domingo, 18 de novembro de 2012

O nome do vento – As crônicas do Matador de reis – Dia 1 – Patrick Rothfuss

 

The name od the windNinguém sabe ao certo quem é o herói ou o vilão desse fascinante universo criado por Patrick Rothfuss. Na realidade, essas duas figuras se concentram em Kote, um homem enigmático que se esconde sob a identidade de proprietário da hospedaria Marco do Percurso.
Da infância numa trupe de artistas itinerantes, passando pelos anos vividos numa cidade hostil e pelo esforço para ingressar na escola de magia, O nome do vento acompanha a trajetória de Kote e as duas forças que movem sua vida: o desejo de aprender o mistério por trás da arte de nomear as coisas e a necessidade de reunir informações sobre o Chandriano - os lendários demônios que assassinaram sua família no passado.
Quando esses seres do mal reaparecem na cidade, um cronista suspeita de que o misterioso Kote seja o personagem principal de diversas histórias que rondam a região e decide aproximar-se dele para descobrir a verdade.
Pouco a pouco, a história de Kote vai sendo revelada, assim como sua multifacetada personalidade - notório mago, esmerado ladrão, amante viril, herói salvador, músico magistral, assassino infame.
Nesta provocante narrativa, o leitor é transportado para um mundo fantástico, repleto de mitos e seres fabulosos, heróis e vilões, ladrões e trovadores, amor e ódio, paixão e vingança.

Antes um esclarecimento. Kote é um dos nomes de Kvothe, por isso, não estranhe porque na resenha optei por manter o nome original dele. Dito isto, vamos lá.

“Meu primeiro mentor me chamava E´lir porque eu era inteligentee eu sabia. Minha primeira amante me chamava Duleitor porque ela gostava do som. Eu já fui chamado Umbroso, Dedo Leve, e Seis Cordas. Fui chamado Kvothe, o Sem-sangue, Kvothe, o Arcano e Kvothe, o Matador de Reis. Eu mereci esses nomes. Comprei e paguei por eles (…)

Eu roubei princesas de volta de reis adormecidos em seus sepulcros. Eu queimei a cidade de Trebon. Eu passei a noite com Felurian e saí tanto com minha sanidade e minha vida. Eu fui expulso da Universidade com menos idade do que a maioria das pessoas é aceita. Eu andei por caminhos enluarados que outros temem falar durante o dia. Eu falei com deuses, amei mulheres e compus canções que fazem ministreis chorarem.

Você deve ter ouvido falar de mim.”

(p.58 – edição pocket americana)

É assim que Kvothe se apresenta. Mas não pense que ele é arrogante ou prepotente. Longe disso. Nem é tão convencido assim. Ele fala isso simplesmente como alguém que constata um fato. E a verdade é que é difícil não se apaixonar por Kvothe desde o início. Na verdade, não dá pra saber muito dele no início. Kvothe é misterioso e faz questão de ser discreto. Não gosta que venham bisbilhotar em sua vida, e não alardeia quem é. É inteligente, sim, tem um senso de humor afiado e irônico delicioso, é atencioso e educado. Mas já de início, fica evidente a força desse personagem de cabelos vermelhos e olhos verdes penetrantes.

Mas, ao ser reconhecido pelo Cronista, ele se resigna contar sua história. Ela começa nos dias em que viajava pelo país em companhia dos pais e da trupe de artistas a que pertenciam. A vida é fácil e feliz para o pequeno Kvothe, cheia de promessas e amores. Mas uma tragédia muda o rumo das coisas, e logo Kvothe se vê órfão e obrigado a roubar e se virar nas ruas de Tarbean. Sua língua afiada acaba por ganhar alguns inimigos para Kvothe, e ele passa o tempo fugindo e fazendo o possível para sobreviver. Ele passa três anos como mendigo, em parte para se achar, já eu tinha perdido um pouco o rumo, até que consegue ir para Universidade, e é aceito aos 15 anos, quase três antes do normal.

Lá, claro, ele também faz alguns inimigos, como Ambrose, um riquinho filho de um nobre que não aguenta a humilhação de ser passado para trás por Kvothe, e, mais importante, também ganha a antipatia de alguns mestres, como Lorren, o mestre responsável pelos Arquivos (só uma observação, eu me perderia nos Arquivos. Imagina só, milhares e milhares de livros, sobre tudo que você imaginar! Quando morrer, quero ir pra lá, porque isso é meu paraíso! ;D), e Mestre Hemme, que logo no primeiro dia de aula, já dá um jeito de humilhar Kvothe (parece com algum outro professor de poções que a gente adora odiar?), mas Kvothe tem raciocínio rápido e o tiro sai pela culatra, o que no futuro pode custar sua permanência na Universidade.

Por outro lado, justamente esse raciocínio rápido e incrível capacidade de aprendizado também rendem bons amigos. Entre eles Sim e Wilem e Mestre Kilvin para quem Kvothe trabalha. Mas mesmo entre eles, Kvothe se sente meio deslocado, porque é pobre e precisa sempre se provar. Não revela muito de sua vida, e só muito tempo depois começa a confiar o suficiente em Wil e Sim para compartilhar algumas coisas, mas não tudo.

Claro que por trás de todo grande herói sempre há uma mulher forte. E no caso de Kvothe, essa mulher é Denna, ou nas palavras dele, A mulher. Denna é jovem, mais ou menos da idade de Kvothe e totalmente livre. O que quero dizer é que ela vai e vem quando bem entende, e acho que justamente esse espírito selvagem é o que atrai Kvothe. Ele também não me parece do tipo que cairia de quatro por um tipo princesinha. Denna também é inteligente e tem um senso de humor tão afiado quanto de Kvothe. Confesso que às vezes ela dá raiva, porque (SPOILER) parte o coraçãozinho do ruivinho em pedacinhos, mas sinceramente, das outras personagens femininas do livro, só ela mesmo que poderia ficar com ele.

