quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O Historiador – Elizabeth Kostova

 

O historiadorO Historiador consumiu 10 anos de pesquisas da autora, Elizabeth Kostova, e é inspirado na história real de Vlad, o Conde Drácula, numa mistura magistral de folclore e mito, com preciosos dados históricos, antropológicos e geográficos. Mas a explicação de seu imenso sucesso está na força dramática do seu enredo e na imensa vitalidade de seus personagens.
Certa noite bem tarde, ao explorar a biblioteca do pai, uma jovem encontra um livro antigo e um maço de cartas amareladas. As cartas estão todas endereçadas a "Meu caro e desventurado sucessor", e fazem mergulhar em um mundo com o qual ela nunca sonhou - um labirinto onde os segredos do passado de seu pai e o misterioso destino de sua mãe convergem para um mal inconcebível escondido nas profundezas da história.
As cartas fazem alusão a um dos poderes mais maléficos que a humanidade jamais conheceu, e a uma busca secular pela origem desse mal e sua erradicação. É uma caça à verdade sobre Vlad, o Empalador, o governante medieval cujo bárbaro reinado gerou a lenda de Drácula. Gerações de historiadores arriscaram reputação, sanidade, e até mesmo as próprias vidas para conhecer essa verdade. Agora, uma jovem precisa decidir continuar ou não essa busca - e seguir seu pai em uma caçada que quase o levou à ruína anos antes, quando ele era um estudante universitário cheio de energia e sua mãe ainda era viva
.

“A você, leitor sagaz, confio minha história… porque o mal nunca termina.”

Já fazia tempo que esse livro estava na minha estante (sério, desde a bienal de 2010! #vergonha), mas não sei porque demorei tanto para ler. Afinal, ele junta história (que eu amo) e vampiros. Não precisava mais nada. Finalmente, criei coragem e o peguei da estante.

Em 1972, então com 16 anos, uma jovem que não é nomeada (se for pela introdução, somos levados a crer que se refere à própria autora, mas tenho minhas dúvidas), encontra na biblioteca de seu pai um misterioso livro e cartas endereçadas a “Meu caro sucessor”. O livro é pequeno e não tem palavras, somente a ilustração de um dragão de cauda enrolada no meio. E ela sabe que de algum modo este livro está ligado ao passado de seu pai, e ao desaparecimento de sua mãe. E, ao interrogar o pai, este diz que ela já tem idade para saber a verdadeira história.

O pai, Paul, é um professor universitário americano, mas vive com a filha em Amsterdã. Seu trabalho para a embaixada americana faz com que ele viaje muito, e ele sempre leva a filha. E ao contar a história de sua vida, que envolve um segredo e um mal que deve ser sussurrado com cuidado. Isso começa quando Paul, ainda um jovem pós-graduando em História, se depara com o tal livrinho, e embarca numa investigação sobre a vida de Vlad Tepes, ou Vlad, o Empalador, rei da Valáquia. Mas você,caro leitor, talvez o conheça por Drácula. Mas a busca não é sem risco e de graça, e quando seu orientador, professor Rossi, desaparece misteriosamente, em meio a uma poça de sangue em seu escritório, a busca toma o caráter de um resgate.

Rossi foi quem primeiro iniciou a busca por Vlad, também ao receber um livrinho estampado com um dragão. Sua busca o levou até a Romênia. Guarde isto, vai ser importante. E depois da Romênia, inexplicavelmente, Rossi simplesmente deixa de procurar, e leva sua vida normalmente, como se nada tivesse acontecido. Só o que resta são cartas que ele deixou para trás. Até que retoma a busca, por causa de Paul, e desaparece.

Bom, daí, como eu disse, é Paul que retoma as buscas, agora mais por seu orientador do que pela tumba de Drácula em si. Paul vai seguindo pistas que o levam a diversos lugares exóticos, da beleza oriental da Hagia Sofia, em Istambul, até as montanhas sombrias da Transilvânia. E a cada lugar, mais um segredo se desvela, e mais um perigo se aproxima. Paul é um pesquisador nato, com a mente curiosa própria dos acadêmicos. Mas também é protetor, e determinado, não é de deixar nada para trás.

No meio de sua busca, Paul encontra Helen, uma pós-graduanda a princípio distante e até grosseira, mas que aos poucos vai mostrando que também pode ser sensível. Ela tem a mesma curiosidade acadêmica que Paul, e a mesma determinação, porém ela é motivada por despeito (e não, não vou dizer porquê, para não dar spoiler), mas com o decorrer da história, ela vai ver que nem tudo é preto ou branco como ela acha. Sua vida acaba correndo risco durante a busca pela tumba de Drácula, e logo a investigação se transforma num macabro jogo de gato e rato.

Ainda durante essa investigação, Paul e Helen encontram mais personagens interessantes, como o professor Turgut, um turco muito simpático e acolhedor, e que acaba sendo de grande ajuda para os dois. Ele é mais do que professor, mas vou deixar para você descobrir quando ler. E também o professor Stoichev, um senhorzinho com jeito de vovô muito amável, mas que é perseguido pelo governo búlgaro (acho. É comunista, anyway). E claro que a busca também desperta o interesse de alguns personagens mais tenebrosos, como Ranov, o guia do casal na Bulgária, e Géza József, outro professor, mas que trabalha para o outro lado. Além de um ser misterioso que entrega os livrinhos e aparece e desaparece do ar.

