segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Sangue de Tinta

 

inkbloodSaboreie cada palavra, Meggie”, a voz de Mo sussurrava dentro dela. “Deixe-as derreter na boca. Está saboreando as cores? O vento e a noite? O medo e a alegria? E o amor. Saboreie, Meggie, e tudo despertará para a vida”( Coração de Tinta – p 435)

Meggie aprendeu tão bem a arte de seu pai – a de dar vida às palavras dos livros ao lê-los em voz alta, fazendo seres das histórias surgirem à sua frente como que por mágica – que desta vez dá um jeito de entrar ela mesma no mundo fictício de Coração de Tinta. Dustfinger, personagem que desde o primeiro volume desta trilogia buscava o caminho de volta para casa, finalmente consegue encontrar Orfeu, um homem baixinho e de rosto esburacado que consegue enviá-lo de volta para dentro do livro. Por sua causa, Meggie acaba indo para lá também.

A menina então conhece um universo encantado, suas cores, seus cheiros e seus habitantes. Vai dos confins da Floresta Sem Caminhos às vielas estreitas e malcheirosas de Ombra. Tem o prazer de encontrar o Príncipe Negro, Bailarino da Nuvens, as fadas azuis, os elfos do fogo, Quartzo Rosa, Cosme, Brianna e Roxane, entre muitos outros; e o sofrimento de acompanhar as artimanhas de Cabeça de Víbora, Mortola, Basta, Pífaro e Raposa Vermelha.

Infelizmente, apesar de Fenoglio – o autor de Coração de Tinta – ter criado outro desfecho para sua história, e de Meggie, seu pai e sua mãe lutarem contra as maldades do vilão Cabeça de Víbora, por lá, o mau parece imperar…

Outra delícia foi ler Sangue de Tinta. Na minha opinião, é ainda melhor que Coração de Tinta. O mais legal é justamente que a maior parte da história se passa no Mundo de Tinta. Só não gostei muito das partes que se passam no nosso mundo, onde ainda estão Elinor e Darius. Espero que no terceiro eles dêem um jeito de ir parar no Mundo de Tinta também.

Neste volume, somos apresentados a novos personagens, e os antigos estão mais aprofundados. Meggie, por exemplo, está mais madura, a ponto de a gente esquecer às vezes que ela só tem treze anos. Ela está mais independente e segura de si, e acaba até influenciando o rumo da história. Ela aprendeu bem a esconder seu medo, o que lhe dá um tremendo poder.

Dustfinger, de volta a seu mundo, e com sua Roxane ao lado, parece ganhar forças, e, agora sim, no Mundo de Tinta, ele está mais parecido com o do filme, domando o fogo com suas próprias mãos. Apesar das constantes negativas, ele se apega muito a Farid, e também a Meggie, e será responsável por uma das melhores cenas do livro. Continua com ódio mortal de Fenoglio (por que será?), mas sua alma está mais leve, e também está mais determinado. Gosto ainda mais dele neste livro.

Fenoglio, por outro lado, começou a ficar bem irritante. Por ser o autor de Coração de Tinta, acha que sabe de tudo, e faz questão de mostrar sua grandeza (em sua própria opinião) a todo momento: Eu escrevi isso, só podia ser maravilhoso, blá blá blá. Ele ficou um velho chato, e prepotente ainda por cima. Quando ele é convidado por Cosme a morar no palácio, é insuportável como ele sente que esse sempre foi seu destino. Não posso esperar pra ver como ele se sai no terceiro, agora que tem um rival.

Farid também está mais seguro de si, tomando a iniciativa várias vezes (em diversas situações), e se mostra um amigo fiel de Dustfinger. Até demais. Não, não é nada demais, só amizade mesmo, mas seu ciúme de Roxane chega a ser um pouco irritante. Mas Farid vê em Dustfinger não só um amigo, mas algo próximo a um pai, e daí ele não desgrudar um minuto do Domador do Fogo. E é um aprendiz fabuloso. Aprende bem rápido a lidar com o fogo no Mundo de Tinta, a ponto de as pessoas se perguntarem se ele não é filho de Dustfinger.

