quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Terra em Chamas

 

terra em chamas O rei Alfredo está com a saúde debilitada. Seu herdeiro ainda é muito jovem. Os inimigos dinamarqueses fracassaram em tomar Wessex, mas agora a vitória parece iminente. Lideradas pelo brutal Harald Cabelo de Sangue, as hordas vikings atacam, porém o rei tem Uhtred, que inflige aos vikings uma de suas maiores derrotas.

No entanto, o gosto de vitória é ofuscado por uma tragédia que leve Uhtred a jurar nunca mais servir o reino saxão novamente. Agora, o sonho de retomar as terras que lhe são de direito na Nortúmbria parece mais próximo. E para alcançar seu objetivo, o guerreiro se une a seu amigo Ragnar e ao seu antigo inimigo Haesten.

Mas o destino tem outros planos. Os dinamarqueses da Ânglia Oriental e os vikings da Nortúmbria pretendem conquistar toda a Inglaterra. A filha de Alfredo então implora pela ajuda de Uhtred, e o guerreiro, incapaz de dizer não, toma a frente do exército derrotado da Mércia, rumo a uma batalha inesquecível num campo encharcado de sangue junto ao Tâmisa.

De todos os livros das Crônicas Saxônicas até agora (sim, apesar de terem publicado no Brasil cinco, tudo leva a crer que vem mais por aí), este, na minha opinião, é o que tem mais reviravoltas. Isso é dizer um bocado, já que todos eles são marcados por traições e reviravoltas. Mas nada tão radical como este.

Ele começa alguns anos após o fim de A canção da espada, e uma nova ameaça tira o sossego dos saxões do Oeste, e obriga Uhtred a lutar por Alfredo mais uma vez, contra sua vontade. Essa ameaça atende pelo nome de Harald Cabeça de Sangue (e esse nome vem de um costume nojento desse líder dinamarquês, que é muito chocante para mencionar aqui). Ele chega da Frankia (atual França), onde após impor o terror e saquear tudo o que podia, foi finalmente pago para que deixasse as terras francesas. Ele tem fama de implacável, e é merecida, mas seu maior trunfo não é sua selvageria, e sim a companhia. E ela atende por Skade.

Skade é uma mulher, considerada feiticeira, e é uma das melhores personagens das Crônicas. É ambiciosa, capaz de tudo para conseguir riqueza, e também é cruel e sádica. Muito sádica. Para se ter uma ideia, em sua primeira aparição ela está torturando um padre, com requintes de crueldade que são capazes de horrorizar até mesmo Uhtred. Sua lealdade varia de acordo com o que for mais vantajoso para ela, de modo que ora ela está do lado de Uhtred (que, como mencionada acima, nem sempre fica com os saxões), ora contra ele. Mas sempre do lado que possa lhe proporcionar a maior riqueza possível.

Uhtred, como já disse, muda de lado após uma tragédia pessoal que o deixa desnorteado por um tempo. Ela é meio óbvia, mas mesmo assim, não vou estragar a surpresa para quem ainda não leu. Mas é graças a isso que retorna à trama Ragnar, para meu deleite. Ele agora é senhor poderoso no Norte, e se esforça para manter sua fortaleza de Dunholm, que ele agora considera seu lar. Mas ele continua com o mesmo senso de humor e riso fácil, o que deixa o livro um pouco mais leve, e ao mesmo tempo dá um pouco de paz a Uhtred, num momento em que ele realmente precisa.

Brida também reaparece, mas ao contrário de Ragnar, ela se ressente por seu companheiro não querer mais lutar contra os saxões. E também despreza Uhtred por sua lealdade a Aethelflaed. E ela nutre planos ambiciosos, que compartilha com Uhtred, mas, como sempre acontece uma reviravolta, ele não poderá cumprir.

