sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Gotham

Essa fall season foi definitivamente dos heróis de quadrinhos. Mais uma super produção estreou, e já lá em cima. Estou falando da muito aguardada Gotham. E essa foi outra que me fisgou desde os primeiros minutos, com a que será a Mulher-Gato, aqui ainda uma adolescente de 13 anos, no telhado de um prédio. É mais uma noite típica em Gotham, e Selina Kyle anda pelas ruas cometendo pequenos furtos. Até que não muito longe dali, ela testemunha um assassinato.

Uma família sai feliz por um beco, comentando o resultado final de uma noite de cinema, quando um homem mascarado aborda os três, rouba o colar de pérolas da mulher, e atira no homem e na mulher, deixando o filho de 12 anos, que testemunha tudo, órfão. Claro que esse assassinato, dos Wayne, é o que vai definir a vida do pequeno Bruce, e é também o estopim para uma disputa territorial que pode facilmente virar uma guerra civil.



Entra em cena o então novato James Gordon (o lindinho e competentíssimo Ben McKenzie), detetive idealista e trabalhador, que consegue o que ninguém conseguiu: estabelecer uma conexão com o pequeno Bruce. E em muitos aspectos, essa ligação vai ser fundamental para a formação daquele que no futuro salvará Gotham. Mas Jim é sobretudo humano, e logo desde o primeiro episódio vemos que ele comete erros, confia nas pessoas erradas, e eu acho isso sensacional, humaniza muito o  personagem. E como eu disse ali em cima, Ben McKenzie faz isso muito bem. Ele transmite a cada cena a insegurança de ser um detetive novato e honesto no meio de um monte de veteranos da polícia mais corrupta do universo DC, mas sempre com muita convicção. Ele não abre mão de seus valores, e tem que enfrentar a desconfiança de todo o departamento por isso. A cada abuso de seu parceiro Harvey Bullock, também interpretado com a medida certa de truculência e ironia por Donal Logue, o desconforto de Jim é visível. E isso é um dos muitos pontos de atrito entre os dois, que rendem muitas sequências ótimas.



Quem também merece destaque é o elenco juvenil da série. David Mazouz impressiona como Bruce desde a primeira cena. E Camren Bicondova também dá vida a uma Selina Kyle forte, destemida e com a língua bem afiada para seus 13 anos. E ambos fazem isso com muita naturalidade. A química dos dois com Ben é ótima, e isso é muito bem explorado na série. Tanto Bruce como Selina tem uma relação especial com Jim.

E do lado dos vilões, não tenho nem o que falar. Jada Pinkett Smith brilha como a diva Fish Mooney, personagem criada especialmente para a série. Ela trabalha para Falcone, mas na verdade não vê a hora em que Falcone cometa um deslize para se colocar no topo como rainha do crime. E a briga entre Falcone e Maroni é o cenário perfeito para ela. Impiedosa, mestra manipuladora, dissimulada e sexy, ela comanda com punho de ferro, sem perder a feminilidade, e planeja tudo com perfeição, sem sujar as mãos com unhas postiças perfeitas. Trabalhando no departamento de polícia encontramos também Ed Nygma, o futuro Charada, também muitíssimo bem representado por Cory Michael Smith, com uma OCD aguda e a dose certinha de comicidade sem cair no caricato (erro, aliás, que todos os filmes sobre o Homem-Morcego antes da trilogia Dark Knight cometeram).



Mas realmente quem rouba a cena toda vez que aparece é Oswald Cobblepot, aka Pinguim. Robin Lord Taylor está perfeito no papel. Ele mistura muito bem a dose de inocência, sadismo e oportunismo. E sabe jogar muito bem com as adversidades e já molda o futuro de um dos vilões mais emblemáticos do universo DC. Um papel de muito peso, e, como Heath Ledger fez em O Cavaleiro das Trevas, Robin renova o personagem, mas sem perder a essência do Pinguim, e dá de mil a zero no Pinguim feito por Danny DeVitto.



Para mim, por enquanto, o ponto fraco é Barbara, a noiva de Jim, vivida por Erin Richards. Mas ainda é cedo para tirar qualquer conclusão sobre ela. Nós sabemos que, a série sendo absolutamente fiel aos quadrinhos, Jim vai mesmo se casar com ela, mas Barbara tem lá seus segredos e é ainda uma personagem dúbia. E pessoalmente acho que a série faz bem em revelar Barbara bem aos poucos, retirando uma camada de cada vez.



A ambientação é tão espetacular que merece um parágrafo só para ela. A Gotham da série, diferente dos filmes (e do que é mais ou menos consenso entre os fãs) não é representada como Chicago (sendo que Metropolis seria o equivalente a NY), mas sim pela Big Apple mesmo. Várias cenas externas são filmadas em NY, mas por meio de CG, os produtores deram uma cara que ao mesmo tempo que é reconhecível no mundo real, também é completamente único, e tem sua própria personalidade. Gotham é sexy, sombria e ao mesmo tempo decadente e vibrante. E o toque de mestre, e que dá todo o charme da série, é que ela é atemporal. Temos celulares, computadores, e outras comodidades da vida de hoje, mas os carros são modelos antigos, as TVs não são de LCD ou plasma, e o figurino (lindo, aliás) tende ao clássico, com exceção de Fish Mooney. As decorações também tendem a ser mais do tipo de coisa que você encontra em um mercado de pulgas ou antiquário, tudo muito bem escolhido e de acordo com cada ambiente.

E também não pode ficar de fora o roteiro, muito bem escrito, misturando elementos de drama procedural ao universo e mitologia da DC, graças à mão de Danny Cannon, responsável pela franquia CSI e Bruno Heller, criador de Roma e The Mentalist, o roteiro é de qualidade e interessante, prende a nossa atenção do começo até o fim, com diálogos inteligentes e tramas paralelas tão interessantes quanto a principal. E uma das coisas mais bacanas é ficar esperando uma surpresa dos roteiristas, seja como uma menção de alguém, ou algum detalhe de fundo, alguma referência ao mundo de Batman. Logo no episódio piloto Poison Ivy já apareceu, e também acho que já tivemos um gostinho de quem vai ser o Curinga (uma cena rapidinha, no cabaré de Fish Mooney #ficadica). E o tempo todo paira a dúvida: afinal, quem matou os Wayne?



Enfim, série que mal estreou e já entrou para o pódio das queridas, já não vejo a hora de sair em blu ray (porque, como Oliver Queen, Jim Gordon merece high definition) para ver e rever a hora que quiser, fora os bônus. Uma série para os fãs de Batman, porque agrada os seguidores do Homem-Morcego, mas também para quem não é tão fã assim, mas que gosta de uma história bem contada. Recomendo. Confira aí o trailer e tire suas conclusões:


Então, antes do Curinga, antes do Charada, antes da Mulher-Gato, antes do Batman, já existia Gotham. Descubra todos os segredos da cidade que deu origem a tudo.

PS: eu sei que esse post ficou meio surtado, mas sério que não tenho nada além de amor por essa série.

Um comentário:

francisco cunha junior Cunha disse...

Existe o livro: GOTHAM, muito interessante?