra os próprios franceses. (Fintes: Guerra dos Cem Anos e Batalha de Azincourt).

Filme

Boas notícias para os fãs de Bernard Cornwell. Azincourt vai virar filme. Ainda é só um projeto, segundo o IMDB para 2014. Então façam as suas apostas quanto ao elenco. E segundo o site Cinema em Cena, a direção será de Michael Mann. Mas como ainda é um projeto, não tem muitas informações a respeito, e para conseguir mais no IMDB, só assinando o site, o que é um serviço pago. Como eu não posso pagar, o jeito é esperar. E falando em filme, o soldado que está no fundo da capa da edição americana vem do filme Cruzada (podia ser o Orlando Bloom, né?;D)

Se você gostou de Azincourt, pode gostar também de:

  • As Crônicas de Artur – Bernard Cornwell;
  • A Busca do Graal – Bernard Cornwell;
  • Stonehenge – Bernard Cornwell;
  • As Crônicas Saxônicas – Bernard Cornwell;
  • Os Pilares da Terra – Ken Follett;
  • Mundo Sem Fim – Ken Follett.

7 comentários:

Fefa Rodrigues disse...

Feee... eu sabia que vc ia gostar!!! Depois de ler, dá até uma peninha de ser 1 livro só e não uma série, não é?!

Gostei muito também e a pricipio achava que o livro todo se passaria no dia da batalha... mas não é... é uma história que culmina no dia da batalha de Azincourt... AMEI!!!

HUmmm... estou pensando quem seria, pra mim, um ótimo NIck Hook no filme...

Fefa Rodrigues disse...

Fe, acredita que Morro dos Ventos Uivantes foi o único livro na vida que eu não consegui terminar de ler... TODOS por mais que eu não gostasse muito eu me obriguei a chegar até o fim, mas esse não teve jeito... não consegui mesmo!!! Dai, pra ficar com menos peso da consciência, assisti a uma versão pro cinema... e tbm não gostei hehehe

Hummmm.... qt ao Thomas... ainda não escolhi um para o papel... vou pensar melhor no assunto e dai dou minha palavra final hahahahaha

E tbm adoro aquela versão da Disney de Os Três Mosqueteiros.... é a melhor!!!

Fefa Rodrigues disse...

Ahhh e acabei de dar uma olhada no Ben Barnes... gatissimo... sério candidato ao posto de Thomas de Hookton!!!

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Fefa!

Que bom! Mais uma que não aguentou as loucuras de Heathcliff...Sério, o que o povo vê nesse livro? A história é parada, não vai a lugar nenhum...Muito chato. Eu devia ter escutado a minha mãe e não ter lido. E sobre Ben Barnes...eu babo nele desde que vi pela primeira vbez Príncipe Caspian...Acho um ótimo candidato a Nick Hook. E eu lembrei depois, mas essa nova versão de Os Três Mosqueteiros tem o Orlando Bloom também;D

Beijos!

Nadia Viana disse...

Fiquei com muita vontade de ler. Também adoro Bernard Cornwell.
Um dos meus gatos se chama Merlin por causa das Crônicas de Artur. :)
Beijo.
Nadia

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Nádia!

Amei o nome do seu gato! Também amo o Merlin e uma das minhas frases prediletas é dele: o destino é inexorável. Adoro quando ele fala quer Derfel é absurdo:)
Leia Azincourt então, que você vai gostar. Nick Hook também é tudo de bom;D

Beijos,

Fernanda

Nerito disse...

Acho q a frase "o destino é inexorável" passou a ser meio q referência interna aos fãs de Cornwell. Tenho um amigo q sempre q papeamos sobre filosofias, concluímos assim.

Gostei muito, muito de Azincourt. Foi meio q minha cachaça em um natal terrível. Ganhei de presente de forma inesperada e passei uma madrugada lendo. Terminei no dia seguinte. É um dos poucos livros que gosto de ler... e ler... e ler...