E você deve estar se preguntando: e a jovem do começo? Bom, ela começa uma busca própria depois de seu pai desaparecer. Ela cresceu muito resguardada e não sabe nada do mundo afora, mas se enche de coragem e vai atrás do pai mesmo assim. Ela tem a mesma determinação, e uma motivação a mais: descobrir o que de fato aconteceu a sua mãe. Ela não está sozinha. No caminho encontra Bradley, um estudante inglês que conhece em Oxford, numa visita com seu pai, e que acaba embarcando na viagem com ela. Bradley é esperto e tem a mente aberta (claro, pra embarcar nessa doideira com a menina sem enlouquecer, tem que ser), e também é muito protetor.

A narrativa é dividida entre diversos personagens: a menina, Rossi, Helen, mas sobretudo de Paul. É interessante, mas demora um pouco para engatar, e às vezes, sobretudo nas partes narradas por Rossi, em forma de carta, achei arrastada, mesmo quando contando uma cena empolgante. Outra coisa que não me agradou muito é que não há um trabalho muito bem desenvolvido com os personagens, com exceção de Helen. Isso porque a prioridade é a investigação sobre Vlad Tepes. E também o final foi meio corrido e deixou algumas pontas soltas. Não cliff-hangers para uma continuação, simplesmente pontas soltas: o que aconteceu a Bradley? E Turgut? Como ficou a vida dos que se envolveram na busca depois dela terminada? Não há respostas, somente algumas pistas vagas, e final mesmo só tem Helen e Paul. Mas não se engane. A trama é boa, e interessante, misturando fatos históricos e ficção. A autora se baseou em uma extensa pesquisa sobre os Bálcãs medievais, seus costumes (que perduram até hoje, ou pelo menos até a época em que se passa a história), e na vida de Vlad, o Empalador. Há também muita coisa interessante no livro sobre o Império Otomano, e a descrição dos lugares é brilhante. A gente se imagina lá. E há partes da narrativa que são muito empolgantes, e a gente não quer desgrudar. Não é uma leitura muito fácil a princípio, mas fascinante.

Trilha sonora

Não poderia ser história de vampiro e não ter Sympathy for the devil, como Guns‘n’Roses. Também Time is on my side, Rolling Stones e A beautiful lie, do 30 seconds to Mars e Fear of the dark, do Iron Maiden.

Se você gostou de O Historiador, pode gostar também de:

  • Drácula – Bram Stoker;
  • O enigma do oito – Katherine Neville (não li esse, vi na lista de similares do skoob).

7 comentários:

Jéssica Soares disse...

Confesso, não conhecia esse livro! "O Historiador" nem estava adicionado no meu skoob... Enfim, fiquei curiosa, porque também amo história (toca aê, Fernanda õ/ haha), mas fiquei mais ainda pelo fato da autora ter feito uma pesquisa para escrever esse livro. Não sei, mas na minha cabeça, autores que desenvolvem tramas baseando-se em fatos históricos e fazendo grandes pesquisas (como o divo/mestre Bernard Cornwell) merecem ter suas obras ao menos lidas. Além disso, eu curto o Drácula... Acho que eu posso gostar do resultado final... Bjão
Jéssica

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Jess!

"divo/mestre Bernard Cornwell" - AMEI! E é verdade :)

Acho que você vai gostar mesmo. Apesar de se arrastar às vezes, o livro é legal e vale a pena.

Beijos!

Vitor disse...

Fernanda, sinceramente, Drácula nunca foi uma história que chamou minha atenção, nunca curti vampiros, como também não curto lobisomem. Gosto mesmo de bruxos e zumbis. Com sua resenha, eu me animei a ler este livro. E concordo com a Jéssica que disse que os livros foram escritos em cima de pesquisas dos autores devem ser lidos, como o mestre Bernard (ainda lerei todos os livros dele, não quando, mas lerei, rs).

Abraços!

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Vitor!

Mesmo não curtindo vampiros, esse livro vale a pena pela pesquisa, é muito interessante. E tem o mistério também, dá uns arrepios de medo.

Beijos!

julia mafra disse...

esse livro é MUITO bom, só isso que tenho pra dizer.

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Julia!

Eu acho que a autora poderia ter desenvolvido algumas coisas melhor, mas no geral, sim, é muito bom.

beijos!

Daniel Dazzini disse...

É uma excelente obra, realmente! Ganhei esse livro de presente de aniversário em 2007 e confesso que o reli mais duas vezes huauhauha! A descrição dos lugares é muito rica e a mescla da ficção com os fatos históricos é feita de forma muito bonita! Certamente um dos meus livros de cabeceira! Para quem curte romance envolvendo o Drácula, leiam "Drácula: O Homem por Trás do Mito" da escritora brasileira Roberta Zugaib! Vocês vão adorar!