Um dos filmes mais esperados por mim este ano foi Em Chamas. E depois de uma adaptação muito boa do primeiro, eu esperava algo ainda maior e melhor para o segundo. E não me decepcionei. E como the odds are totally at our favour, mais feliz ainda de poder ver antes do mundo todo (quase. Fui ver no sábado, um dia depois da estreia, mas ainda assim, antes que os Estados Unidos #sambanacaradosgringos).
O filme começa no mesmo lugar que o livro. Peeta e Katniss não se falam depois que ele descobriu que ela só fingiu que estava apaixonada (#sóquenão), ela continua saindo para caçar com Gale e se mudou para a Vila dos Vencedores. É a manhã da partida para a Turnê da Vitória, e ela recebe a visita do Presidente Snow em sua casa. E ela é tão sinistra como no livro. Perfeito. Donald Sutherland me bota medo, mesmo fazendo papel de bonzinho, o que dirá assim, fazendo ameaças nada sutis? E Jennifer Lawrence linda em cena.
Snow vai embora, chega a equipe de Katniss, junto com Cinna, e ela se prepara para uma aparição com Peeta, e continuar a farsa do namoro. Perfeita, dá para sentir toda a estranheza entre Peeta e Katniss, até o momento em que eles caem na neve e se beijam. (ATUALIZAÇÃO) E ela fica bolada com o comentário dele que até parecia real. Sensacional como tanto Jennifer como Josh Hutcherson se movem com destreza entre essas facetas, tão sutis, mas que deixam a gente babando. Falo mais um pouco de Josh daqui a pouco.

Eles saem na turnê, e logo vem o diálogo que Peeta diz que não é possível que eles atuem apaixonados em frente as câmeras, mas nem se falem na vida real. Lindo. E como se não fosse suficiente a carga emocional desse diálogo, eles logo depois param no Distrito 11, fazem aquele discurso totalmente espontâneo e comovente sobre os Tributos do distrito, e é inevitável que lágrimas não caiam quando eles relembram Rue. Primeira das vezes que eu chorei (sim, foram várias, portanto, se você ainda não viu, prepare-se). O velhinho assobiando a melodia de Rue, a foto dela nos painéis, e todo o caos que se instala depois, tudo muito bem feito e emocionante. E sabendo o que acontece quando eles saem da linha, Peeta e Katniss a partir daqui seguem à risca o que Effie escreve. Aliás, Effie (Elizabeth Banks, ainda irreconhecível, mas bem) tem mais destaque neste, o que achei bem legal.

