terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O filho de Netuno – Os Heróis do Olimpo 2 – Rick Riordan

 

Son of Neptune Percy está confuso. Quando ele acordou de seu longo sono. ele não sabia muito mais que seu nome. De alguma forma, ele conseguiu chegar a um acampamento para meio-sangues, mas ele não parece familiar. A única coisa de que ele consegue se lembrar de seu passado é outro nome: Annabeth.

Hazel deveria estar morta. Quando ela viveu, ela não viveu realmente. Agora, por causa de um erro que ela cometeu naquela época, o futuro do mundo está em risco. Hazel queria fugir de tudo isso no cavalo que aparece em seus sonhos.

Frank é desastrado. Sua avó diz que ele descende de heróis, mas ele não acredita. Seu físico avantajado o faz se sentir como um touro, especialmente em frente de Hazel, sua melhor amiga. Ele confia nela completamente – suficientemente para compartilhar o segredo que ele guarda mais próximo do coração.

Começando no “outro” acampamento e se estendendo até a terra além dos deuses, este segundo volume da série Os Heróis do Olimpo introduz novos semideuses, revive monstros pavorosos, e apresenta novas criaturas formidáveis, todos destinados a fazer parte da Profecia dos Sete.

ATENÇÃO! SPOILERS SE VOCÊ NÃO LEU A SÉRIE PERCY JACKSON E O HERÓI PERDIDO!

Este começa uns seis meses depois do final de O Herói Perdido. Percy está na encosta de uma colina fugindo de duas górgonas. E esta é prova que ele precisa passar para provar que pode fazer parte do Acampamento Júpiter, como Jason previu no final do anterior. Só que ele não se lembra de nada, a não ser seu nome e do de Annabeth, e do fato que ela é sua namorada (pausa para o own!). Mas sua amnésia não é tão séria como a de Jason, ele sabe que é semideus, e que fica mais forte perto da água. Até sabe que água salgada é melhor. Fora isso, ele luta por puro instinto. E quer a todo custo chegar ao acampamento, para recuperar sua memória. Só que ao chegar, ele não reconhece o lugar, nem as pessoas a seu redor. E ainda tem que enfrentar a desconfiança dos meio-sangues romanos. Só depois de muita conversa ele consegue uma medalha de probatio, que quer dizer que ela ainda está em período de teste.

Aos poucos, sua memória vai voltando, em flashes. Como quando ele vê a Profecia dos Sete (a que Rachel fez), e lembra de que já conhece a tal. Ou quando ele depara com Ares (ops, Marte) pela primeira vez no acampamento. Que é hilário, aliás:

“- Você é o deus da guerra – disse Percy – você não quer carnificina sem fim?

Os óculos infra-vermelho de Marte brilharam ainda mais.

- Insolente, não é? Talvez eu tenha brigado mesmo com você antes. Eu posso entender porque eu gostaria de te matar.” (p. 147)

Apesar de desmemoriado, ele está mais maduro que nos outros. Ele tem consciência do seu poder. E sabe que a profecia se refere a ele de alguma forma. E, como diz acima, ele lembra muito bem do significado que Annabeth tem para ele. Até faz planos para o futuro com ela (nova pausa para own!). Mas ele se sente deslocado, sabe que aquele não é o seu lugar. O que não importa, porque no fim das contas, Percy luta pelo Acampamento Júpiter como se lutasse pelo Acampamento Meio-Sangue. E, sendo Percy filho de quem é (além de enfrentar a desconfiança dos romanos por ser grego, descobre que os romanos também não são lá muito fãs do seu papi), e com os poderes que tem, Percy se dá conta logo que apresenta um problema para a política do Acampamento (logo falo desse outro acampamento), gerando um certo desequilíbrio.

Marte aparece no acampamento justamente para passar a missão que Percy tem que levar a cabo. Tanatos, o deus da Morte (Hades é o senhor do Submundo, mas a Morte mesmo é Tanatos), foi capturado por Alcyoneus, um dos gigantes a serviço de Gaia. E é por isso que os monstros não morrem, e outros personagens que deveriam estar no Tártaro, voltaram à vida (lembra que eu falei para guardar essa informação no primeiro?).

