domingo, 26 de fevereiro de 2012

O Tigre de Sharpe – Bernard Cornwell

 

Sharpe's tiger Em "O Tigre de Sharpe", Cornwell volta o olhar para a ocupação britânica da Índia. O Imperialismo europeu serve de base para uma aventura que se estende por mais de vinte volumes com o jovem Richard Sharpe - recruta analfabeto a serviço de Sua Majestade - como herói. Integrante de uma expedição enviada para derrubar o sultão Tipu e expulsar os franceses da Índia, Sharpe luta as mais incríveis batalhas. Neste primeiro volume da série, Sharpe, fingindo-se de desertor, deve penetrar a cidade do sultão e fazer contato com um espião escocês aprisionado. Se for bem-sucedido, ganhará suas divisas de sargento. Se fracassar, será entregue aos cruéis executores de Tipu ou aos seus tigres devoradores de homens. Neste mundo exótico e misterioso, um passo em falso significa a morte. A situação se complica ainda mais quando Sharpe descobre que deve lutar contra seus velhos camaradas para salvar o próprio pescoço. E ao mesmo tempo em que executa sua missão, Sharpe fica de olhos abertos para as belas prostitutas de Misore, coisas para saquear e a oportunidade de aprender a ler.
Enquanto o exército britânico avança pela Índia rumo a uma armadilha diabólica, o jovem recruta batalha contra homens e feras atrás das linhas inimigas. Mas quando o exército britânico ataca violentamente a cidade, Sharpe deve lutar com a ferocidade e a agilidade de um tigre para desarmar a armadilha de Tipu... e para não ser morto pelos compatriotas.

Já fazia um tempo que eu queria ler algum livro do Sharpe. E, nerd como sou, comecei pelo primeiro (a série tem uns 20 livros, mas não precisa ler em ordem). E minha curiosidade só aumentou quando descobri que a série gerou uma série  filmes para TV britânica, e Richard Sharpe é interpretado por ninguém menos que Sean Bean (quem me acompanha há algum tempo sabe que eu ADORO Sean Bean, bem antes de ele dar vida a Eddard Stark – chuif, chuif!). Nem todos os livros foram transformados em filmes, mas veja aqui os que foram, como também toda a filmografia deste ator incrível (que faz aniversário 6 dias antes de mim;D).

Este mostra Sharpe bem novinho (talvez por isso não tem filme. Porque Sean Bean pode ser tudo de bom, mas vamos combinar que não tem como ele passar por 22 aninhos, né?). Ele aqui é um soldado do exército britânico na Índia. E como eu já disse em Azincourt, se tem alguém que consegue escrever sobre um único fato sem ficar chato, esse alguém é Bernard Cornwell. Aqui, o fato é o cerco de Misore, que aconteceu mesmo.

E Sharpe tem a missão de se passar por desertor e se infiltrar nas linhas inimigas para resgatar um oficial capturado. Sharpe é o meu tipo de herói. Ou seja, o anti-herói. É honrado e inteligente, mas rouba e mente também, e sempre que pode tira um sarro com uma língua ferina do Sargento Hakeswill (acho que é assim que se escreve). E justamente por causa desse temperamento rebelde, ele começa o livro justamente pensando em desertar. Mas, ao se ver em território inimigo é que ele percebe que seu lugar é mesmo no exército inglês. E a astúcia é uma das ferramentas que o ajuda a sobreviver neste ambiente (até certo ponto. Não vou entregar nada, mas ele nem sempre consegue se safar). Ele de certa forma lembra bastante o Derfel das Crônicas de Artur. E já me apaixonei por ele na primeira pagina.

Ele não está sozinho na empreitada. Junto com ele está Mary, sua mulher (mais ou menos. Ela não é casada com ele, mas ainda assim é mulher dele). Mary é uma mulher forte e destemida. Viúva de um oficial inglês, ela é uma mulher de dois mundos, pois é mestiça de inglês e hindu. Então, não se encaixa nem entre os ingleses, nem entre os hindus. Ela é bonita, e por isso desperta a cobiça do tal Hakeswill (falo dele já, já), e por isso foge com Sharpe.

E completando o trio principal, está o Sargento Lawford, um jovem rico um pouquinho mais velho que Sharpe. O que é legal na história é que ao “desertarem”, Sharpe passa a ser o superior, fato que Lawford ressente um pouco. Mas ainda assim ele admira as qualidades de Sharpe (ele é mesmo o cara. Cuidado Jack Bauer, Chuck Norris e cia), e confia nos instintos de Dick (o apelido de Sharpe).

Já em Misore, eles encontram eventualmente o tal oficial McCandless, que na verdade é aparentado de Lawford (se não me engano é tio). McCandless é na verdade um espião, mas é capturado. É um homem de meia idade, e tem toda a sabedoria de anos no trabalho. É bem religioso e estudado. Mas também sabe lutar, afinal, ele não tem o cargo à toa.

E Hakeswill. Este é Sargento, e sofre de um caso crônico de inveja de Sharpe. É um ignorante total, mentiroso (mas não do jeito legal como Sharpe, que mente para sobreviver) e para ele tudo quanto é baboseira está nas Escrituras, contanto que seja vantajoso para ele. É um puxa-saco de primeira, sabe muito bem quando tem que mentir para se safar de algo que sabe que fez errado. E logo no começo ele apronta uma par cima de Sharpe que vai resultar em uma punição severa para Dick, tudo por causa de Mary. mas ele vai ter seu troco, claro. Até parece que Sharpe ia deixar barato. Como eu sempre digo, payback is a bitch.