A turnê termina como no livro, na mansão de Snow, com um baile lindíssimo, e Peeta mostrando um pouco de revolta, mas contida pelo lugar e também porque Peeta, diferente de Katniss, realmente usa a cabeça. Gostei muito dele comentando o absurdo das pessoas vomitando (literalmente) o jantar na Capital, enquanto nos distritos os habitantes passam fome. Perfeita poker face ao dizer isso. E lá vem Plutarch Heavensbee (Philip Seymour Hoffmann, brilhante, e juro que ele me dá medo, com aquele sorrisinho de quem sabe algo e não conta). Ele não dá a dica do livro aqui (não vou falar para evitar spoiler caso alguém não tenha lido o livro, mas para quem leu: tic-tac #entendedoresentenderão), mas eu entendo porquê: seria revelar muito cedo algo que é bom guardar para o final.
Esqueci de dizer que em toda a turnê, como no livro, Katniss só dorme com Peeta, por causa dos pesadelos. E antes disso, lá no começo, quando ela está na mata com Gale, o primeiro ataque quando Gale chega de mansinho, e Katniss se desespera e se vê na arena novamente. Linda cena, e eu achei bem legal colocarem isso. E já que estou falando de Gale, ele aparece mais, e dá umas bitoquinhas mesmo em Katniss, até mais que no livro (uma, para ser exata), mas nada que signifique muita coisa. Pelo menos para ela. Parece mesmo mais automático que sentimental (a não ser o logo depois que Gale apanha. Isso não é spoiler, tá no trailer). Liam Hemsworth tem mais destaque também, como Gale no livro, e está bem também. A cena de sua surra é torturante, a gente sente cada chicotada junto com ele. e para piorar, o Pacificador-chefe, Thread (Patrick St. Esprit, com pouco tempo de tela, mas ainda assim mais que suficiente para dar muita raiva), tem um prazer sádico com a surra. E achei muito legal que não aumentaram esse triângulo quase inexistente (sério, como tem gente que shippa Gale e Kat? Mesmo no livro é fraco demais,
nada que interfira com Peeta e Kat. É só prestar atenção. Aliás, antes que as Gale lovers do mundo me apedrejem em praça pública, eu reli os 3 livros antes do filme, e na segunda leitura dá para perceber uma coisa bem sutil, mas que prova meu ponto: “E quanto a você? Eu o vi no mercado. Você pode levantar sacos de farinha de 50 quilos.” …”Ele pode lutar, ele ficou em segundo na competição da escola no ano passado, atrás somente do irmão dele.” (p. 90, edição americana) “ Como a atenção que ele prestava em minhas caçadas. E aparentemente, eu não estava tão alheia a ele como eu imaginava, também. A farinha. A luta. Eu observava o garoto com o pão também” (p. 93). Palavras dela, não minhas. Talvez ela não entenda ainda, ou nem mesmo gostasse mesmo dele, mas prestava atenção, e ninguém faz isso à toa).
Me desviei da review, vamos voltar. E já que falei de Gale, deixa agora eu falar de Peeta. Lembra que eu falei lá em cima que voltava nele? Bom, neste, exatamente como o personagem, Josh Hutcherson apresenta uma atuação bem mais segura de Peeta. Ele acompanhou a evolução do personagem muito bem, tem ótimas cenas, como no baile, na praia, com a Morphinácea que morre, falando de Rue… Na entrevista com Ceasar Flinckerman (Stanley Tucci, maravilhoso. Já me dou por feliz por ter visto ele em Percy Jackson e o Mar de Monstros, e agora neste. #muitoamor), gaguejando para falar que … (de novo, não vou falar pra não dar spoiler). Sensacional. E é por isso que eu boto plena fé que em Mockingjay ele vai arrasar. E eu confesso que estou ansiosíssima para ver isso na tela. E também gostei de não terem feito o Peeta tão vulnerável como no livro. Ele é bem mais capaz de tomar conta de si mesmo no filme, não depende tanto dos outros. Começa pela entrada na arena. Ele não fica detido porque não sabe nadar, mas porque está numa luta feroz com outro tributo. E uma coisa que eu já suspeitava no primeiro filme: eu vi muita gente falando que Josh e Jennifer não tinham química. Mas vendo esse (e eu já discordava antes, por causa de algumas cenas do primeiro), eu tenho certeza de que foi intencional. Eles tem química sim. Tanto quanto Jennifer e Liam. Mas pela natureza de Katniss, de como surgiu o amor deles, eles não podiam mesmo mostrar muita tensão e parecer apaixonados logo de cara. (ATUALIZAÇÃO) Reparem quantas vezes ela olha para ele qunado ele não está olhando. São várias. Um detalhe sutil, mas vocês sabem que eu gosto de prestar atenção nessas coisas, e elas chamam muito mais a minha atenção.

