sábado, 12 de novembro de 2011

Eldest – Christopher Paolini

 

eldest Eldest acompanha o amadurecimento do jovem guerreiro protagonista da história. A narrativa começa três dias após a cruel batalha travada por Eragon para libertar o Império das forças do mal. O Cavaleiro de Dragões se vê envolvido em novas e emocionantes aventuras. Em busca de um tal Togira Ikonoka, O Imperfeito que é Perfeito, que supostamente possui as respostas para todas as suas perguntas, Eragon parte, junto com Saphira, o dragão azul que o acompanha desde o início da aventura, para Ellesméra, a terra onde vivem os elfos. Lá, eles pretendem aprender os segredos da magia, da esgrima e aperfeiçoar o seu domínio da língua antiga.

ATENÇÃO! SPOILERS SE VOCÊ NÃO LEU ERAGON!

Confesso que da primeira vez que eu li Eldest não gostei muito do livro. Não porque seja mais fraco que Eragon. Muito pelo contrário. Na verdade neste dá para notar um amadurecimento de Christopher Paolini como autor e a história ganha mais autonomia em relação às outras obras em que se baseia (lembra que eu falei que ele fica meio preso em Eragon?). Ainda dá para perceber claramente as influências de Star Wars e O Senhor dos Anéis, mas já ganha certa independência. A razão é outra, que vou explicar já, já.

Como diz na sinopse aí em cima, Eldest começa três dias depois da Batalha de Farthen Dûr, quando Eragon consegue derrotar Durza. Mas a grande vitória tem seu preço. Ele foi brutalmente ferido pelo espectro, e a ferida deixa sequelas terríveis. Mesmo assim, é obrigação de Eragon partir para Ellesméra para iniciar seu treinamento como Cavaleiro (alguém aí viu o mestre Yoda?) junto aos elfos. E taí. a razão para meu desgosto. Acho essa parte meio sacal. Hoje até menos que antes, mas ainda é meio chato (isso se deve aos elfos, que são uma raça cheia de frescuras e se acham a oitava maravilha do mundo).

Em Ellesméra, Eragon finalmente descobre quem é o tal Togira Ikonoka, o Aleijado que é Inteiro, o ser que se infiltra nos pensamentos de Eragon enquanto ele está à beira da morte em Farthen Dûr, e que dá o impulso para que Eragon se recupere. A identidade do tal ser é um segredo guardado a sete chaves pelos elfos. Ele é o único remanescente dos Cavaleiros originais e também vem à tona a existência de outro dragão. A dupla é Oromis, o elfo que sofre de uma enfermidade incurável, e Glaedr, o dragão que também tem uma deficiência. Mas isso não tira seus méritos e ambos são tutores exigentes, mas não sem compaixão. Ambos também são sábios, com aquele tipo de sabedoria acompanhada da serenidade que vem com a idade. E isso eles tem de sobra.

Também na capital dos elfos, Eragon descobre que Arya é na verdade uma princesa e assim outra parte da profecia feita por Angela se concretiza (a outra parte foi sobre a morte de Brom, mas eu não podia mencionar isso no post sobre Eragon), de que Eragon se apaixonaria por alguém da nobreza. E para minha infelicidade , neste, já curada, ela tem grande participação. Arya, como todos os elfos (com exceção de Legolas e Dobby, mas este último é um elfo doméstico, outra categoria, não conta), tem complexo de superioridade  e a condescendência com que trata Eragon (em óbvia negação aos seus sentimentos) é irritante. E cruel, porque uma hora a moça dá corda, só para mais tarde rejeitar o garoto. Eragon pode até ser chato, mas não merece isso. Tudo bem, Arya é uma guerreira (como sua xará Stark), o que é bem legal, mas nem por isso deixa de ser pentelha.

Ainda acompanhando Eragon em Ellesméra está Orik, o anão do clã mais importante. Seu objetivo é supervisionar o treinamento de Eragon, já que este agora faz parte do clã. Orik é sempre bem-humorado e aprecia a boa vida. Gosto dele. Mas também é inteligente e não se esquece de suas responsabilidades. Também é fiel e está sempre pronto para oferecer sua ajuda.