Mas Percy não está sozinho nessa jornada. Um dos que o acompanham é Frank, o desengonçado semideus que ainda não foi reconhecido por seu pai (não vou dizer quem o pai dele, vou manter a surpresa. O que não significa que não vou dar dicas!). Frank é grandalhão, mas com cara de bebê, apesar dos seus 16 anos. É inseguro e tem medo de tudo. E não é para menos. Sua mãe morreu algumas semanas antes de ele ir para o acampamento, no Afeganistão, na guerra (já adivinhou? Não? Então tenha paciência e leia o livro), uma oficial que sabe de suas responsabilidades. Mas antes de morrer, ela deixou com a avó de Frank, uma chino-canadense linha dura (sério, de ve ser descendente de Mao-Tsé Tung) uma especial de profecia que Juno (aquela flor de deusa conhecida também por Hera) de que sua vida seria brilhante e fugaz. Ele morre quando um tal pedaço de lenha se queimar por completo. Então, não é de se espantar que ele tenha muito cuidado com suas ações. E ele ainda tem mais um dom de família, que ele não sabe bem o que é, mas que será essencial para a Profecia. Mas ao longo do livro, Frank amadurece, e prova ser mesmo filho de quem é. Mais ou menos como Neville Longbottom.

Completando o trio está Hazel, uma menina de 13 anos que deveria estar morta, mas não está (só por isso já dá para imaginar quem é seu pai, não?). Ela não faz parte dos que escaparam depois do aprisionamento de Tanatos, é outra coisa. Hazel guarda um segredo terrível. Ela é de outra época (parece com alguém que vocês conhecem? Um outro semideus, filho de um dos Big 3?), e estranha um pouco as coisas. E nessa outra época ela, para ajudar a mãe, uma espécie de bruxa de Nova Orleans (o que quer dizer que ela mexia com vodu), acaba cometendo um erro grave, que acaba por levar aos acontecimentos de agora. Hazel é madura para a idade, destemida (seu único medo é descobrirem seu segredo) e tem iniciativa. Ela também muda durante o livro, amadurece um pouco mais.

Os três se dão bem logo no início, com uma ligação parecida com a que Percy tem com Grover e Annabeth, apesar de não tão forte. mas a cumplicidade, por serem todos os três menosprezados no acampamento, e a necessidade de colaborarem os faz bons amigos. A tal ponto de um perceber o que se passa na cabeça do outro, e até prever um curso de ação, sem estabelecer antes.

Ah! Quase me esqueço do Acampamento. Ele é bem diferente do Acampamento Meio-Sangue (sinceramente, prefiro este último. Parece mais divertido). Como na Roma antiga, ele tem Senado, o exército é todo organizado, os chalés (que aqui tem outro nome) não são divididos de acordo com os deuses, mas igualmente preenchidos numericamente. Há uma hierarquia a ser seguida os pretores são quem manda, e é exatamente esse balanço que a presença de Percy ameaça. Jason é pretor aqui, mas está no outro, lembra?) eleições e um período obrigatório de serviço. Mas também tem mais coisas a oferecer, como moradia permanente, onde até descendentes de semideuses podem morar depois do serviço, com faculdade e tudo. E é exatamente isso que faz Percy começar a pensar no futuro, como seria.

E provavelmente por conhecer bem Percy, tenho a impressão, depois de ler este segundo, que esta série é mais madura que Percy Jackson e os Olimpianos. Só cheguei a essa conclusão agora porque, como disse, conheço Percy. No primeiro, quem aparece mais é Annabeth, mas ela não é o foco. Como no primeiro, este tem três pontos de vista: de Percy, de Hazel e de Frank. E como Percy é um dos focos deste, dá para notar esta diferença. Não de forma negativa, pelo contrário. Como Harry Potter, dá para notar um amadurecimento natural, no ritmo dos personagens. Neste série, eles estão mais velhos (Hazel é a mais nova). E a trama também está mais complexa. O que torna o livro bem mais interessante (não me leve a mal, eu AMO a série Percy Jackson de coração!). O que meio que vai de encontro com as declarações do próprio Rick Riordan no blog dele Myth & Mystery, que é bem legal, aliás. Lá dá para acompanhar as novidades, o que ele anda fazendo, até as viagens em família dele. Só que para ele, os livro dele são infanto-juvenis. Tudo bem, são mesmo, mas agradam todo mundo, e apesar do que ele diz aqui, eu pelo menos notei essa diferença.

