sexta-feira, 25 de junho de 2010

Bento

 

Bento Uma noite começada como outra qualquer entra para a história da humanidade quando metade dos seres humanos adormece de forma inexplicável. Tratada como uma epidemia, a doença desencadeia um caos sem precedentes nas cidades do mundo. O pesadelo parece não ter fim quando os humanos, livres do sono, descobrem que estão dividindo a noite com demônios da escuridão.

Este mundo, novo e sombrio, é apresentado pelos olhos de Lucas, um homem que desperta neste tenebroso cenário e que se tornará, mesmo contra a vontade, um poderoso e venerado guerreiro, lutando contra os vampiros e liderando os humanos ao encontro dos quatro milagres que libertarão a Terra desta terrível maldição.

Até que enfim! Fazia tempo que eu não escrevia uma resenha, mas só agora terminei um livro para escrever uma. E o tal livro é Bento, de André Vianco.

Mais uma coisa inusitada aconteceu ao ler este livro. Bem, não exatamente este, mas o caso é que o primeiro livro que eu li de André Vianco foi O Vampiro-Rei. Eu só não sabia que O Vampiro-Rei era continuação de Bento. Então, claro, eu boiei no começo de Vampiro-Rei. Mas falo dele depois. Quanto a Bento, justamente por ter lido a continuação primeiro, eu li sob uma outra perspectiva. Eu já sabia o que ia acontecer. Mas isso não tirou nem um pouco o prazer de ler Bento.

Confesso que o começo é meio chato, e demora um pouco pra engrenar. A primeira cena que se desenrola é de Lucas acordando, e como ele ainda não sabe quem é, ou o que aconteceu com o mundo, é meio angustiante. O capítulo é muito bem escrito, e dá pra sentir toda a ansiedade e o medo do herói.

É que Lucas ainda não sabe, mas sua vinda foi profetizada, e que ele será o salvador da humanidade. E tenho que concordar: Lucas é o cara. Impulsivo e destemido, Lucas é um líder nato, só não sabia disso a princípio. Aos poucos, passa a se conformar e assume seu papel de salvador. Se Lucas tem um defeito é que ele pode ser muito fanático, e isso é meio irritante. Claro que ele tem que ser assim, mas ele também podia ter um pouco de senso de humor e não levar a vida de salvador tão a sério. Eu diria que falta um pouco de humanidade para ele. Quero dizer, o cara mais parece um robô, com aquelas baterias da Duracell. Ah, e também é santista (bom, melhor do que corintiano ou palmeirense).

Entre os bentos, o que eu mais gosto é Vicente. A princípio, Vicente não acredita em Lucas e passa o tempo todo ridicularizando o salvador. Até que Vicente presencia o que Lucas é capaz, e a partir daí, assume o papel de cão de guarda do trigésimo bento (esqueci de mencionar que Lucas é o cara porque é o trigésimo bento a despertar).

Mas se os bentos são legais, não são nada comparados aos vampiros. O meu preferido é Cantarzo, o vampirão líder dos noturnos. As interações de Cantarzo e seu lacaio Lúcio são hilárias. Lúcio é um humano que serve Cantarzo como escravo, esperando que ao fim de seu serviço e por sua lealdade, Cantarzo conceda a ele a vida eterna (como vampiro, claro). Só que Lúcio é muito atrapalhado, e Cantarzo não perdoa. Esculhamba mesmo o lacaio. Pena que a dupla só participa mesmo da primeira metade do livro (o por que, vocês tem que ler para descobrir).

Outro destaque é para Raquel, a temida vampira ruiva e caolha. Raquel também é uma espécie de líder entre os vampiros, e por isso, nutre um ódio mortal contra Cantarzo. Ela também tem seus lacaios, entre vampiros e humanos, e gosta de ser adulada. Durona e impiedosa, ela é responsável por alguns dos momentos mais tenebrosos do livro.

Entre seus lacaios está Anaquias, um vampiro trapalhão que acaba por ouvir a voz do vampiro-rei em sua cabeça, meio que por acidente. Anaquias vai ser o responsável pelo maior acontecimento do livro (de novo, para saber o que é, leiam). E é claro que Anaquias também vai despertar desavenças, que ficarão mais claras nos volumes seguintes.

Uma coisa que eu acho muito legal, é que, sendo de Osasco, André Vianco usa como cenários vários lugares de São Paulo que eu conheço muito bem, como a Teodoro Sampaio, a Marginal Pinheiros, o Parque Villa-Lobos e até a USP (que nos livros seguintes, aparece toda deserta e abandonada, após trinta anos de humanidade adormecida). Passo sempre por esses lugares, e frequentemente imagino as paisagens como André Vianco as descreve no livro: abandonadas e meio decadentes (claro que isso só ocorreu depois de eu ler os livros. Também não sou nenhuma doida que fica sonhando com o fim do mundo).

O livro tem ainda momentos assustadores e de prender a atenção do leitor, intermeadas por cenas de humor, como a cena do ataque iminente a Nova Luz, entre os dois soldados na torre de vigia (de novo, não vou contar, só vou dizer que envolve gás). E uma referência bem humorada a Caverna do Dragão, na minha opinião, o melhor desenho animado de todos os tempos.

A linguagem é informal, bem próxima da oral, o que deixa a leitura leve e faz com que o leitor se sinta próximo dos personagens. E o ritmo acelerado empolga. Só uma coisa me desagrada: por que é que André Vianco tinha que descrever os cachorros como selvagens? Ele explica que depois da Noite Maldita, as pessoas fugiram, deixando para trás seus pets, que se tornam agressivos e arredios. Que fique claro que se fosse comigo, não tem força no mundo que me faria abandonar meus au-aus (nem os miaus). Fora isso, eu diria que vale a pena ler o livro, bem como suas continuações.