Mo ainda não mostro todo seu potencial. Tudo bem que neste ele passa boa parte da história doente, mas eventualmente ele mostra tudo de que é capaz. E, apesar de não querer isso, mostra também que seu lugar é no Mundo de Tinta. E Resa volta a falar e mostra que é uma mulher de muita fibra. Não fraqueja nunca, apesar do cansaço e do medo, mesmo na condição de prisioneira de novo. Acho que podemos esperar muito dela ainda.

Dos personagens novos, o que mais me intriga é Orfeu, o jovem leitor que manda Dustfinger de volta. Acho que ele ainda não revelou sua verdadeira identidade, o que ainda vai render muito mistério no terceiro. Ele é um pouco arrogante, mas ainda não apareceu o suficiente para dizer mais que isso.

Dos personagens novos, gostei mesmo é de Roxane. Ela á a mulher de Dustfinger, e deve ter sofrido pacas na sua ausência. Também é uma mulher forte, e agora que tem seu marido de volta, não larga dele por nada. É muito sábia, e respeitada por todos. Detesta Farid, mais por pensar que ele é filho de Dustfinger do que outra coisa. Ela ainda vai ter mais motivos para isso no final, mas acho que até o final da trama ela volta atrás. É muito racional para acreditar em besteiras.

Também gostei muito do Príncipe Negro. Um líder nato, faz de tudo para proteger seu povo. É bem sensato e, como Roxane, não dá ouvidos a conversa fiada. Também é muito respeitado, e um dos melhores amigos de Dustfinger. As poucas aparições que ele faz neste livro são cruciais, e uma certeza de que algo tem que dar certo. E tenho uma pena enorme de Violante, a Feia. Casada com Cosme, ela vê sua vida desmoronar por causa de Fenoglio. Espero que ela tenha uma vida melhor no terceiro.

Dos vilões, a melhor continua sendo Mortola. Amargurada desde a perde de Capricórnio, ela só pensa em uma coisa: vingança. E todas as reviravoltas da história são por causa dela e Basta. Confesso que Mortola me dá medo. Ela é muito sanguinária, mas por outro lado, esse é justamente seu appeal. A história não seria a mesma sem ela. e graças a Deus ela está aí. Basta continua engraçado, com suas superstições, mas também está vingativo, o que no caso dele pode significar a morte para seus inimigos. Mas de novo, ainda bem que ele está na história.

Dos vilões novos, só vale a pena destacar Cabeça de Víbora. Como o nome diz, ele não é brincadeira, mas tem um ponto fraco: morre de medo de morrer, e não hesita em mandar enforcar qualquer um que esteja em seu caminho, inclusive mulheres e crianças. Mas também acredito que ele ainda não tenha se mostrado inteiramente neste livro. É esperar para ver.

O livro tem diversas reviravoltas. Quando a gente pensa que tudo vai encaminhar para um lado, a história dá uma volta de 180 graus. Mas isso não interfere em nada, muito pelo contrário, essa imprevisibilidade é o que faz com que a gente continue lendo. E o ritmo também é muito bom, dá pra ler rápido. E ainda bem que uma amiga me emprestou Morte de Tinta, senão acho que não conseguiria esperar até amanhã para ler.

E mais um detalhe que eu não poderia deixar de mencionar; em dois capítulos, a introdução é de Harry Potter e a Pedra Filosofal, da Godess Rowling. Só por isso já vale a pena. E, apesar de o filme ter um final bem diferente do livro, o dano não é totalmente irreversível, por isso espero que filmem também Sangue de Tinta.