De qualquer modo, este segue a mesma fórmula dos outros, ritmo acelerado (de novo, eu li em 3, 4 dias), muito bom humor, como por exemplo, as placas de direções no Acampamento Júpiter: BERKELEY 5 MILHAS; NOVA ROMA 1 MILHA; VELHA ROMA 7280 MILHAS; HADES 2310 MILHAS (apontando diretamente para baixo); RENO 208 MILHAS, e MORTE CERTA: VOCÊ ESTÁ AQUI (p.32. Desculpa pessoal, não sei a conversão para km). E romance, aventura e mistério na medida certa.

Trilha sonora

Em primeiro lugar, Stand my ground, do Within Temptation é uma boa pedida. Especialmente para Frank, Clumsy, do Our Lady Peace. Para Hazel, What I've done, do Linkin Park e From Hell, do We are the fallen (e agora que eu percebi que ela também serve para Leo, de O Herói Perdido). Para Percy, Disarray, do Lifehouse e Here without you, do 3 Doors Down. E mais genéricas Walk on, do U2 e Head over heels (in this life), do Switchfoot.

Nota Cultural

Periclymenus, o ancestral de Frank, era um dos Argonautas, ou seja, um dos tripulantes do Argo, o navio de Jasão (aquele que roubou o Velocino de Ouro, com ajuda de Medéia). Ele era filho de Poseidon (sim, parente de Percy também) e tinha o poder de mudar de forma. Podia assumir a forma de vários animais. Ele foi morto por Heracles, em Pilos, apesar de tentar fugir com a forma de uma águia. Também há um Periclymenus entre os pretendentes de Penélope, a esposa de Ulisses (Odisseu), na Odisséia. (Fonte: Periclymenus – Wikipedia).

Se você gostou de O filho de Netuno, pode gostar também de:

  • coleção Percy Jackson e os Olimpianos – Rick Riordan;
  • As Crônicas dos Kane – Rick Riordan;
  • O Herói Perdido – Rick Riordan;
  • Tequila Vermelha – Rick Riordan;
  • coleção Harry Poytter – J. K. Rowling;
  • Ciclo A Herança – Christopher Paolini;
  • O Senhor dos Anéis – J. R. R. Tolkien;
  • As Crônicas de Nárnia – C. S. Lewis

domingo, 8 de janeiro de 2012

Imortais

 

immortals Louca que sou por mitologia e por Henry Cavill (oh aqui em casa…), não podia deixar de assistir Imortais. E, se o filme deixou a desejar de um lado, do outro, não podia fazer melhor.

A história gira em torno de Teseu, um mortal filho de uma escrava e bastardo ainda por cima (aí já errou feio. Teseu era filho de Egeu, rei de Atenas, e de Edra, filha do rei de Trézen, então não era plebeu muito menos bastardo). Ele vive pacificamente com sua mãe, enfrentando o preconceito do povo do local, até que o Rei Hyperion (Mickey Rourke, ainda mais horroroso que o normal e canastrão pra burro), tomado pela dor pela perda da mulher, resolve que vai começar uma verdadeira carnificina na Grécia atrás do Arco de sei lá quem, uma arma que colocará um fim na humanidade. Acaba recaindo sobre Teseu a tarefa de impedir que o rei consiga o tal arco, pois ele é favorecido por Zeus (que já tinha decretado que os deuses não deveriam interferir nos negócios humanos. O que não impede ele próprio e Atena de fazerem isso). Há muito mais da história de Teseu (ele que derrotou o Minotauro, lembra? Até incluíram uma versão mais estilizada disso no filme, mas nada a ver com a mitologia. Para saber mais, clique aqui).

Outra coisa é que o tal arco liberta os Titãs de sua prisão no Tártaro. E mais uma incongruência: ao invés de apenas 12, como diz a mitologia, havia milhares deles. Tudo bem, quer modificar, sem problemas, mas pelo menos fica perto do certo. 12 Titãs já são problema suficiente. Sem contar que, apesar de o filme se chamar Imortais, logo a primeira fala entrega que esses tais imortais encontraram um jeito de matar uns aos outros. Faça-me o favor! Citando a Hermione: imortal significa que você não morre! Então como pode isso!? Ridículo.

