terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Dragões de Éter # 1 – Caçadores de Bruxas – Raphael Draccon

 

Dragões de èter - CaçadoresNova Ether é um mundo protegido por poderosos avatares em forma de fadas-amazonas. Um dia, porém, cansadas das falhas dos seres racionais, algumas delas se voltam contra as antigas raças. E assim nasce a Era Antiga. Essa influência e esse temor sobre a humanidade só têm fim quando Primo Branford, o filho de um moleiro, reúne o que são hoje os heróis mais conhecidos do mundo e lidera a histórica e violenta Caçada de Bruxas. Primo Branford é hoje o Rei de Arzallum, e por 20 anos saboreia, satisfeito, a Paz. Nos últimos anos, entretanto, coisas estranhas começam a acontecer... Uma menina vê a própria avó ser devorada por um lobo marcado com magia negra. Dois irmãos comem estilhaços de vidro como se fossem passas silvestres e bebem água barrenta como se fosse suco, envolvidos pela magia escura de uma antiga bruxa canibal. O navio do mercenário mais sanguinário do mundo, o mesmo que acreditavam já estar morto e esquecido, retorna dos mares com um obscuro e ainda pior sucessor. E duas sociedades criminosas entram em guerra, dando início a uma intriga que irá mexer em profundos e tristes mistérios da família real. E mudará o mundo.

Já faz um tempo que esse livro (na verdade a trilogia toda, porque comprei o box) está na minha estante só esperando, e uma das promessas que fiz a mim mesma no começo do ano foi de ler pelo menos alguma coisa do que está se acumulando na estante. E depois de ler Os Miseráveis (que, tudo bem, nem estava nos planos, mas eu já estava na minha estante desde que eu me lembro) e Eu sou o mensageiro, eu resolvi pegar este. E não me arrependo. Logo nas primeiras páginas, já me encantei com o livro.

A história começa bem familiar a nós, pois narra a morte de uma simpática velhinha por um lobo enorme, bem na frente de sua netinha de 9 anos, chamada Ariane, também conhecida como Chapeuzinho Vermelho, apelido que ela detesta. E que ninguém a deixa esquecer.Daí, acompanhamos os terrores de dois irmãos, João e Maria Hanson, ele com 7 anos e ela com 9, reféns de uma bruxa canibal. Esses fatos, além de muito conhecidos nossos, serão muito importantes no sentido de definir os personagens. Claro que ninguém passa por traumas desses incólume. Mas não se preocupe, a história não gira sobre isso.

Eles vivem em Nova Ether, no Reino de Arzallum, mais precisamente em Andreanne, a capital do reino. Arazallum e também o reino mais próspero do continente de Ocaso, e portanto o mais rico. Ele é governado pelo Rei Primo Branford, o maior de todos os reis, e casado com Terra Branford, uma fada que abriu mão da vida imortal por amor a Primo. Eles tem dois filhos, Anísio e Axel. Anísio, o mais velho, é amado pela nobreza, pois fio treinado a vida toda para substituir o pai. Axel é amado pela plebe, com quem se relaciona. E Primo é amado por todos e o Reino prospera.

Isso até que um ataque de piratas, liderado por Jamil Coração-de-Crocodilo, filho bastardo de James Gancho, ameaça a paz de Andreanne. Esse ataque tem um objetivo, disfarçado como um saque. Na verdade, Jamil, que carrega todo o ressentimento de ser filho bastardo de um pirata e de sofrer os abusos do pai, quer mesmo é fazer contato com uma bruxa. Esqueci de dizer que um dos motivos para Primo Branford ser tão amado é que, anos antes, ele promoveu a Caça às Bruxas, livrando, pelo menos aparentemente, as bruxas do reino.

Só que acontecimentos estranhos, como o ataque a Ariane, que custou a vida de sua avó, e o sequestro de João e Maria Hanson, sinalizam que forças além do controle de Primo estão mexendo com a vida no lugar. E podem mudar a História do Reino.

Ariane Narin, apesar do trauma de ver sua avó devorada, é uma menina normal de doze para treze anos. É alegre e tem toda a vivacidade própria da idade. Faz de tudo para tentar esquecer o que aconteceu, mas ninguém a deixa esquecer, e, para piorar, ainda há odiado apelido de chapeuzinho vermelho. Ela é tiete fanática de Axel Branford, aquele tipo de adoração por um ídolo pop. Mas ela também guarda um segredo, que nem ela sabe. E esse segredo vai mudar radicalmente sua vida.