Lembra que eu falei também que Christopher Paolini deixou os personagens mais legais para os livros seguintes? É o caso de Roran. Ele é primo de Eragon, e depois da fuga dele e Saphira, Roran retorna a Carvahall para encontrar seu pai assassinado e seu primo foi embora. Só o que resta a Roran é Katrina, com quem pretende se casar. Mas por causa de Eragon, os Ra’zac não dão paz aos habitantes do vilarejo, e, sabendo que Roran é parente do jovem Cavaleiro, tentam capturá-lo. Só que Roran se esconde na Espinha e os aldeões se recusam a entregá-lo. Mais ou menos. Sloan, o pai de Katrina, detesta toda a família de Roran (não que isso seja impedimento para ele ou para ela), e trai tanto Roran como os outros habitantes do local. O custo disso é a captura de Katrina.

Movido pelo desejo de vingança e por seu amor pela garota, Roran convence todo o vilarejo a deixar Carvahall, atravessando a Espinha, até chegar aos Varden, em Surda. É uma empreitada difícil e tresloucada, mas ninguém (ou quase) pensa duas vezes e assim Roran se torna o líder do povoado. E ele é um líder nato. É determinado e faz tudo com paixão. E também é um guerreiro formidável. Sua arma de escolha é um martelo, que ele maneja como ninguém. Admito que da primeira vez que li, não gostava muito dele, mas isso mudou. Muito. Hoje adoro Roran, e acho ele um personagem muito mais legal que Eragon. E acho que coisas extraordinárias o aguardam. Posso estar enganada, mas acho que seu destino é ser Cavaleiro. Estou superansiosa para ler o último e ver se acertei na previsão.

A segunda personagem que eu mais gosto é Elva. Ela é um bebê que Eragon e Saphira abençoam no final do primeiro livro. Mas devido a um erro, a bênção vira uma maldição. Elva cresce rapidamente: de bebê no final do primeiro, passa a uma menina de uns quatro anos no segundo, mas com voz de adulta e um ar de permanente escárnio. Ela sofre muito, pois ela sente tudo de mal que vai acontecer aos outros e serve de escudo. E quando falo de mal, digo mal mesmo: ela sente quando alguém vai se matar ou vai ser assassinado e custa muito caro a ela ignorar o impulso de se ferir no lugar da vítima. Adoro Elva. Enquanto todo mundo lambe o chão onde Eragon pisa, ela debocha abertamente dele. Não tem papas na língua e é mais sarcástica que Dr Gregory House (isso é dizer um bocado, hem!). Por causa de seu “dom”, ela serve de ferramenta para os Varden, ou melhor, para sua líder.

Depois da morte de Ajihad (logo no começo deste livro), quem assume o posto é sua filha, Nasuada. Ela é uma líder tão talentosa quanto seu pai, apesar da pouca idade. é perspicaz e pode ser implacável. E é inteligente também. Ela descobre um jeito de tirar os Varden do vermelho e ainda sai lucrando, de um modo simples. E também é uma excelente estrategista. E tem o dom de debochar dos outros, especialmente o príncipe Orrin, governante de Surda, com classe e sem que o debochado perceba. Ela também não é mimada e ao contrário de muitos líderes, ela parte para a luta, correndo o mesmo risco que seus seguidores. E ela tem uma paixão secreta por um certo personagem misterioso e muito charmoso. Já sacou quem é?

A esta altura você deve estar pensando que esqueci meu personagem preferido, certo? Nunca! Mas, como desgraça é pouca é bobagem quando se trata de Murtagh…Logo no começo, quando Ajihad é assassinado, ele é capturado pelos Urgals e dado como morto, justamente quando todo mundo começava a confiar nele, apesar de ser filho da revelação de ser filho de Morzan, o primeiro e último Renegado. Só para voltar mais tarde com uma revelação bombástica, que não vou discutir agora. E, caso ainda não esteja claro, era dele que eu estava falando aí em cima. E ou eu muito me engano, mas arrisco dizer que Nasuada é correspondida.