E o maior crime de todos. E já vou entregar o final: os Titãs matam Poseidon, Ares e Hélios (que não é um Olimpiano, mas está no Olimpo do filme). Coitadinhos de Percy e Clarisse (e mais um personagem da série, mas vocês só vão saber quem na resenha de The Son of Neptune, que sai em alguns dias). Todos órfãos! E mais um feito: como se mata um deus? Só no filme mesmo.

teseu Mas, se em termos de história, o filme é fraco demais, por outro lado, é beeeeem satisfatório. Teseu até pode ser filho de rei, ou de escrava, tanto faz. Mas Henry Cavill com certeza é filho e Afrodite ou Apolo. Fala sério, vem ser gostoso assim aqui em casa! E ele não está sozinho. Também dá pra se deliciar com Stephen Dorff, que não muda nada desde que fez o vampirão do mal em Blade (o primeiro, o único bom) ou o namorado de Alicia Silverstone no clipe de Crying, do Aerosmith (repara no carinha que rouba a bolsa dela e depois leva uma surra: Josh Holloway!) e aqui faz Stavros. Ele é tudo de bom também, mas Teseu é o cara. Se Chuck Norris vivesse na Antiguidade, levaria um surra de Teseu. Nesse quesito, o figurino ajuda muito. E para os leitores do sexo masculino, não se preocupem. Fedra, a mulher de Teseu (na mitologia. No filme ela é oráculo, e tem que ficar pura, mas não resiste – e dá pra culpá-la?) e Atena também tem um figurino bem revelador. E como diz minha amiga Mari, que foi assistir comigo, não vou ao cinema pra ver gente feia ;D.

stavros

Em termos de ação, o filme vale a pena. E quando eu disse carnificina, eu não estava brincando. É sangue pra todo lado. O que não é problema nenhum para quem está acostumada a ler Bernard Cornwell e George R. R. Martin. Pra mim, até que não foi tão sangrento.  Se você gosta de ação, então com certeza vai gostar do filme. E, tirando as inúmeras licenças artísticas, o filme é bom entretenimento. Aí vai o trailer:

 

Beijos e até o próximo post!

Missão: Impossível – Protocolo Fantasma

 

MI Protocolo Fantasma Eu adoro os filmes da série Missão: Impossível, então claro, tinha que ver Missão: Impossível – Protocolo Fantasma. Já faz uns dias que fui ver, mas só agora me veio a inspiração para escrever. Acho que foi porque assisti o primeiro de novo.

Desta vez, a IMF fechou ao ser implicada num ataque ao Kremlin, e Ethan Hunt, com um novo time, agora tem que agir na clandestinidade para limpar a barra da IMF. Como nas continuações, este tem mais ação e a trama é mais complexa. Mas, como os outros, bom, impossível. Não me entendam mal, eu adorei o filme, mas algumas coisas simplesmente não fazem sentido. Apesar de impossível (como ficar pendurado no Burj, o hotel mais alto do mundo, pelo lado de fora, a 130 andares de altura – fala sério!), nada se compara a encontrar uma pistola enterrada na areia no final do segundo (sempre que assisto fico observando para ver se Dougray Scott ou Tom Cruise derrubam as suas respectivas armas, mas não. Ethan simplesmente acha uma arma na areia. Então tá). E, meninas, falando sério, com Tom Cruise, tudo fica ótimo, né?

ethan hunt

E nesse filme ele não deixa a desejar. Lindo, saradaço e realizando as mais absurdas proezas imagináveis (como a que eu mencionei aí em cima). Só ele já vale o ingresso. Mas ainda tem a participação de Josh Holloway (o delicioso Sawyer de Lost. Rende ser amigo de J J Abraams, produtor do filme e da série) como um espião da IMF que infelizmente morre logo no começo (não sem antes realizar a proeza de atirar em um carinha enquanto está caindo de um prédio). E também Jeremy Renner (o Gamble de SWAT, o ex-parceiro de Colin Farrell), no papel de William Brandt, um consultor da IMF, que na verdade é muito mais do que aparenta. E também rendeu para ele. Ele vai participar de The Avengers e Bounre Legacy.

Mas quem rouba a cena mesmo é Simon Pegg (o Scotty de Star Trek, a versão de J J Abraams e também a voz de Reepicheep em Nárnia 3) na pele de Benji Dunn. Ele é daqueles caras que ficam nos bastidores coordenando as operações, mas é louquinho para sair a campo.