Aethelflaed está ainda mais confiante neste livro, e ela não quer saber de ficar em casa enquanto seu povo sofre nas mãos dos dinamarqueses. E continua amiga de Uhtred, apesar de sua família o desprezar. Ela continua a sofrer nas mãos do idiota do Aethelred, mas agora já não se encolhe diante das provocações. Ao contrário, ela o enfrenta e mostra quem tem o poder em casa.

Também merecem destaque seus dois irmãos, Osferth e Eduardo. Osferth na realidade é filho bastardo de Alfredo, e por isso mesmo desprezado por ele, fato que leva ao ressentimento do jovem. Já em A canção da espada ele faz sua primeira aparição, mas seu pai queria mesmo era trancar o garoto num mosteiro e esquecer que o filho existia (pra ver até que ponto vai a carolice de Alfredo). Ele então foge para Uhtred, que o acolhe, e prova maior de que Osferth odeia e despreza o pai é que, quando Uhtred volta à Nortúmbria, Osferth o segue. Ele acaba virando um bom guerreiro, inteligente e destemido.

Já Eduardo é um jovem mais resguardado e imaturo. Ele é como o pai, mas acaba por provar que pode vir a ser o rei, sob a orientação de Uhtred. Ele aparece meio timidamente no final, mas creio que ele ainda irá aparecer mais, e podemos esperar muito dele.

Apesar de chegar perto, Uhtred ainda não conseguiu seu objetivo maior, que é reconquistar Bebbanburgh, por isso, acredito que as Crônicas Saxônicas ainda não acabaram. Então, olhos bem abertos, porque logo logo veremos Uhtred de Bebbanburgh em outra aventura.

Trilha sonora

Uma música que cai como uma luva para toda a história, em especial para Uhtred, é Hand of Sorrow, do Within Temptation.

The child without a name grew up to be the hand
To watch you, to shield you or kill on demand

So many dreams were broken and so much was sacrificed
Was it worth the ones we loved and had to leave behind?
So many years have past, who are the noble and the wise?
Will all our sins be justified

Também do Within Temptation, What have you done. olha só:

Would you mind if I hurt you?
Understand that I need to
Wish that I had other choices
Than to harm the one I love

I, I've been waiting for someone like you
But now you are slipping away
What have you done now?
Why, why does fate make us suffer?
There's a curse between us, between me and you

Turned into my worst enemy
You carry hate that I don't feel
It's over now, what have you done?

Mas também This is War, do 30 Seconds to Mars (fazia tempo que eu não falava deles!). E também para Uhtred, apesar de poder se aplicar a mais de um personagem:

A Warning to the people
The Good and the Evil
This Is War
To the Soldier
The Civilian
The Martyr
The Victim

To the right
To the left
We will fight to the death
To the Edge of the Earth
It's a Brave New World
From the last to the first

It’s the moment of truth and the moment to lie
The moment to live and the moment to die
The moment to fight, the moment to fight,
To fight, to fight, to fight

Se você gostou de Terra em Chamas, pode gostar também de:

  • As Crônicas de Artur – Bernard Cornwell
  • A Busca do Graal – Bernard Cornwell
  • Stonehenge – Bernard Cornwell

4 comentários:

lilly-halliwell disse...

Olá Fernanda :) Adorei achar seu blog! Estava no google a procura de reviews sobre um livro e te achei. Também sou veterinária formada, mas que não exerço mais a profissão XD e também sou apaixonada por livro ^_^ salvei o link pra ler mais depoi o/ Parabéns pelo blog!

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Obrigada, Lilly!
Volte sempre!

Fefa Rodrigues disse...

Oiii... que legal encontrar outra fã de Bernard Cornwell!!!

Se quiser dar uma olhada nos meus comentários sobre As Crônicas de Artur :
http://apaixonadaporpapel.blogspot.com/2011/05/romance-historico-bernard-cornwell.html

Fefa Rodrigues disse...

Oiii, Azincourt eu ainda não li, ja encomendei mas ainda não chegou... realmente Bernard Cornwell é muito bom... vc sabe se a coleção Sharpe virou filme tbm?

Outra coisa, vc conhece Conn Iuggulden da série O Imperador?