Trilha sonora

Não é lá muito criativo, mas vou de novo com Neverending Story, do Limahl, e as músicas do The Corrs. E ainda All in, do meu querido Lifehouse, e Halfway gone, também deles. E uma da Madonna que eu amo: Dear Jessie. Ela é para criança, mas fala de contos de fadas, então acho que vem a calhar. E Somewhere, do Within Temptation. E ainda Angels, do Robbie Williams.

Se você gostou de Sangue de Tinta, pode gostar também de:

  • Morte de Tinta – Cornelia Funke
  • A História Sem Fim – Michael Ende
  • O Senhor dos Anéis – J. J. R. Tolkien
  • coleção Harry Potter _ J. K. Rowling
  • coleção da Herança – Christopher Paolini

sábado, 13 de novembro de 2010

Coração Valente

 

braveheart Um dos meus filmes preferidos é Coração Valente. Um dos melhores que eu já vi, e, sim, passa até Harry Potter (aliás, me dói o coração, mas não tem nem comparação). E, dia desses, me deu vontade de ver de novo, e morrer mais um pouquinho ao grito de “Freedom” de William Wallace no final(em português, como a palavra liberdade é mais longa, não tem o mesmo impacto).

Claro que o filme não é historicamente preciso, mas algumas coisas realmente aconteceram, como sua mulher, Murron, ser assassinada pelo xerife local, em represália aos atos de rebeldia de Wallace, e a traição por um de seus conterrâneos (para saber mais:William Wallace). Mas ainda é um filme maravilhoso, e, não sei se porque fazia tempo que eu não via, ou se é porque amo tanto a história, mas o fato é que nem pareceu que se passaram 3 horas desde o começo do filme e seu final, que, claro, me levou à lágrimas de novo.

O que me levou mesmo a escrever este post foi que não pude evitar, enquanto assistia, de me lembrar de outra história que eu adoro, e da qual já falei aqui. Estou falando de Mundo Sem Fim. E, o que me levou à conclusão de que talvez ambas fossem ambientadas na mesma época foi justamente aquele chapeuzinho ridículo daquele bispo (juiz, ou seja lá o que for que o cara é no final do filme, aquele que conduz a tortura e finalmente decapitação de Wallace), bem como os acessórios nada discretos que tanto a rainha como a sua aia usam na cabeça. É que lembrei que Caris costumava usar algo parecido.

Mas as semelhanças não param por aí. A cena de tortura de Wallace, apesar de infinitamente mais brutal, me lembra muito a perseguição daquela pobre mulher louca em Kingsbridge, e como o povo todo se juntou ao redor para assistir ao espetáculo. Sem contar a quase condenação de Caris. Além, dos modos bem refinados dos personagens de ambas as histórias.

E eu até que não estava tão errada quanto às duas narrativas serem contemporâneas. Mundo Sem Fim tem início menos de vinte anos após a execução de William Wallace, e o rei da Inglaterra naquela época era Eduardo III, neto de Eduardo Longshanks, o tirano rei inglês de Coração Valente (fonte:Eduardo III). E acho até que a rainha Isabella, mãe de Eduardo III é mencionada no livro de Ken Follett, mas aí já não posso ter certeza.

De qualquer forma, ambos são obras maravilhosas, e um prato cheio para quem gosta de História, ou simplesmente de uma história bem contada, e, apesar da extensão, ambos passam bem rápido, e deixam a gente com saudade dos personagens.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Mais algumas considerações sobre a Saga Crepúsculo

 

Acho que a histeria gerada pela mera presença de Robert Pattinson e (argh!) Kirsten Stweart no Brasil foi o que me inspirou a escrever aquelas outras considerações sobre a saga Crepúsculo que eu tinha prometido há algum tempo.

Em primeiro lugar, não retiro o que disse antes. Continuo gostando da série. É fato que se eu começasse a ler Crepúsculo hoje, em uma semana (ou menos) acabaria Amanhecer. Já disse, é hipnotizante, e é só começar que eu não consigo largar. Não sei como Stephenie Meyer faz isso, mas a série realmente prende a atenção até o final.