O filme é cheio de reviravoltas e surpresas, como os outros, mas também é bem legal ver os caras se virando quando seus recursos falham. A fotografia também é linda, com o Kremlin e a Igreja Ortodoxa Russa, Dubai, etc.Como entretenimento, é uma ótima opção. E aí vai o trailer:

 

Beijos e até o próximo post!

sábado, 7 de janeiro de 2012

Dia do Leitor

 

Rapidinho só para parabenizar a todos nós, leitores, pelo nosso dia.

disney Narnia HP

Tudo bem, não assisto Glee, e apesar de ter livro, é na verdade uma série de TV, mas gosto da frase. E como a maioria é sobre livros,  e coisas que eu aprendi nos livros também, então é válido. Assim, mais uma vez:

parabéns

Muitas leituras e viagens maravilhosas!

gato leitor

Beijos e até o próximo post!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O herói perdido – Os Heróis do Olimpo 1 – Rick Riordan

 

Lost Hero Jason tem um problema. Ele não se lembra de nada antes de acordar em um ônibus escolar cheio de garotos em uma excursão. Aparentemente ele tem uma namorada chamada Piper, e seu melhor amigo é um cara chamado Leo. Eles são estudantes na Wilderness School, um colégio interno para “maus garotos”, como diz Leo. O que Jason fez para acabar aqui? E onde É aqui, exatamente? Jason não sabe de nada – exceto que tudo parece errado.

Piper tem um segredo. Seu pai, um famoso ator, está desaparecido há 3 dias, desde que ela teve aquele pesadelo assustador sobre ele estar em apuros. Piper não entende o seu sonho, ou porque seu namorado de repente não a reconhece. Quando uma tempestade esquisita acontece durante sua excursão, libertando criaturas estranhas e enviando ela, Jason e Leo para um lugar chamado Acampamento Meio-Sangue, ela tem o pressentimento que irá descobrir, quer ela queira ou não.

Leo tem jeito com ferramentas. Quando ele vê o seu chalé no Acampamento Meio-Sangue, cheio de ferramentas elétricas e pedaços de máquinas, ele se sente em casa. Mas tem uma coisa estranha, também – como a maldição da qual todos ficam falando, e algum campista que está desaparecido. O mais estranho de tudo, seus colegas de chalé insistem que cada um deles – incluindo Leo – tem parentesco com um deus. Será que isso tem a ver com a amnésia de Jason, ou o fato de Leo ver fantasmas?

ATENÇÃO! SPOILERS SE VOCÊ NÃO LEU A SÉRIE PERCY JACKSON E OS OLIMPIANOS!

Não é que seja uma requerimento, mas eu recomendo que você leia antes a série Percy Jackson, porque ela tem relação com essa. E só darei os spoilers necessários para entender a história aqui. Dito isto, vamos lá.

Este livro começa alguns meses depois da derrota de Kronos em Manhattan e da primeira profecia que Rachel fez como oráculo. Percy está desaparecido e Annabeth parte a sua procura (pausa para own!). Além disso, os deuses estão calados, o Olimpo está fechado e toda comunicação entre os deuses e seus filhos está proibida por ordem de Zeus e Hera está desaparecida, aprisionada em algum lugar. E é nessa situação que ela encontra Jason, Piper e Leo. Os três estavam em uma excursão escolar que, claro, no mundo dos semi-deuses, só podia dar errado, e Annabeth os leva para o Acampamento Meio-Sangue, pois pensava se tratar de uma pista de Percy. Só tem alguns probleminhas com esses novos semi-deuses: eles não sabem que são filhos de deuses. E uma boa diversão, para mim pelo menos, foi tentar adivinhar quem era filho de quem (e aí, já adivinhou quem é o pai de Leo pela sinopse? Se não, aguenta um pouquinho aí).

Jason é o pior, porque não lembra nem quem é. Mas ele acaba fazendo algumas coisas, com naturalidade, como se já tivesse feito isso antes, só que ele não tem ideia de como consegue. Ele só sabe que há algo errado, que ele não poderia estar no Acampamento. E o que querem dizer aquelas tatuagens nos seus braços – SPQR e uma águia? E por que ele só lembra dos nomes romanos dos deuses e fala latim? Mas de alguma forma ele sabe que a chave para recuperar sua memória é partir numa busca com os outros dois. E ele sabe que de alguma forma, a profecia de Rachel tem algo a ver com ele.

Até por ter amnésia, Jason é o mais quieto dos três, o mais inquisitivo. E mesmo com dúvidas, ele não pensa duas vezes para defender seus amigos. Ela também é impulsivo e faz muita coisa por instinto, como controlar o vento e chamar um raio (e aí? Adivinhou? Zeus, claro. Ou melhor, Júpiter,como ele o conhece). Mas ele também é inteligente, e saca muita coisa bem antes de todo mundo.