Outro personagem interessante que aparece neste é Jeod. Na verdade, ele aparece no primeiro e ajuda Eragon e Brom em Teirm. Mas ele ganha mais destaque neste, ajudando Roran a chegar a Surda. E agora a gente sabe que ele é na verdade um agente dos Varden e que foi ele que ajudou Brom a roubar o ovo de Saphira. É um homem inteligente e que anseia retornar à ativa. Por isso, quando descobre a verdadeira identidade de Roran, não pensa duas vezes em oferecer ajuda.

Angela e Solembum também aparecem. E, como Elva, Angela é a outra única personagem que não hesita em chamar Eragon de abestalhado em vez de puxar o saco. Desta vez ela fica encarregada de cuidar de Elva e também vai ter papel importante na batalha contra o exército de Galbatorix.

Outra coisa legal neste é que pela primeira vez a narrativa é dividida, ora sob a perspectiva de Eragon, ora pela de Roran e ora pela de Nasuada. A história ficou mais complexa e com mais camadas. Como eu disse antes, amadurecimento do autor. Os personagens também evoluíram, especialmente Eragon. Ele nem lembra o garoto que um dia achou um pedra esquisita um dia. E adianto que as coisas só melhoram daqui por diante. E de novo fica aquela recomendação: se você manda bem no inglês, leia no original. A tradução, especialmente deste, deixa muito a desejar. E tem uma pegadinha com o nome do livro (que sempre me incomodou)  que eu só percebi agora que li em inglês. Esclarecendo: eldest quer dizer mais velho. Na verdade é mais específico que isso, mas tenho medo de entregar o ouro muito cedo se der a tradução literal. Mas guardem esta informação, que vou retomar na resenha de Brisingr (que sai logo, logo).Ah, sim! Me senti muito burra por só perceber o significado agora.

Trilha sonora

Wunderkind, da Alanis Morissette, é de Nárnia, mas com algumas adaptações, poderia se referir a Alagaësia. Por outro lado, Crawling, do Linkin Park não precisa de ajuste nenhum. É perfeita. Ainda Pale, do Within Temptation e Changes, de Butterfly Boucher com David Bowie (na verdade a música é dele), e que vem da trilha de Shrek 2 (que eu amo!). E por último The moster's loose, do Meat Loaf. Essa música é perfeita para um certo personagem, mas não vou dizer quem ainda. esperem pela resenha de Brisingr!

Se você gostou de Eldest, pode gostar também de:

  • Brisingr – Christopher Paolini;
  • As Crônicas do Gelo e do Fogo – George R. R. Martin;
  • coleção Harry Potter – J. K. Rowling;
  • O Senhor dos Anéis – j. R. R. Tolkien;
  • As Crônicas de Nárnia – C. S. Lewis.

3 comentários:

Gabi Castro disse...

Eu já li este livro e adorei muito. O autor é um pouco jovem, não tem muita experiência no ramo de escritor, então dá para notar certos "plágios" de outros livros. Mas a ideia é super original, gostei bastante (ainda mais porque eu sou apaixonada por dragões. Queria um!)

Nerito disse...

Oi, Fernanda...

Volto depois de muito tempo (e muita correria também). Engraçado, esqueci de muitos detalhes deste livro. Lembro, porém, que gostei mais que Eragon.

Outra coisa é que gostei do tom humano que os personagens assumiram. O primeiro livro era claramente uma romantização do sonho nerd de Paolini. Neste, parece que ele tomou mais consciência de seu papel como romancista e buscou aprofundar os personagens.

Uma pergunta: a palavra vendeta aparece muito no original? Porque chega a ser irritante na tradução.

Abraços!

Fefa Rodrigues disse...

Fêêê... minha fase preferida tbm é a Idade Média... mas o medo da fogueira me faz desejar uma época um pouco mais civilizada, digamos assim!!!

Sobre o livro do Ken Follet que vc me disse, ainda não li, mas me interessei qd ouvi falar dele... é mais um dos que estão na lista...

"para tão longa lista, tão curta vida!" :o/