Mas agora, depois de pensar mais friamente a respeito, dá pra perceber que há vários problemas com a saga. O pior deles, ao meu ver, é a pentelha da Bela engravidar. Hello! Edward está morto! Nem com todos os tratamentos de fertilidade disponíveis uma “sementinha” de 100 anos sobrevive. O mecanismo para isso é que é teoricamente possível, já que, apesar de morto, tem sangue correndo nas veias de um vampiro. Mas daí a engravidar alguém, é muito pra minha cabeça.

Aí vem outra aberração, a começar pelo nome: Renesmée. Além de ser uma criatura esquisita, meio vampira, meio humana, já pensou quanta terapia a coisinha vai ter que fazer com um nome desse? Achei desnecessária, ela está aí só pra Jacob não ficar sozinho, coisa que ele até merecia. Ou, pra não ser tão ruim com ele, deveria acabar com a Leah. Seria bem feito, ela colocaria o chato no seu lugar. Umas boas porradas não seriam ruins para ele (tough break, não gosto mesmo dele).

Fora que é bizarríssimo o tal do imprinting. A meu ver, é só mais uma amarra para os lobisomens. Por isso eu digo, é melhor ser vampiro, que é mais livre.  Só acho que os vampiros de Crepúsculo deveriam ter menos escrúpulos e se comportar mais como vampiros.

Sim, há várias falhas com a história, que pensando bem, é bem fraquinha, mas não nego, me vicia. Acho que é aquele famoso prazer culpado: é trash, mas eu não consigo viver sem, como Supernatural (ai, Winchester boys são a minha perdição, can’t get enough of them).

Além disso, os filmes contribuíram muito para que a saga perdesse seu encanto. Lua Nova e Eclipse são melhorzinhos, mas o estrago já tinha sido feito com Crepúsculo. E isso não tem nada a ver com incompetência dos atores. Aliás, já disse isso, não acho que Robert Pattinson seja de todo mau ator. É só ver que ele manda bem como Cedric em O Cálice de Fogo, mas quando o cara é mau conduzido, como no caso da saga, não tem muita escapatória a não ser ser medíocre. E essa é a minha teoria para Daniel Radcliffe. Até o Cálice, ele até manda bem, não é tão inexpressivo, mas bastou aquele incompetente do David Yates assumir a direção da série que foi por água abaixo. Quanto ao resto do elenco, Taylor Lautner força muito a atuação e Kirsten Stweart é uma insossa, sempre com aquela cara de peixe morto, com a boca aberta (será que ela não consegue fechar?).

E, a melhor de todos é, sem dúvida, Dakota Fanning, como Jane. Aliás, os vilões, para variar, é que são a verdadeira delícia. Sim, gosto muito de Edward, por seu humor tipicamente sarcástico, tirando barato com outros personagens sem que eles notem (principalmente Bela), como se fosse um segredinho entre ele e o leitor. Mas os vilões é que são as verdadeiras jóias da trama. Pena que o final seja tão anticlimático.

Mudo minha opnião em uma coisa: os vampiros de André Vianco são melhores, e os livros, apesar de uma viajada animal, são melhores. E, claro que existem outros muito melhores, como todos os Harry Potter, Percy Jackson, As crônicas de Artur, coleção Força Sigma, só para citar alguns, mas Crepúsculo ainda é uma leitura agradável, ideal para quando não se quer pensar muito (claro, não requer nenhum esforço).