Piper, sua mais-ou-menos namorada é linda (já adivinhou quem é a mãe dela?) e tem o dom de encantar as pessoas, e persuadir até que alguém dê uma BMW para ela. Tudo na lábia. Ela não é de frescura e faz qualquer coisa para chamar a atenção de seu pai, que passa muito tempo longe e trabalhando. Ela passa boa parte do livro dividida entre salvar seu pai e para isso terá que trair seus amigos. E ainda confusa pela situação com Jason, depois de descobrir que seu namoro não passou de um truque da Névoa. De um jeito, ela lembra muito Annabeth. E ela também é a que mais muda durante o livro. De insegura e tímida, ela passa a poderosa e influente. E mostra que mesmo sendo filha de Afrodite, pode ser uma lutadora fantástica.

Leo é o mais relaxado do trio. Como o Chandler de Friends, ele usa o humor como válvula de escape, e sempre faz uma piadinha. Nem sempre muito feliz, é verdade, e às vezes no momento errado. É expansivo e irrequieto, sempre mexendo com alguma coisa, construindo algo. O que é bom para um filho de Hefesto. E logo que chega no chalé 9, sabe que tem um lugar importante para preencher: Charlie Beckendorff. Só que depois da morte de Charlie (antes até), o chalé sofre com uma maldição: nada que eles constroem dá certo e os campistas de Hefesto sempre estão machucados. E Leo ainda tem um poder secreto, que é invocar o fogo, mas isso ele só revela aos outros mais tarde. Ela se sente muito só depois da morte de sua mãe, sob circunstâncias suspeitas (ele é semi-deus, né? Tinha que ser) e nenhum dos parentes o quer em casa. Ele então passa de um lar adotivo para outro, até chegar à tal Wilderness School e conhecer Jason e Piper.

Os três então se juntam e partem para a sua busca. Com Kronos derrotados, agora uma nova ameaça está surgindo. Gaia (já falei dela na resenha de A Maldição do Titã, mas volto a falar dela no final), a Mãe Terra e mãe de todos os deuses está acordando e com ela vem vindo os gigantes, liderados por Porphyrion. Claro que se eles acordarem o mundo vai acabar, blábláblá whiskas sachê (Lu, peguei essa com você). E eles só tem até o Solstício de Inverno (no hemisfério norte) para isso. Óbvio que esse dia está logo ali, e eles tem que correr para impedir mais um fim do mundo.

Só que os planos dos Titãs e dos deuses por trás disso vão mais além, e Hera, aquela graça de pessoa (ops! Deusa), faz uma aposta arriscada e é aí que Jason e o desaparecimento de Percy entram na jogada. Mas mais que isso já é dar spoiler demais.

E ajudando os três nesta jornada está Gleeson Hedge, um sátiro aposentado (forçado) que não bate lá muito bem da cachola. O cara se disfarça de treinador na escola onde os três estão e depois que sua identidade é revelada só o que ele quer é matar. Mas o latido (ops, balido) do homem-bode é pior que a mordida e está aí o motivo da aposentadoria. Ainda assim ele vai ter um papel importante no final.

A narração é dividida entre os três principais, o que é bem legal. E, como sempre, o ritmo é acelerado. Eu li bem rápido (acho que uns 4 dias, mas considere que li a versão americana, com mais de 500 paginas) e bem-humorada, sempre com uma brincadeira ou comentário sarcástico ou uma tirada inteligente. Uma pena é que os deuses quase não participam (eles estão incomunicáveis, lembra?), mas ainda assim eles dão um jeito. Hefesto aparece em sonho para Leo e Afrodite também aparece num sonho de Piper (fazendo compras, óbvio, mas muito divertido).

Quem aparece são outros deuses menores, como Boreas, o deus do vento norte, Khione, sua filha e deusa da neve (cuidado com ela), Éolo, o deus do vento (engraçadíssimo, aliás) e alguns monstros, como Ciclopes (mas esses não são fofos como Tyson), e alguns mortais que desafiaram os deuses, como Medeia. O problema é que abriram os portões do Tártaro, e os monstros não conseguem ficar mortos. Sempre reaparecem. Isso vai ser importante também no segundo (que eu já comecei, e também é bem legal).

