quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

As Brumas de Avalon

THE_MISTS_OF_AVALON_1251846899P Publicado inicialmente em 1982, As Brumas de Avalon foi um sucesso retumbante e continua encantando leitores ao redor do mundo com a saga das mulheres por trás do lendário Rei Artur.
Ambientada no final do século V e início do século VI, a história nos remete a uma terra mágica, onde fadas, bruxas e magos coexistem com seres humanos  e por vezes interferem no decorrer da trama.
Trata-se do esforço desesperado dos povos celtas para preservar seus rituais, suas crenças e seu modo de vida contra o avanço avassalador do cristianismo.
Servindo como pano de fundo, esse cenário dá lugar a Artur e sua corte. A saga inicia-se antes de seu nascimento e estende-se por cerca de 40 anos, até seu final trágico, passando pela expulsão dos saxões da Bretanha e a demanda do Graal.
Uma história fascinante, contada com beleza e maestria, As Brumas de Avalon é um clássico da literatura e leitura obrigatória para todos os amantes das lendas arturianas.

Já perdi a conta de quantas vezes li esse livro. A primeira vez foi aos 12 anos e desde então sou apaixonada pela lenda arturiana e tudo que lhe diz respeito. Já li várias versões, mas esta é a segunda melhor e foi meu livro favorito durante muito tempo (perdeu lugar para As Crônicas de Artur de Bernard Cornwell, mas admito que fiquei com o coração partido ao reconhecer esse fato).
Ainda assim, é daqui o meu personagem preferido de todos (e olha que eu sou uma leitora ávida! Isso é dizer muito!). Estou falando, claro, de Morgana Le Fey. Tida como bruxa e vilã por muitos, Morgana é na verdade uma mulher forte, culta, que luta desesperadamente para manter viva sua cultura e sua crença. É ambiciosa e manipuladora, claro, mas é impossível não adorá-la, com sua alegria e seu jeito altivo de quem não liga para o que falem dela.
Oposta a Morgana está Gwenhwyfar (Guinevere na escrita original bretã), mulher de Artur e amante de Lancelote. É extremamente religiosa, beirando o fanatismo. Aparenta ser uma santa, mas mantém uma relação com Lancelote e, a certa altura, nem faz questão de manter segredo disso.Também é uma mestra manipuladora, apesar de não ser inteligente com Morgana, consegue tudo o que quer através de lágrimas e constantemente lembrando Artur de seus pecados. Amarga, ressente-se de todas as mulheres que têm filhos, devido a sua esterilidade.
Artur, por outro lado, é um homem fraco, que se deixa manipular por qualquer um, especialmente a mulher por sentir-se culpado pela esterilidade desta e por ter cometido incesto com Morgana na juventude. Porém, é amado por todos e é um rei justo e bom.
Destacam-se ainda Viviane, mentora e mãe-de-adoção de Morgana; Morgause,irmã de Viviane e tia invejosa e inescrupulosa de Artur e Morgana, é capaz de tudo para tornar-se Grande Rainha; Mordred, o filho de Artur e Morgana, jovem ardiloso, criado por Morgause e que irá desempenhar papel decisivo ao fim da narrativa; e, claro, Lancelote, o terceiro vértice do triângulo amoroso mais famoso da História.
Outro ponto de destaque, e, na minha opinião, a parte mais prazerosa de se ler, é a riqueza de detalhes com que os rituais pagãos, como Beltane, são descritos. É quase possível vivenciá-los e sentir a magia pulsando no ar.
Se Brumas tem um defeito é, talvez, ser muito glamouroso. Tudo parece ser lindo, limpo e, mesmo as cenas mais sangrentas parecem ser cheias de brilho. Também há uma imprecisão histórica, pois naquela época, ainda era permitido aos padres se casarem.
As Brumas de Avalon continua sendo um dos meus livros preferidos e, podem apostar que vou reler ainda muitas vezes. Se hoje sou fascinada por livros de fantasia e que tratem do sobrenatural, bem como romances históricos, com certeza é devido a este livro.

Trilha sonora

Sempre que escuto as músicas de Loreena McKennit, especialmente The Mummers Dance, que descreve os rituais nos bosques sagrados, me lembro deste livro. Também posso associá-lo às músicas instrumentais do The Corrs, como Lough Erin Shore e Old Hag.