Bom, e pulando para arena, ela é sensacional. Os produtores souberam transferir para a tela todo o terror descrito por Suzanne Collins (que assina a produção) no livro. E esqueci de comentar que a cena em que Katniss descobre que terá que voltar á arena é brilhante. Chorei de novo. A chuva de sangue, a névoa envenenada, os gritos (gente essa parte foi perfeita), o giro (eu confesso que tive muita dificuldade de visualizar isso, mesmo na segunda vez). E sempre por trás de tudo Plutarch, com um risinho cínico e puxando o saco de Snow. Ainda mais desconcertante que Seneca no primeiro. Os efeitos especiais estão bem melhores. Os vestidos de Katniss (o do desfile e o da entrevista) estão maravilhosos. Bola dentro da equipe de CGI.
E também os novos personagens. Deles, os que tem mais destaque são Sam Claflin como Finnick, que está simplesmente perfeito, sarcástico e sedutor na medida certa, e Jenna Malone como Johanna, linda e perfeita também. A cena em que ela entra no elevador e começa a tirar a roupa é ao mesmo tempo hilária e belíssima. Katniss mal disfarçando desconforto e até um pouco de ciúme quando vê Peeta tirando uma casquinha (safadenho!), é lindo. Jennifer passou isso perfeitamente. E quando Finnick reanima Peeta foi outra das minhas favoritas (e adivinha? Chorei de novo). E também Johanna dando uma de Sandor Clegane na entrevista: F**k Snow, F**k The Hunger Games! Show! Jennifer tremendo ao pensar que Peeta tinha morrido, e o olhar bem sutil de Finnick, entendendo o que todo mundo sabe menos Katniss, foi sensacional. Também não tenho dúvidas de que Sam Claflin vai arrasar também em Mockingjay (ai meu coraçãozinho!). E aproveito para chamar atenção na inclusão da neta de Snow, imitando os penteados de Katniss nessa hora. Achei digno. Chorei de novo com Mags, esqueci de dizer. E Lynn Cohen a interpreta com delicadeza, mesmo se falar uma palavra. E uma observação (e pode ser impressão minha): achei muito engraçado (e quase ri na hora) quando mostraram o tributo do Distrito 6, o que é viciado em morfináceo, e a caracterização dele é bem parecida com de um certo vampiro que brilha no sol. (ATUALIZAÇÃO) Depois de ver de novo, confirmei que parece mesmo. Não acho que foi por acaso. E aliás, já que falei em caracterização, ela está ótima. Enobaria, particularmente, está assustadora.

E quase me esqueço de Haymitch. Ainda perfeito na pele dele está Woody Harrelson. Ainda mais bêbado, com comentários sarcásticos, mas também assumindo o papel de mentor com mais determinação. A cena do Distrito 11 é ótima. E também Lenny Kravitz, novamente bem no papel de Cinna, e também com mais destaque. E mais uma vez, eu chorei. #entendedoresentenderão.

O filme passa bem rápido, e quando a gente vê já está chorando (de novo. E eu sabia que isso ia acontecer, mesmo antes de terminar o livro, porque lembrei de como termina) com o final, que também foi muito bem feito. A adaptação da segunda parte continua bem fiel ao livro, com uma redução (ainda bem) da primeira parte, ou seja, da turnê, e um ou outro detalhe. E gostei também que consertaram a legenda. Katniss não é mais a Garota Quente (ai! Dói na alma! Sério, quem traduziu isso? E pior, quem foi a energúmeno que deixou isso passar depois da revisão? Gente, o livro é da Rocco, não é barato! Pelamordedeus, podiam pagar uma revisão, e tradução, melhor), e é a Garota em Chamas. Só para constar, quando eu vejo Garota Quente, eu lembro disso:
E Joey não está falando do calor. #justsaying

Outro atrativo é a trilha sonora, bem melhor que do primeiro filme, contando com as belíssimas Atlas, do Coldplay, Lean, do The National (que por curiosidade, também é responsável por The Rains of Castamere), We remain, da Christina Aguilera, Elastic Heart, Sia feat. The Weekend & Diplo, Silhouettes, Of Monsters and Men, e, para meu absoluto deleite, Who we are, do Imagine Dragons. Assim, não me resta mais muita coisa a não ser deixar com vocês o trailer:
Beijos e até o próximo post!