Trilha sonora

Fear of the dark, do Iron Maiden (podia ser outra?). E ainda I believe in miracles, do Ramones (mencionada no livro) e Miracle, do Bon Jovi. E ainda, mais um a vez, minha preferido do Metallica, Enter Sandman. Apesar de o livro mencionar mais algumas, eu acho que elas não combinam (dá para imaginar Roberto Carlos como trilha sonora de filme de terror? Tudo bem que ouvir o cara é uma tortura, mas não chega a tanto. Muito menos Grand’hotel, do Kid Abelha, que eu adoro, mas não dá).

Curiosidade

Para quem não sabe (ou é muito novo), Caverna do Dragão era um desenho muito cultuado na década de oitenta, ou seja, durante a minha infância (eu até brincava de Caverna do Dragão). Contava a saga de seis jovens que foram parar numa outra dimensão (ou mundo, sei lá) após andarem numa montanha russa em um parque de diversões. A cada episódio, eles tinham que enfrentar muitos perigos, entre eles o Vingador, mago malvadão que queria porque queria suas armas mágicas (para ficar ainda mais poderoso, claro). Mas os garotos eram ajudados pelo Mestre dos Magos, que tinha mania de falar por meio de enigmas, mas sempre guiando seus discípulos ao caminho de casa.

O desenho não teve final, e muitas versões foram criadas, entre elas, uma muito famosa que circula na internet, que dizia que os meninos morreram e estavam no limbo, presos numa briga entre o Deus e o Diabo. Deus seria Diamate, o perigoso dragão de sete cabeças que era a única coisa que o Vingador temia. Este último seria a mesma pessoa que o Mestre dos Magos, que passava o tempo brincando com os garotos. O Diabo seria a Uni, a unicórnio de estimação de Bobby, justamente porque ela era a única coisa prendendo os meninos naquele mundo maluco. Mas eu, particularmente, não acredito nisso. Assisti, se não todos, quase todos os episódios, (na verdade, se puder, ainda assisto), e vi o Vingador lutar com o Mestre dos Magos mais de uma vez (coisa impossível se ambos forem a mesma pessoa), e tem um episódio que Bobby faz uma amiguinha cujos sonhos sempre se tornam realidade, e ela sonha que encontra com ele no nosso mundo. A verdade é que nunca saberemos qual o final, e acho que é por isso que o desenho ainda é sucesso entre o pessoal mais velho, que foi criança na década de oitenta.

Se você gostou de Bento, pode gostar também de:

  • O Vampiro-Rei 1 e 2 – André Vianco
  • Sétimo – André Vianco
  • Os Sete – André Vianco
  • Turno da Noite – André Vianco

6 comentários:

Ana Elisa disse...

Bento é um livro muito muito muito FODA!! daria um filmaço!! as continuações são muito boas tbm, embora não sejam tão dinamica qto bento, ou Os Sete/Setimo.

mas adooooro Andre Vianco, sou fãzaça. vale a pena! bjs

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Ana Elisa!

Concordo com você: Bento daria um filmaço! E, apesar de ter gostado das continuaçãoes, também acho que elas perdem um pouco se comparadas com Bento, principalmente a segunda.
Ainda não li nem Os Sete nem Sétimo, mas pretendo ler em breve.

Beijos e volte sempre!

Nerito disse...

Oi, Fê!

Fiquei curioso quando vi o link para um livro do Vianco e por isso dei uma lida. Na verdade, talvez depois do seu texto eu reveja minha visão sobre esse escritor, já que o primeiro e único livro que li dele, "O Caso Laura", não me agradou nem um pouco. Foi uma leitura tão "sofrida" que eu decidi abandonar o livro. E digo sofrida porque estava me forçando a continuar lendo, mesmo que a história e a linguagem não me estivessem agradando.

Bjo!

Nerito

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Nerito!

Esse eu não li, mas já vi que realmente não é dos melhores dele. Dizem que Os Sete e Sétimo são muito legais também, mas ainda não li. Uma amiga minha que adora ele disse que Turno da Noite também não é lá essas coisas. Mas esse e as sequências são bem legais.

Beijo!

Emilio Cesar disse...

Pra ser bem sincero A saga do Bento me decepcionou muito !!! não por não ter um final tão bom quanto o começo .... mas fica aquela ideia de que o autor vai escrever outro e isso é chato ... no livro Bento por si ja tem inicio , meio e fim .. o vampiro rei nos prepara... (enrola ) pra ter o segundo ... mais não convence ... tinha tudo pra ser legal ... mas ficou devendo final fraco sem a menor empolgação... não acreditei que terminou assim ... sem mais nem menos ... sem falar dos personagens que aparecem do nada e somem na mesma velocidade !! embora goste muito do Andre Vianco li o senhor da chuva , os sete e estou lendo setimo , pois os sete tambem não termina !!! rs rs rs rs Poxa André sei que vc precisa ganhar uma grana tudo bem mas pelo menos termine a Historia ... não existe coisa pior que assistir um filme que não acaba .... tipo ... e ai ??? acabô ??? rs rs rs mas recomendo ele escreve super bem só falta terminar !!! rs rs rs rs

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Emílio,

Concordo com você: o livro (a trilogia, na verdade) deixou um pouco a desejar, o final de Vampiro-Rei 2 é de matar, mas achei o desenvolvimento deste e do seguinte bem legais. Pena que o segundo perdeu muito. Mas Bento é o melhor deles.

Fernanda