Dito isto, termino dizendo que está na hora de Stephenie Meyer descer de seu pedestal e começar a agir como adulta e profissional, e aprenda um pouquinho com outros autores, como Rick Riordan e the Godess Rowling. Quem sabe assim ela consegue fazer uma saga com história boa de verdade.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Coração de Tinta

 

Inkheart2 Há muito tempo Mo decidiu nunca mais ler um livro em voz alta. Sua filha Meggie é uma devoradora de histórias, mas apesar da insistência não consegue fazer com que o pai leia para ela na cama. Meggie jamais entendeu o motivo dessa recusa, até que um excêntrico visitante finalmente vem revelar o segredo que explica a proibição. Quando Meggie ainda era um bebê, a língua encantada de Mo trouxe à vida alguns personagens de um livro chamado "Coração de Tinta". Um deles é Capricórnio, vilão cruel e sem misericórdia, que não fez questão de voltar para dentro da história de onde tinha vindo e preferiu instalar-se numa aldeia abandonada. Desse lugar funesto, comanda uma gangue de brutamontes que espalham o terror pela região, praticando roubos e assassinatos. Capricórnio quer usar os poderes de Mo para trazer de Coração de tinta um ser ainda mais terrível e sanguinário que ele próprio. Quando seus capangas finalmente seqüestram Mo, Meggie terá de enfrentar essas criaturas bizarras e sofridas, vindas de um mundo completamente diferente do seu.

 

Assim que vi o trailer do filme eu sabia que tinha que ler Coração de Tinta. Só não sei porque demorei tanto. Só que como assisti o filme antes, eu já sabia de muita coisa. Claro, pra variar, o livro é melhor, mas falo disso daqui a pouco.

O que eu mais gostei ao ler esse livro foi que ele me fez voltar à infância, e me lembra muito A História Sem Fim, um dos meus livros preferidos enquanto eu crescia. Coração de Tinta tem a mesma magia em torno dele (será que é porque ambos os autores são alemães?).

Outra coisa que me agradou muito foi que o começo de cada um dos 59 capítulos de Coração de Tinta traz uma citação de outro livro, e vários deles conhecidos, como O Senhor dos Anéis e o próprio A História Sem Fim. Elas servem como uma introdução para o que está por vir, mas também despertam a curiosidade do leitor para os outros.

E uma coisa que me deixou com um pouquinho de inveja foi a descrição da casa de Elinor. Me apaixonei por sua casa quando vi o filme, com livros por todos os lados e uma vista deslumbrante do Lago Colmo, na Itália. Meu sonho é ter uma casa daquelas (de preferência ser vizinha do George Clooney, que também tem uma villa no lago – hehe). E me corta o coração quando os capangas de Capricórnio queimam os livros (apesar de eu querer fazer fogueirinha com meus livros de lingüística – hehehe).

Dustfinger (desculpa, mas sempre que leio Dedo Empoeirado, na verdade o que leio é Dustfinger, que soa bem melhor, aliás) é meu personagem preferido. Arrancado de seu mundo pela voz suave de Mo, ele está sempre em busca de voltar de algum modo para dentro do livro, e por isso sua lealdade varia, de acordo com o que, a seu ver, o deixar mais perto de conseguir isso. Não que ele morra de amores por Capricórnio, muito pelo contrário, mas Dustfinger tampouco pode ser totalmente fiel a Mo e Meggie, por medo de que, caso Mo consiga o que quer, não vá mandá-lo de volta. Por isso, mesmo frente às traições, acho difícil sentir outra coisa por Dustfinger que não seja pena. Mas apesar de todo seu sofrimento, ele ainda é capaz de provocar Basta, e é, assim, responsável por alguns dos momentos mais engraçados do livro.

Sua sombra é outro personagem interessante. Farid, o garoto que sai de Ali Babá e os quarenta ladrões. Ele é simplesmente fascinado por Dustfinger, e quer a todo custo aprender a domar o fogo, coisa que acaba conseguindo. E sua coragem acaba por ser importantíssima no final. Ele também é fascinado por nosso mundo, e não é para menos. No livro, ele apanhava, passava fome e era obrigado a roubar para sobreviver. Sua vida no nosso mundo melhora consideravelmente, e ele não quer voltar.

Elinor é uma figura. Determinada e altiva, não está acostumada a receber ordens e deixa isso bem claro com suas respostas afiadas aos lacaios de Capricórnio e até para o próprio. E estou com ela quando se trata de punir quem incendiou sua preciosa biblioteca.