Nota CulturalJá contei como Gaia enganou Urano e como surgiram os 12 Olimpianos. Bom, neste livro a história é outra. Depois da derrota dos Titãs pelos Olimpianos, Gaia, desgostosa com o resultado, criou os gigantes, e os fez atacar o Olimpo. Mas esses gigantes, folhos de Gaia com Urano, não poderiam ser derrotados somente pelos deuses. Zeus então chamou Héracles, que derrotou os gigantes. Depois disso foi que Gaia mandou Tifão para atacar o Olimpo, como relatado em O Último Olimpiano. (Fonte: Gaia – Wikipedia).

Trilha sonora

Para começar, Collision of Worlds, do Robbie Williams (que eu AMO) com Brad Paisley. Adoro a brincadeira do inglês americano com o britânico (da trilha de Carros 2, que por sinal é ótima como a do primeiro). Ainda Two worlds, do Phil Colins (essa da trilha de Tarzan, que também é maravilhosa) e para quem leu, vai entender porque ela está aqui. Welcome to my life, do Simple Plan é prefeita para Jason. Ice Queen, do Within Temptation é para Khione. Para Piper, What I've done, do Linkin Park. E This is home não se aplica somente a Nárnia. Também é boa para Leo. E essa tem até o nome de um personagem que faz uma participação, Midas: Faust, Midas and myself, também do Switchfoot. Ainda deles, mas mais genérica, Awakening. E finalmente Collide, do Howie Day e  Wrong, do Depeche Mode.

Se você gostou de O Herói Perdido, pode gostar também de:

  • Percy Jackson e os Olimpianos – Rick Riordan;
  • As Crônicas dos Kane – Rick Riordan;
  • Tequila vermelha – Rick Riordan;
  • coleção Harry Potter – J. K. Rowling;
  • Os Arquivos Semideus – Rick riordan;
  • Os contos de Beedle, o Bardo – J. K. Rowling;
  • Ciclo A Herança – Christopher Paolini

Aniversário!

 

ursinho gliter Mais um ano se passou! E, hoje estou completando 2 anos aqui com vocês! Muitíssimo obrigada a você leitor, pois sem vocês isso não funciona. Em especial, gostaria de agradecer a Fefa, o Vitor, o Nerito, a Luana, a Kath e a Gabi, que além de leitores, se tornaram amigos.

Também aproveito para desejar um Feliz Aniversário para o meu pai, que faz aniversário hoje também e que me influenciou e apoiou para eu começar o blog. Pai, te amo muito e obrigada por tudo!

Mais uma vez, obrigada por ficar comigo esses dois anos, e espero continuar por muito mais tempo! E para você que está chegando por aqui agora, seja muito bem vindo e volte sempre! E espero que ano que vem vocês aina estejam por aqui também!

gatinho aniversário

Beijos e até o próximo post!

domingo, 1 de janeiro de 2012

O jogo do Anjo – Carlos Ruiz Zafón

 

Jogo anjo Aos 28 anos, desiludido no amor e na vida profissional e gravemente doente, o escritor David vive sozinho num casarão em ruínas. É quando surge em sua vida Andreas Corelli, um estrangeiro que se diz editor de livros. Sua origem exata é um mistério, mas sua fala é suave e sedutora. Ele promete a David muito dinheiro e sua simples aparição parece devolver a saúde ao escritor. Contudo, o que ele pede em troca não é pouco. E o preço real dessa encomenda é o que David precisará descobrir.
Em O Jogo do Anjo, o catalão Carlos Ruiz Zafón explora novamente a Barcelona do início do século XX, cenário de seu grande êxito internacional A Sombra do Vento, que vendeu mais de 10 milhões de exemplares em todo o mundo. Lançado este ano na Espanha, O Jogo do Anjo já ultrapassou a marca de um milhão de exemplares vendidos.

Quem me acompanha há algum tempo sabe que eu amei A Sombra do Vento, e por isso mesmo eu estava com O jogo do Anjo na estante, só esperando para ser lido. E, para dar um tempo na fantasia, depois de ler o Ciclo A Herança, Ahmnat e Filhos do Éden - Herdeiros de Atlântida, resolvi ler esse. Apesar de ter elementos fantásticos, eu não considero a mesma coisa.