Seu melhor amigo, e esperando ser um pouco mais que isso, é justamente João Hanson, que a defendeu uma vez na escola. João se incomoda um pouco com a adoração de Ariane por Axel, e também é o típico irmão mais novo para Maria (explico melhor daqui a pouco). É um menino tímido de 13 anos, mas também não é de levar desaforo pra casa. è muito criativo e tem umas tiradas sarcásticas fantásticas. Só que ele sofre de um tipo de doença que faz seu nariz sangrar profusamente de temos em tempos. Isso tem um motivo, mas não vou falar qual, para não estragar.

Maria, irmã de João, foi quem deu fim à bruxa que a capturou na infância. Maria é inteligente, perceptiva e não faz o tio frágil. Fala o que dá na cabeça e tem opinião sobre tudo. O que chama atenção de Axel Branford, o que vai causar mais ciúme ainda em João.

Axel é também sarcástico, inteligente, e realmente gosta de andar com a plebe, e por isso mesmo não suporta a nobreza. É pugilista profissional e dedicado a sua família. Tanto assim que parte em busca de seu irmão, desaparecido há algum tempo, sozinho, só com a companhia de seu guarda costas Muralha, um troll cinzento, e sua águia-dragão, Tuhanny. Ele vai encontrar nessa jornada Zangado, um Mestre Anão das Sete Montanhas, que tem uma personalidade dividida por dois aspectos opostos: ao mesmo tempo que é intolerante, também tem o dom da paciência.

Muitas coisas vão acontecer com esses jovens, e eles não vão terminar do mesmo jeito que começaram. Mas se eu for falar tudo que se passa, vou contar toda a história. Basta dizer que tudo levanta questionamentos de valores aprendidos desde a infância, e também a disposição de aprender coisas novas.

Vale ainda destacar Snail, um pirata comparsa de Jamil Coração-de-Crocodilo que acaba como agente duplo, e Liriel, uma trapezista de 17 anos que faz uns bicos como ladra. Ad vidas desses dois vão se entrelaçar, e acho que vale a pena ficar de olho neles para os próximos.

A narrativa se intercala entre os personagens, cada um dos capítulos é centrado em um deles. E a linguagem é fluida, fácil de ler, apesar do uso da segunda pessoa (explica-se: assim é que deve-se dirigir ao Rei e nobres), o que pode cansar um pouquinho, mas nada que prejudique a leitura, ou o andar da história. Misturada de conto de fadas? Sim, mas no caso deu certo. Raphael Draccon parte do princípio do que acontece depois que os contos de fadas terminam. O livro é juvenil, e escrito para esse público, então, além do uso da segunda pessoa, a linguagem também é entremeada pelo linguajar típico adolescente, com gírias e mesmo a reprodução da entonação das meninas histéricas em frente ao ídolo. O que deixa a leitura leve. E preste atenção às diversas referências à cultura pop espalhadas pelo livro, um detalhe bem bacana. O ritmo é bom também, eu li em pouco mais de 4 dias, e a história é tão envolvente e gostosa que eu logo mergulhei no segundo. Uma ótima leitura para relaxar.

Trilha sonora

Boulevard of broken dreams, do Green Day combina bem, From yesterday e Kings and queens, do 30 seconds to Mars e Dare you to move, do Switchfoot.

Se você gostou de Dragões de Éter – Caçadores de Bruxas, pode gostar também de:

  • A Crônica do Matador de Reis – Patrick Rothfuss;
  • O Senhor das Anéis – J. R. R. Tolkien;
  • As Crônicas do Gelo e do Fogo – George R. R, Martin;
  • As Brumas de Avalon – Marion Zimmer Bradley;
  • As Crônicas de Artur – Bernard Cornwell
  • ciclo A Herança – Christopher Paolini;
  • coleção Harry Potter – J. K. Rowling;
  • As Crônicas de Nárnia – C. S. Lewis;
  • Percy Jackson e os Olimpianos – Rick Riordan;
  • As Crônicas dos Kane – Rick Riordan;
  • Os heróis do Olimpo – Rick Riordan.

16 comentários:

Nadia V. disse...

Oi, Fê.
Já tive curiosidade de ler essa série, mas ainda não me decidi. Mas pela resenha parece bem leve e divertida. Depois que minha lista enorme chegar ao fim, quem sabe. :)
Beijos.

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Nádia!