Filme

A TNT transformou o livro em uma série, que acabou virando filme no DVD, mas este não faz justiça ao livro, nem de longe. A produção não é das melhores e, muita coisa ficou de fora, além de haver muitas diferenças, como a morte de Viviane (no livro é bem chocante). A melhor coisa no filme é a atriz Julianna Margulies (a enfermeira Carol de ER) no papel de Morgana. Originalmente, foi transmitido como uma minissérie de quatro horas, cada uma cobrindo um dos livros.

Nota histórica

Apesar de haver dúvidas sobre a existência de Artur, o momento histórico é real. Após os romanos saírem da Inglaterra (naquela altura Britânia), a ilha foi gradualmente invadida pelos povos anglo-saxões, até que em 495 AD na Batalha do Monte Badon, os bretões infligiram uma grande derrota aos anglo-saxões, que refreou em alguns anos a avançada destes sobre a Britânia. A invasão saxônica recomeçou durante o século VI.(Fonte: Wikipedia – History of England )

Se você gostou deste livro, também pode gostar de:

  • As Crônicas de Artur – Bernard Cornwell
  • As Colinas Ocas – Mary Stewart

6 comentários:

CMachado disse...

Ola Fê!!
Estou terminando o primeiro das brumas de Avalon!!
Estou amando a história do ponto de vista feminino.

Realmente, essas imprecisões históricas como os padres poderem se casar, a gente percebe e como vc disse o momento histórico é real e isso é muito legal...

Acredito que existiu um homem sim que ficou, mesmo depois de Roma ter se retirado a combater os bárbaros, para que eles não penetrassem.

As invasões, os povos no território
da bretanha me interessa muito o assunto, por isso, adquiri o primeiro livro das cronicas saxônicas do BC. Você já viu o lançamento do 6°livro??

Bjk
e boas leituras!

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Orquídea!

Não disse que eu conseguia ver?

Bom, o primeiro é o mais chatinho da série. mas é muito bom também. Por muito tempo este foi meu livro preferido. Mas daí eu li o do Bernard Cornwell...e achei As Crônicas de Artur melhor. Mas este ainda é um dos meuprs preferidos. Também acho interessante o ponto de vista feminino, e adoro a lenda toda, e nem preciso dizer o quanto eu adoro História, né? E esse é justamente o meu período preferido.

Beijos!

CMachado disse...

Fê,
quer dizer que o 1 é mais chatinho, eu estou gostando. Isso é muito interessante sobre gostos e a perspectiva que cada um vê as coisas. Já li que o 2 é mais chato por causa de uma personagem q fala muito sobre o cristianismo e moral e tals.

Sabe que num blog a menina detestou o Código explosivo do Ken Follett, as resenhas bem feitas e falando mal tb nos desperta curiosidade. Daí fui ler e gostei, ta certo que ainda não o li todo, mas achei interessante e prende...

Não é engraçado?
Bj

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Orquídea!

O primeiro é mais chatinho poque não tem muito da Morgana, na minha opinião. Mas eu também adoro. E o segundo tem um apersonagem mesmo que é muito chata, muito carola. E essa parte é chata mesmo. Mas como a MOrgana já cresceu, fica mais legal, e com cara de lenda de Artur.

Esse que você falou do Ken Follett eu ainda não li. Na verdade, não li nenhum dos livros de espionagem dele, mas já ouvi muitas coisas boas deles. Mas é bem o que você falou, gosto é bem esquisito mesmo, cada um acha uma coisa. O que importa é saber respeitar, né?

Beijos!

Consuelo Vecchiatti disse...

Amei seu blog, suas resenhas. Foi uma boa surpresa descobrir mais uma fã de MZB. Minha personagem preferida também é a Morgana, e li todos os livros da série Darkover, e todos da MZB que tive acesso. Sou fã de ficção histórica, atualmente tbém viciada em Game of Thrones. Parabéns por seus textos, sua clareza de idéias. Só não me identifiquei com sua preferência pelo Bernard Cornwell. Tinha muitas expectativas, mas achei cruel demais. As Brumas sempre serão imbatíveis.

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Consuelo!

Obrigada!

Adoro Marion, é uma das minhas autoras preferidas ainda. Quando li pela primeira vez As Crônicas de Artur, do Cornwell, eu também levei o maior choque. Mas gostei mais do modo cru que ele escreve, sem floreios. E alguns personagens dele eu acho mais bem construidos. Adoro também senso de humor refinado dele.
Mas sempre vou amar As Brumas também! :)

Beijos e volte sempre! Seja muito bem-vinda!

Fernanda