Mo e Meggie, para ser sincera, eu achei meio apagadinhos. Esperava mais deles. Mas gosto da sagacidade de ambos. E também da compaixão de Meggie e a determinação de Mo. Só acho uma pena ele não querer mandar Dustfinger de volta. Nisso, o filme é melhor. Mo é mais indulgente no filme. Mas ainda é cedo para chegar a alguma conclusão, afinal, ainda tem mais dois livros pra terminar a trilogia.

Quanto aos vilões, são uma atração à parte. Capricórnio é totalmente indiferente, o que o deixa mais terrível, pois não demonstra sentimentos, e lamento seu final. Basta é uma comédia, com todas as suas superstições, das quais Dustfinger tira proveito máximo. E há ainda Mortola, a gralha, que é tão ou mais terrível que Capricórnio.

E, apesar de ser extenso, dá pra ler bem rápido, e uma coisa que facilita muito é que os capítulos são curtinhos, e sempre deixam a gente com vontade de ler mais. Quando dava por mim, já tinha lido vinte, trinta páginas, fácil. Coração de Tinta é uma deliciosa aventura fantástica, que com certeza vai agradar a todos aqueles que gostam de ler.

Filme

Coração de tinta - filme Apesar de ser um pouco diferente do livro, os elementos básicos estão lá. Gosto bastante do filme, sem contar que é sempre uma delícia (em todos os sentidos) ver Brendan Fraser trabalhando. Como já disse, algumas partes eu acho melhores no filme, por exemplo, gosto do fato de que no filme os personagens defeituosos saiam com as linhas do livro tatuadas pelo corpo. Também gosto mais de Mo no filme, e acho que Dustfinger (só pra variar, interpretado muitíssimo bem por Paul Bettany, outro ator que eu adoro), com suas mãos que pegam fogo mesmo melhor, dá uma ideia de fantasia mesmo. E Capricórnio, interpretado por Andy Serkis (Gollum! Gollum!), é outra coisa que dá água na boca ver. Talvez seja um pouco decepcionante para quem leu o livro, mas gosto de ambos igualmente e recomendo os dois.

Trilha sonora

Neverending story, do Limahl, é perfeita, até em um dos versos:

Make believe I’m everywhere
Given in the light
Written in the pages
Is the answer to a neverending story

e ainda:

Dream a dream
And what you see will be
Rhymes that keep their secrets
Will unfold behind the clouds

Eu só mudaria o verbo de see (ver) para read (ler). E ainda as instrumentais do Corrs, que parecem ser feitas para os contos de fadas.

Se você gostou de Coração de Tinta, pode gostar também de:

  • A História Sem Fim – Michael Ende
  • O Trílio Negro – Marion Zimmer Bradley
  • A Dança da Floresta - Juliet Marillier
  • O Hobbit – J R R Tolkien
  • coleção da Herança – Christopher Paolini

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O lançamento mais esperado do ano

 

HP7 Novembro chegou, e com ele, uma espera que estava matando muita gente vai chegando ao fim. Estou falando, claro, da estreia de Harry Potter e as Relíquias da Morte, que chega às telas dia 19 (17 dias!). E, conforme o dia chega, minha fixação piora. Costumava ser pior, antes de acabar (chuif!) a serie em livros.

Eu sei que já mencionei que não espero muita coisa desse sétimo filme. E não espero mesmo. Digo isso baseada no quinto e sexto filmes, que foram dirigidos pelo mesmo cara que dirigiu Relíquias, e, como todo fã de Harry Potter, fiquei muito decepcionada com o resultado deles. Mas, por outro lado, com as expectativas baixas, se o filme for bom, vai ser um bônus. E se for ruim, pelo menos já estou preparada.