Eu li bem sem compromisso, e acabou que eu adorei. É uma leitura muito gostosa, leve mesmo e divertida. Vale a pena.

Beijos!

Gabi Lopes disse...

Oi Fernanda,

Minha irmã é apaixonada nos livros do Raphael, inclusive o trabalho de Conclusão da faculdade dela será sobre Dragões de Éter.

Eu me prometi ler a trilogia esse ano, mas não sei quando vai dar, mas realmente eles parecem muito bons.

Abraços
Gabi Lopes

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Nossa, que legal Gabi!

O livro é uma delicinha. Eu comecei a ler bem sem compromisso,mas adorei. O segundo também é gostosinho.

Beijos!



Fernanda Assis disse...

Ei Fê,

Eu amo esta série, quando li surtei e quis ler logo os 3 hehe. Foram todos 5 estrela, favoritei e sou tiete do autor hehe.
Apesar que tenho o novo dele, Fios de prata, e ainda não li rsrs.

bjs

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Nanda!

Livro delicinha, né? Eu acho que ainda não tenho esse dele (tanto livro pra ler que nem sei o que eu tenho - rs!). Mas se não tiver, vou comprar, porque adorei a narrativa dele. Eu dei quatro só porque achei um pouquinho cansativo o uso da segunda pessoa, apesar de entender porque ele fez isso. Mas foi o único probleminha (bem pequenininho) do livro.

Beijos!

Vitor disse...

Fernanda, eu quase comprei o primeiro livro uma vez, mas vi outro que chamou mais minha atenção (não lembro qual, rs). Talvez o leia ainda esse ano (pelo menos o primeiro livro).

PS.: Não sei como você consegue, mas quero aprender; como você lê tão rápido e compreende os mínimos detalhes dos livros (se eu ler rápido, deixo passar muita coisa)?

Abraços, Vitor

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Vitor!

Olha, vale a pena. Acabei o segundo agora,e só faço me apaixonar mais e mais pela trilogia. Se puder, leia sim.

Eu também não sei como consigo. Acho que é a prática. Sabe, depois que comecei o blog, leio mais, e acho que por isso, mais rápido. Mas ainda não consigo ler 500 páginas num dia, como eu vejo muita gente fazendo. Leio rápido, sim, mas saboreio cada palavra. E acaba passando muita coisa, mesmo assim, coisas que só percebo numa segunda leitura.

Beijos!

Vitor disse...

Fernanda, estive procurando sobre Raphael Draccon e achei um site (se é dele eu não sei, mas parece), e descobri que foi ele que indicou As Crônicas de Gelo e Fogo para a Leya, se não fosse ele, talvez eu não começaria a ler As Crônicas em 2011. Tenho muito que agradecer a ele, rs.

O link é esse:http://www.raphaeldraccon.com

Abraços

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Vitor!

Eu sabia, e foi um dos motivos porque eu quis ler o livro dele :) Ele também escreveu um artigo muito legal e hilário sobre Bernard Cornwell :)

Beijos!

Nerito disse...

Ei! Puxa, que surpresa ao voltar aqui e me deparar com esse livro que realmente tem uma escrita sensacional, fantástica nos dois sentidos.

Comecei a ler o primeiro e estou gostando muito. Só que não tenho, de vez em quando dou uma fuçada na livraria perto de casa pra continuar lendo. Vou tomar vergonha na cara e comprar, principalmente depois da sua resenha.

Beijos!

Detalhe: não vou ler suas outras duas resenhas ainda. Vou comprar os três livros e depois prometo que volto aqui, leio e comento! ^^

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

HAHAHAHAHA

Tô imaginando a cena, você escondido tentando ler o livro na livraria :) Vale a pena, é muito bacana mesmo, uma leitura leve e prazerosa.

Beijos!

Priscila Nonato disse...

eu tentei ler esse livro mais não rolou ,prefiro Once Upon a Time ,e tipo esse negoço de pegar mitologia ou um conto de fadas e recontá-lo é uma missão difícil e a maioria acabar se saindo mau em faze-lo.

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Pri!

Tente de novo. Ele faz isso muito bem, viu. Eu também adoro Once Upon a Time, e Grimm, mas Raphael Draccon não fica atrás, não. E fica melhor a cada livro.

Beijos!

Raquel Holmes disse...

É, lendo a resenha que você fez dá mesmo vontade de ler! Aiai! rs

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Quel!

Lê sim, e depois me fala!

Beijos!