domingo, 27 de janeiro de 2013

Eu sou o mensageiro – Markus Zusak

 

Eu sou o mensageiroEd Kennedy leva uma vida medíocre, sem arroubos. Trabalha, joga cartas com cúmplices do tédio, apaixona-se por uma amiga que dorme com todos os vizinhos do subúrbio e divide apartamento com um cão velho. O pai alcoólatra morreu há pouco; a mãe parece desprezá-lo.
Certo dia, ele impede um assalto a banco e é celebrizado pela mídia. O ato heroico tem consequência. Logo depois, Ed recebe enigmáticas cartas de baralho pelo correio: uma sequência de ases de ouros, paus, espadas, copas, cada qual contendo uma série de endereços ou charadas a serem decifradas. Após certa hesitação, rende-se ao desafio. Misteriosamente levado ao encontro de pessoas em dificuldades, devassa dramas íntimos que podem ser resolvidos por ele. Uma mulher é estuprada diariamente pelo marido, enquanto uma senhora de 82 anos afoga-se em solidão, à espera do companheiro, morto há mais de meio século.
A ele parece caber o papel do eleito, do salvador. Convencido disso, segue instruções e se perde entre ficções de estranhos e sua própria, embaçada, realidade. A certa altura pergunta-se: "Eu sou real?" Markus Zusak cria um personagem comovente capaz de confrontar o mistério e, por meio da solidariedade, empreender um épico que o levará ao centro de sua própria existência.

“Meu nome completo é Ed Kennedy. Sou taxista, tenho 19 anos. Não sou nada diferente dos outros jovens daqui destes subúrbios – não tenho lá muitos planos pro futuro, e as possibilidades são poucas. Tirando isso, leio mais livros do que deveria, sou um zero à esquerda na cama e não entendo nada de imposto de renda. Prazer.” (p. 13)

Esse é Ed Kennedy se apresentando. Achei mais apropriado que ele fizesse isso, pra vocês não acharem que estou sendo má com ele. Sim, o protagonista desse livro é tudo isso aí  em cima: é inteligente, poderia ser o que quisesse, mas não tem ambição nenhuma. Em outras palavras, é o loser profissional. Isso até que ele presencia um assalto no banco em que está com os amigos, igualmente losers como ele. Só que Ed vê uma oportunidade e consegue parar o ladrão, virando um herói sem querer. A partir daí, ele começa a receber estranhas mensagens em cartas de baralho. A primeira, um ás de ouros, vem com três endereços e horários. A carta não vem com mais nada, nenhuma instrução. Sem saber exatamente o que fazer, Ed decide dar uma olhada nos endereços, e vê que muita coisa está errada com esses lugares. Ed então compreende que tem que ajudar essas pessoas de alguma forma. E assim, Ed vê sua vida mudar radicalmente. ele agora não é mais simplesmente Ed, o taxista que não quer mais nada com a vida, ele é Ed, o mensageiro.

Essa mudança se dá aos poucos. A gente vai acompanhando Ed nessa jornada, vendo as mudanças se operarem sem nem mesmo ele se dar conta disso. Ao final, Ed já tem um propósito na vida, é decidido e a apatia se foi completamente dele. E as cartas não mudam só Ed, mas todas as pessoas cujas vidas ele tocou em sua missão. Não posso falar mais do que isso, ou vou entregar o final, que aliás é surpreendente, uma das melhores frases finais que eu já vi.

Ed não está sozinho nessa empreitada. Seu fiel companheiro é Porteiro, seu cachorro mestiço de Rottweiler, já bem velhinho (tem 17anos), viciado em café e com um fedor pungente. Porteiro é dócil e bem ativo para a idade. Não vai lá muito com a cara de Marv, um dos melhores amigos de Ed. Marv trabalha com construção, tem um carro velho tão ferrado que faz o meu parecer uma Mercedes, e tão pão duro que ofereceria a Tio Patinhas uma boa competição. Mas Marv é uma daquelas pessoas que Ed irá ajudar, só digo isso.