E isso me lembra que no meu post sobre o livro, deixei de fora um outro personagem muito querido e que se provou neste último. Neville Longbottom, claro.  (Cuidado: Spoiler à frente!)O gorduchinho tímido e sem jeito se prova um verdadeiro grifinória ao decepar a cabeça de Nagini e assumir a rebelião em Hogwarts. Ele já vinha se mostrando um bruxinho muito determinado desde  A Ordem da Fênix, mas se superou completamente. E quem diria que ele se tornaria professor em Hogwarts (será que me aceitariam para dar aula lá?)

Voltando o filme, pelos trailers que eu vi, ele promete (não que isso queira dizer muita coisa, já que os trailers dos outros dois também eram ótimos). Só nos resta contar os dias e os segundos. Enquanto dia 19 não chega, aí vão alguns aperitivos:

Harry Potter 1

Harry Potter 2

E recomendo também que procurem os spots de TV. Tem dois muito engraçados, como o beijo de Harry e Gina (com George assistindo) e o Harry/Fleur, no Somos das masmorras. Vale à pena!

domingo, 31 de outubro de 2010

Halloween

 

O Halloween teve sua origem, como eu acho que já disse antes, nos rituais de Samhain dos celtas, no período de 600 a.C. a 800 d.C. Esses rituais celebravam o final do verão e no início não tinham nada a ver com as bruxas.

Dentre as celebrações estava o culto aos mortos, e eram as mais importantes do calendário celta. Com a invasão da Britânia pelos romanos, houve a expansão dos costumes e a fusão dos ritos celtas e romanos. E, como acreditava-se que a noite de Samhain era a noite em que os mortos andavam pela terra, também era uma noite muito temida, tanto pelos pagãos como pelos cristãos, que não acreditavam em tais coisas. Nas primeiras linhas de O Inimigo de Deus, Derfel comenta que é noite de Samhain, e que tanto ele como o bispo Sansum deixaram oferendas para que os espíritos os deixassem em paz. E nas Brumas de Avalon, também é um dos dias mais importantes e muito mencionado durante todo o livro.

Também por medo, as pessoas enfeitavam as casas com desenhos e esculturas de esqueletos e outras coisas assustadoras para que os maus espíritos os deixassem em paz. Daí veio o costume de vestir fantasias nesse feriado.

Só muito mais tarde, na Inglaterra é que surgiu o tradicional Trick or Treat, (gostosuras e travessuras), iniciado pelos católicos perseguidos pelos protestantes.

E para quem pensa que o Halloween é uma festa pagã, saiba que há também elementos cristãos, em razão do Dia de Todos os Santos. Como havia celebrações na véspera, isto é, dia 31 de outubro, o dia era chamado All Hallow’s Eve (em inglês, véspera de todos os santos), que mais tarde deu Halloween. (fonte:Halloween)

gatinh halloween

Anyway, para nós, pottermanícos de carteirinha, a data também tem significado especial. Foi o dia da queda de Você-sabe-quem e, claro, da morte de James e Lily Potter (um minuto de silêncio por favor). Foi também neste dia que o troll invadiu Hogwarts.

Quanto a mim, apesar de não celebrar, acho que este é o feriado mais legal que tem. Fantasias, doces…E para embalar este dia, tenho algumas recomendações. Assistir The nightmare before Christmas (O estranho mundo de Jack) e A noiva cadáver, ambos de Tim Burton. Não, nada de slasher movies, como os de Jason ou Freddy Krueger. Please, esses são ruins demais. E como trilha sonora, todas as de O Estranho mundo de Jack (tanto as versões originais como as do CD Nightmare Revisited, com outros intérpretes, como Fall Out Boy, Panic! at the disco, Flyleaf e Amy Lee. E acho o nome em inglês tão melhor…), e ainda, claro Thriller do Michael Jackson, música oficial de Halloween. Mas também Simpathy for the devil com o Guns, claro, que é bem melhor, Pet Sematery, do Ramones, e, não podia deixar de fora, as do Iron Maiden e Enter Sandman, do Metallica (pra quem não sabe, o Sandman é o famoso bicho-papão)

HelloKitty haloween

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O Rei do Inverno

 

O rei do inverno Eu sei que já escrevi sobre a trilogia As Crônicas de Artur, mas como acabei de reler o primeiro, resolvi fazer mais algumas considerações, que ficaram de fora da outra vez, já que quando escrevi fazia tempo que eu tinha lido. É, eu sei que ficou meio confuso, mas é isso mesmo.

