Após um incidente envolvendo um abade, Uhtred, um dos últimos senhores pagãos entre os saxões, se vê atacado pela Igreja e por seus seguidores. Sem suas terras e com poucos homens, tudo que lhe resta é colocar um ousado plano em prática: recuperar Bebbanburg, a fortaleza onde cresceu e que foi tomada por seu tio. Porém, o que Uhtred não sabe é que sua missão pessoal vai colocá-lo num ardil capaz de reacender o confronto entre saxões e dinamarqueses, que pode selar de uma vez por toda o destino da Britânia e de sua rivalidade com Cnut.
ATENÇÃO! SPOILERS DOS ANTERIORES!
Depois de ler a saga do Tigre e ter mais que minha cota de açúcar para um mês, eu precisava de algo bem sangrento para desintoxicar, e nada melhor que paredes de escudos e insultos pra lá de criativos para saciar minha sede de sangue.
Este começa alguns anos depois da morte de Alfredo. A Inglaterra (ainda não unificada como Alfredo queria) está em paz, e Uhtred é um senhor respeitado, e odiado ao mesmo tempo. Não é segredo para ninguém que ele é pagão, e que odeia os padres. Então, não é de se espantar que o livro comece exatamente com Uhtred deserdando seu filho mais velho, Uhtred, que se converteu e cometeu o sacrilégio de virar padre. E, nessa, ele acaba matando um padre e perde tudo o que tem: sua casa é incendiada, e ele é perseguido como criminoso. Sem ter para onde ir, ele segue para Bebbanburg, para tentar tomar a fortaleza das mãos de seu tio.
Uma digressão: Bebbanburg realmente existe, e aqui está:

Nota mental: visitar Bebbanburg quando for para a Inglaterra. E para saber mais de Bebbanburg, leia aqui.
Mas a paz conquistada dura pouco. Exatamente por causa disso, os dinamarqueses, percebendo que os saxões e ingleses estão felizes e contentes em suas casas, com comida farta e tals, tramam uma invasão e domínio da Inglaterra. E, também suspeitando que foi vítima de alguma armação, Uhtred logo tem que abandonar a fortaleza mais uma vez e adiar o sonho de tomar Bebbamburg.
Assim, ele parte para a guerra mais uma vez. E de novo, no papel do rebelde (por falta de termo melhor) que mesmo sem reconhecimento, ou sequer aprovação, dos governantes. Uhtred é quem percebe antes de todo mundo a ameaça, e sozinho arquiteta o plano de defesa.
Uhtred agora que está mais velho, está mais controlado, e não parte para a luta só por estar entediado, como quando era mais jovem. E planeja melhor também, deixando inclusive o orgulho de lado e pedindo ajuda. Só não muda seu humor afiado e a criatividade na hora de insultar os inimigos, mas infelizmente acho que não marquei nenhum, e de qualquer forma, sou educada demais para publicar aqui (hã-ham).Uhtred conta com os mesmos aliados de sempre, mais um que eu gostei muito: seu filho mais novo, que passou a se chamar Uhtred depois da deserção do mais velho. Uhtred filho puxou o pai, tem sede de aprender com ele, é inteligente, mas não é tão selvagem como o pai. E Aethelflaed continua a seu lado, e não sei se porque fazia tempo que eu não lia nada das Crônicas, mas achei que neste ela teve participação maior. Ela é a conselheira de Uhtred, e é inteligente e perspicaz, percebendo como Uhtred a ameaça dinamarquesa, e defende Uhtred contra todos, até mesmo contra a própria família.
O livro nem é tão sangrento quanto eu esperava, e apesar de estar meio cansada das Crônicas, gostei muito deste. A narrativa é leve e envolvente, passa rápido (eu é que demorei para escrever, já terminei o livro faz tempo, por isso também peço perdão porque ela não saiu muito boa). E, para terminar, eu deixo vocês com duas passagens lindas, que eu gostei muito:
“Aquela noite estava clara e nos encontrávamos sozinhos sob incontáveis estrelas. O leite dos deuses estava espalhado atrás das estrelas, um arco de luz que se refletia nas ondas. O mundo foi feito com fogo e, quando ficou pronto, os deuses pegaram as fagulhas e as brasas restantes e jogaram no céu. Nunca deixei de me espantar com a glória desse grande arco de luz leitosa das estrelas.” (p. 172)
“Amo o caminho das baleias, as ondas longas, o vento salpicando o mundo com borrifos, o mergulho da proa de um navio num mar agitado seguido pela explosão de branco e os esguichos de água salgada na vela e nas tábuas; e o coração verde de uma onda enorme rolando atrás do navio, empinando, ameaçadora, a crista partida se enrolando, então a popa sobe, impelida, e o casco salta para a frente, o mar borbulha ao longo do costado enquanto a onda passa rugindo. Amo os pássaros roçando na água cinza, o vento como amigo e inimigo, os remos subindo e descendo. Amo o mar. Vivi muito, e conheço a turbulência da vida, as preocupações que pesam na alma do homem e as tristezas que tornam os cabelos brancos e o coração pesado, mas tudo isso é posto de lado no caminho das baleias. Só no mar o homem é verdadeiramente livre.” (p. 71)
Trilha sonora
Hand of Sorrow e Stand my ground, ambas do Within Temptation.
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