A ambientação é fantástica, e Bernard Cornwell faz uma descrição perfeita deste mundo exótico da Índia, com toda a riqueza e ostentação, mas também mostra a pobreza e as condições precárias de higiene. Como sempre (e repito: se você tem estômago fraco, não leia Bernard Cornwell, porque os detalhes são bem descritos). O autor faz com que a gente imagine tudo perfeitamente, e a descrição do calor abafado á tal que a gente até sente também. Os tigres comedores de gente, por exemplo, são muito bem retratados, e na hora me veio à mente aquela cena de Gladiador, em que Maximus entra na arena com tigres também.

O ritmo do livro também é bom, dá pra ler rápido, e não dá vontade de largar. E sempre temperado com o humor bem British, sutil e sarcástico. Há bastante ação e muitas reviravoltas no livro, e a gente sempre fica imaginando o que vai acontecer depois. Uma leitura pra lá de recomendada. Só lamento muito não poder ver os filmes (talvez na internet, mas além de ser de livros posteriores, não tenho paciência para assistir no computador). Quem sabe um dia chegue por aqui.

Trilha sonora

Duas músicas me vem a cabeça: The Battle, da trilha de Gladiador e Pirates of the Caribbean Theme, da trilha de Piratas do Caribe, ambas belíssimas e compostas por Hans Zimmer.

Se você gostou de O Tigre de Sharpe, pode gostar também de:

  • As Crônicas de Artur - Bernard Cornwell;
  • A busca do Graal – Bernard Cornwell;
  • As Crônicas Saxônicas – Bernard Cornwell;
  • Azincourt – Bernard Cornwell;
  • Stonehenge – Bernard Cornwell;
  • Mundo Sem Fim – Ken Follett;
  • Os Pilares da Terra – Ken Follett;
  • Queda de Gigantes – Ken Follett;
  • O Imperador – Conn Iggulden

5 comentários:

Fefa Rodrigues disse...

Feee... sabe, a série Sharpe é a única que não me despertou interesse na obra do Cornwell... talvez por ser muito grande, muitos livros pra comprar, ou pelo "momento histórico" que não é dos meus preferidos... então não sei se vou chegar a ler esta série um dia... pode ser, quem sabe né!!

Engraçado como o Cornwell tbm meio que tem uma "receita" que é sempre o pano de fundo de suas histórias... o Heroi (que tem aquele estilo rebelde de ser, mas com um coração bom, honrado), a moça bonita (se for inteligente é morena, se for gentil e meiga é loira) e o amigo sempre presente do casal... masss apesar desse "esqueleto" sempre estar presente, as histórias são originais... e sempre são muito boas!!!!

Então, só por ser Corwell já vale pena ler né... mas tbm tinha que ser mais de 20 livros!!!

Só que o que eu não sabia até ler sua resenha era que dava pra ler fora de ordem... então, na próxima compra de livros, vou ver se tem algum da série num preço legal!!!

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Fefa!

Eu nunca tinha pensado nas fórmula do Bernard Cornwell, mas concordo que ela dá resultado e não fica monótono.

Dá uma chance pro Sharpe...Vpcê vai gostar!

Beijos!

Gabi Castro disse...

Oi Fê! Este autor é o mesmo d'As Crônicas Saxônicas não é? Um livro bem... Xinfrim, não achou? Podia ter explorado um pouco mais da história... Espero que este seja um pouco mais legal!

Xerus (rs),

Gabi!

Nero disse...

Eu acho que a série do Sharpe é a melhor do Cornwell e mesmo sendo pra lá de 20 livros, eles são curtos por isso a leitura é fácil. Vale a pena ler do primeiro, que é um dos melhores, mas não caia no erro de ler um atras do outro, essa "receita" que a Fefa Rodrigues mencionou realmente existe, não só no Sharpe mas em todos os outros livros dele, e pode ser bem massante. Eu odeio o modo em que ele coloca as mulheres dos personagem, elas sempre tem uma ameaça potencial de serem violentadas e ele tenta torturar o leitor com essa idéia, eu acho isso patético e extremamente limitado da parte dele.

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Nero!

Obrigada pelo comentário! E seja muito bem vindo!

Eu só li este do Sharpe, mas minha série preferida dele é a de Artur. É que é a minha lenda preferida, então sempre sou parcial a ela. E nào vou ler os Sharpe um atrás do outro não. Senão cansa. Eu sempre alterno. E também nem tinha todos até ontem, quando chegaram os que minha irmã comprou (em português. Mas eu prefiro ler em inglês, e só tenho esse, então vou ter que esperar mesmo. Mas se a vontade for demais, é bom saber que eles estão lá).

A fórmula do Bernard Cornwell nào me incomoda muito não. Como a Fefa disse, é meio fixa, mas sempre de alguma forma original, não cansa. O que me incomoda mais (mas a esta altura já estou acosntumada) é o hábito que ele tem de mutilar todos os protagonistas. Mas acho isso um defeito menor, se comparado com a qualidade da escrita dele.

Beijos!

Fernanda