Completando o grupo de amigos há Audrey, que trabalha com Ed, e é sua paixão não tão secreta. Audrey tem a mesma idade de Ed, dorme com todo mundo, menos Ed, mas na verdade isso é só um artifício que ela usa pra não se apegar a ninguém. É a que mais apoia Ed com as mensagens, não o julga por seguir as pistas e se preocupa genuinamente com ele. Além deles, 3, também Ritchie, que na verdade não aparece muito, mas que é ainda pior que Ed, porque além de não ter ambição nenhuma, nem trabalho tem. Mas ele também vai ter papel importante na história.

Há ainda um monte de personagens secundários, que Ed ajuda, como Sophie, uma adolescente corredora, Milla, uma velhinha solitária que aguarda o retorno de seu marido há 40 anos, Angie Carusso, mãe de três crianças pequenas, o padre Thomas O´Reilly, Lua Tatupu e sua família, todos muito bacanas, mas se for escrever sobre eles, vou entregar a história. Mas nem todas as missões de Ed são legais, algumas são bem barra pesada, mas deixo isso a cargo de vocês descobrirem, assim como as histórias dos outros.

A narrativa é gostosa, envolvente e tem também um pouco da poesia de A menina que roubava livros, apesar da linguagem mais próxima da coloquial, com direito a palavrões e gírias. Só que a leitura deste é mais fácil, fluida, e a gente fica ávido por saber qual a próxima carta. Quando percebemos, estamos no último ás, e querendo que depois deles venham os valetes, os reis, damas…

Trilha sonora

Três músicas ótimas foram listadas no livro, então vale a pena mencionar. A primeira é 500 miles, do Proclaimers. 8 days a week, dos Beatles e You give love a bad name, do Bon Jovi (peguei um vídeo mais recente porque fase poodle não dá). Mas pensei em mais algumas também. My hero, do Foo Fighters é perfeita para Ed (there goes my hero, he´s ordinary), assim como Heroes, com o Wallflowers (we could be heroes, just for one day), Breathing, do Lifehouse tem tudo a ver com o relacionamento Ed/Audrey, bem como Save me, do Hanson (eu sei, eu sei,mas já disse só gosto dela), que eu gosto de pensar que toca num momento muito especial (won´t you save me, saving is what I need, I just wanna be, at your side… Tem tudo a ver com o livro).

Se você gostou de Eu sou o mensageiro, pode gostar também de:

  • A menina que roubava livros – Markus Zusak;
  • A sombra do vento – Carlos Ruiz Zafón;
  • O jogo do Anjo – Carlos Ruiz Zafón;
  • O prisioneiro do céu – Carlos Ruiz Zafón.

7 comentários:

Carissa Vieira disse...

Li em 2011 e gostei bastante. Acho que o Zuzak tem uma narrativa fantástica,.

Beijos,

Carissa
http://artearoundtheworld.blogspot.com

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Carissa!

Esse livro tá na minha estante desde a bienal do livro de 2010 aqui em SP :O Resolvi tomar vergonha e ler um pouco do que tenho acumulado aqui em casa, e não me arrependo. Adorei o livro :)

Beijos!

Fefa Rodrigues disse...

Feeee... vc viu que saiu mais um livro do Zafon??? O Príncipe da Névoa!!! Vou encomendar dia 1º, qd virar meu cartão hehehehehe....

Nadia V. disse...

Oi, Fê. Eu amei A menina que roubava livros! Certamente este também vai pra minha lista. Só não sei quando irei ler! A fila está imensa rs.

Pela sua resenha parece ser o tipo de livro que eu sei que vou gostar. Bem escrito, com personagens envolventes e uma história intensa. :)

Beijos.

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Ois!

Fefa, não sabia não, com certeza já sei o que comprar mês que vem :)

Nádia, este é ótimo também. Te pega pelo final. Amei também :)

Beijos!

DEDEI disse...

Estava com muita dúvida se lia este livro, pois li várias críticas negativas. Mesmo quem gostou de A Menina que Roubava Livros, muitas vezes dizia que este não era tão bom.... Agora, com esta resenhas, estou me animando!

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Olá!

Ele é bem diferente de A menina que roubava livros, mas é ótimo também. Recomendo muito.

Obrigada pelo comentário!

Beijos!

Fernanda