Mas também é bom destacar mais duas mulheres importantes na história, e que talvez ganhem mais espaço no segundo livro: Fela, uma estudante, colega de classe de Kvothe, e Auri, uma moça esquiva, que mora nos subterrâneos da Universidade. Também, quase esqueço, Devi, uma agiota que empresta dinheiro para Kvothe pagar a Universidade. Como eu disse, no primeiro elas não tem muito destaque, mas vamos ver no segundo.

Uma coisa muito legal do livro é que ele é dividido em dois: uma parte da ação é contada em primeira pessoa, por Kvothe, e se passa num passado indeterminado,mas não muito distante. Outra parte, em terceira pessoa, é o presente, onde Kvothe, ou melhor, Kote, dono de uma estalagem, conta sua história ao Cronista. E muito bacana é que Kote pode até ser Kvothe, mas não tem muito dele. É misterioso também, amável, prestativo e sábio, mas isso é só fachada. Na realidade, ele é um homem muito marcado pelos acontecimentos que lhe deram fama, e ele está esquecendo quem é. O autor foi brilhante ao conseguir isso.

Na estalagem trabalha também Bast, um jovem quieto, muito bonito, mas que não é bem o que aparenta ser. ele é sagaz e é aprendiz de Kote. Bast é extremamente fiel a seu mestre, a quem chama de Reshi, e não mede esforços para defendê-lo. E também na estalagem está o Cronista, que registra a história de Kvothe, e também tem lá os seus mistérios. Por que ele chegou exatamente agora para ouvir a história de Kvothe? O que o levou para a estalagem? Não temos as respostas ainda, mas creio que isso será respondido aos poucos.

Uma coisa sempre me intrigou quando eu via o livro. “Dia 1”. Explico: não, a narrativa não se passa em um dia. mas Kvothe explica para o Cronista que sua narrativa precisa de mais de um dia para ser completada. E o primeiro livro cobre a primeira parte da história. História esta, aliás, deliciosa, viciante, que prende a gente até o fim, e deixa a gente com vontade de mergulhar logo no segundo (foi o que eu fiz). A narrativa também é leve, fluida, quando a gente vê, já chegou na última página. E daria uma série de TV muito boa também (não daria pra ser filme, tem muita coisa lega, pra cobrir tudo, só uma série mesmo). Recomendadíssimo!

Trilha sonora

Pra começar, acho que Prelude 12/21, do AFI combina muito bem com Kvothe. Também Breath of life, de Florence and the machine, Ameno e Divano, do Era, Return to innocence, do Enigma, Fairytale, do Shaman.

Se você gostou de O nome do vento, pode gostar também de;

  • Ciclo A herança – Christopher Paolini;
  • coleção Harry Potter – J. K. Rowling;
  • As Crônicas do Gelo e do Fogo – George R. R. Martin;
  • As Crônicas de Artur – Bernard Cornwell;
  • coleção Percy Jackson – Rick Riordan;
  • As Crônicas dos Kane – Rick Riordan;
  • trilogia de Tinta – Cornelia Funke;
  • As crônicas de Nárnia – C. S. Lewis;
  • O Senhor dos Anéis – J. R. R. Tolkien;
  • As fronteiras do Universo – Phillip Pullman;
  • O trílio negro – Marion Zimmer Bradley;
  • As brumas de Avalon – Marion Zimmer Bradley.

6 comentários:

Nadia V. disse...

Que bom que você gostou, Fê! Eu também amei! É viciante mesmo! =)
Eu gostei mais do primeiro do livro, mas o segundo é muito bom também e estou louca para que o terceiro seja publicado.
Beijo.

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Nádia!

Eu estou adorando o segundo também. Ainda estou bem no comecinho, mas está difícil largar :)

Beijos!

Adriano disse...

Fê, pela sinopse parece ser bem legal. E a capa tambem é show. Mais pra frente vou ver se compro os livros pra ler. No momento estou lendo "O mercador de livros malditos" e ansioso pela terceira temporada de game of thrones. Mas com certeza estes serão leituras futuras.

bjo e otimo FDS...

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Adriano!

Quanto tempo!

Olha, é muito legal, mergulhei direto o segundo e estou amando. Você vai gostar também. E eu também estou contando os dias (literalmente, quase todo dia posto alguma coisa no Face ;D) para a terceira temporada! Já estou ansiosa por antecipação, porque já adiantaram algumas coisas da produção, e muita coisa boa vai rolar :)

Beijos e bom FDS pra você também!

Wander disse...

Que bom que vc gostou!!! *.*
O livro eh mt f*da! Rs. Principalmebte pq achei ele mt surreal e difirente de tudo que eu li, na estrutura da historia em si.
Uma pena que estou muitooooo sem tempo pra ler O Temor do Sabio. Por isso por agora estou lendo livros mais leves e faceis, que eu leio no percurso casa-trabalho. Eu li Divergente esses dias, e agora comecei Dezesseis Luas. Ambos so me interessaram pq vão ser adaptados para o cinema rs.

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Wander!

Estou amando O Temor do Sábio! Ainda vai demorar um pouquinho para a resenha porque o livro tem 1000 páginas (a minha versão em inglês) e também, final de semestre, trabalhos pra fazer, boletins pra fechar...

Mas logo logo ela sai :)

Beijos!