O jogo do Anjo nos leva de volta a Barcelona (ai, agora me deu mais vontade ainda de conhecer essa cidade!), mas aproximadamente 20 anos antes de A Sombra do Vento, Ainda assim, passamos por lugares conhecidos, como a Livraria Sempere e Filhos e o Cemitério dos Livros Esquecidos (quer apostar que quando eu for para Barcelona eu vou querer encontrar esses dois lugares, mesmo sendo de mentira?). E nosso guia nesta viagem é David Martín, um jovem escritor de 28 anos com a saúde tão ruim que com essa idade já se encontra à beira da morte. E é nessa hora que aparece um tal de Andreas Corelli, um editor francês que encomenda a David um livro que irá mudar o mundo.

David é um solitário, sempre carrancudo, mas com humor sarcástico (alguém aí pensou em Dr. Gregory House?) e é um escritor brilhante. Quando era bem pequeno, David testemunhou o assassinato do pai, em frente ao trabalho, com um tiro. A partir daí, David tem que se virar sozinho, e com certeza essa fato contribuiu para seu isolamento, e uma indiferença quanto a tudo o que se passa ao seu redor. Ele só muda isso quando entra em cena Cristina, a filha do motorista de Pedro Vidal, o dono do jornal onde ele trabalhava La Voz de la Industria, e um dos poucos amigos que David tem.

Vidal é um típico playboy que se diz escritor, mas na verdade não tem talento nenhum. Viva mais do sustento proveniente do pai, e tem uma verdadeira paixão por carros. Não aparece muito, mas parece ser superficial e é do tipo que gosta de manter o controle sobre os que se acham inferiores a ele, simplesmente pelo prazer de exercer seu poder. Mas ele vai ser importante na história e David em mais de uma ocasião.

Cristina é a cara-metade de David. Ela é igualzinha a ele, também sofreu um trauma na infância (sua mãe morreu, ou foi embora, não lembro, e também não vem ao caso, não é importante). Ela também ama David, mas como ele, nega o sentimento e se isola. Acho ela um tanto apática, ainda mais que David, e uma maníaca-depressiva de primeira.

O raio de luz do livro vem de Isabella, uma jovem de 17 anos que cai meio de pára-quedas na vida de David. Ela é a personagem mais viva do livro, sem papas na língua e mania de arrumação que beira o TOC (transtorno obsessivo-compulsivo, não o blog da Luciana). Isabella é uma escritora em potencial, e sua desculpa para aturar David é exatamente essa: quer aprender com ele.

Não poderia deixar de mencionar também o Sr. Sempere, no caso, o avô de Daniel, de Sombra, um senhor de idade e acolhedor, parece mesmo um vovozinho bem fofinho. E seu filho também aparece, mas pouco, pois o cara é de uma timidez quase patológica. Mas parece bem sereno, um homem equilibrado e observador.

Já o tal Andreas Corelli é um mistério. Rico e aparentemente influente, não revela nada de seu passado ou de quem é realmente. Tem uma visão bem filosófica do mundo, e oferece várias pérolas de sabedoria ao longo do livro, como:

O silêncio faz com que até os idiotas pareçam sábios por um minuto. (p. 161).

Mas também é um homem assustador, daqueles que sempre conseguem o que querem, de um jeito ou de outro. Ele parece aqueles mafiosos italianos dos filmes.

Há ainda mais um personagem que preciso destacar. Trata-se da casa em que David mora, a casa da torre. A tal casa sempre exerceu uma fascinação sobre David, até que ele consegue dinheiro suficiente para alugar o imóvel. Ela esconde um mistério, que vai se entrelaçar à vida de David.

O livro tem aquele mesmo ar sombrio de A Sombra do Vento, mas revela o mesmo respeito pelos livros e pelo ato de escrever. O suspense é evolvente e a gente sempre quer saber mais do passado. Como em Sombra, há uma história dentro de outra neste, e sempre aquele ar de sobrenatural e até mágico. Eu ainda prefiro A Sombra do Vento, mas este não fica atrás. É uma leitura fascinante e prazerosa. Recomendadíssimo.

Trilha sonora

Para começar, uma música que eu amo, e que se aplica direitinho, Epitáfio, do Titãs. Ainda Storm e It is what it is, do Lifehouse, Eleanor Rigby, dos Beatles, Give up giving in da Amanda Marshall, Giving up on you, da Lara Fabian e The sweet hello the sad goodbye, do Roxette.

Se você gostou de O jogo do Anjo, pode gostar também de:

  • A Sombra do Vento – Carlos Ruiz Zafón;
  • Marina – Carlos Ruiz Zafón;
  • Histórias Extraordinárias – Edgar Allen Poe;
  • A menina que roubava livros – Markus Zusak