Neste primeiro, Derfel é um lanceiro a serviço de Artur, que por suas conquistas no campo de batalha acaba o livro como lorde. E, desde muito cedo, ganha a confiança de Artur. Não vou me aprofundar muito nele, porque já escrevi bastante sobre ele, mesmo ele sendo um dos meuns personagem preferidos. E digo isso levando em consideração não só este livro, mas todos os que já li (e olha que é um número considerável).

Gostaria de me dedicar um pouco a um dos melhores personagens que eu já vi (de novo! Não, não estou brincando, mas quando se trata de Bernard Cornwell, é difícil achar um personagem que não seja muito bem escrito). Me refiro a Guinevere, que, graças a Deus (ou melhor, aos deuses, principalmente Ísis) não tem nada a ver com a Guinevere das Brumas, que eu detesto ( a personagem, não o livro). Mesmo. Esta é sarcástica, pagã, e absurdamente ambiciosa. Talvez a única coisa que ela tenha em comum com a Guinevere das Brumas é que ela é tão manipuladora quanto. E é dissimulada também. Ela cultua Ísis, a deusa egípcia, e por causa disso, é ultra infiel a Artur, apesar da fidelidade deste, sendo que seu caso mais notório é com Lancelot. Até aí nada novo, mas ela, apesar de se comportar quase como uma freira (que tenho certeza que ela tomaria como insulto dos mais baixos) na frente de Artur, que acredita piamente em sua fidelidade. Ao contrário de sua xará, ela despreza os cristãos e trata Sansum como algo pior que um verme. E adoro isso nela. Não me entendam mal, sou católica (apesar de não praticante e já ter deixado minhas opiniões sobre a Igreja bem claras) e não quero ofender ninguém, mas é que Sansum merece todo desaforo que lhe for direcionado.

E falando nele, também conhecido como Lorde Camundongo, este sim é um fanático de marca maior, mas é absolutamente ganancioso e escorregadio. Sabe fazer muito bem o jogo para que tenha sempre mais vantagem, fingindo uma humildade que ele não tem. Ele é bajulador e sua ambição o levará muito longe, mas por enquanto ele está meio isolado. Mas já planta as sementes que irá colher. Ele é o bispo do mosteiro onde Derfel vive em sua velhice, cargo que consegue por pura cara de pau, pois ele não tem vergonha nenhuma de pedir sempre mais. Detesta e despreza Derfel (e só por isso merece meu desprezo também) e é um hipócrita, pedófilo e egoísta que guarda para si tudo que o rei Brochvael, marido de Igraine (não é a mãe de Artur. Já falo dela) manda para o mosteiro (de ouro até lenha para lareira e alimentos). Ele me enoja, e consegue isso porque Bernard Cornwell o escreve tão bem.

Há ainda outra Igraine, rainha de Powys depois do tempo de Artur. Derfel escreve a história de Artur a pedido dela. E é engraçado ver as tentativas de Sansum de ler o manuscrito, que tanto Derfel quanto Igraine dizem ser uma tradução do Evangelho para o saxão, sendo que, se não bastasse tudo que eu falei dele acima, é ignorante e não sabe ler. Igraine é inteligente e romântica, e Derfel tem certeza que ela irá mudar tudo que ele escreve de acordo com seu gosto. Está desesperada para engravidar e para isso usa as mais diversas simpatias, sendo que a mais esquisita é usar um paninho com fezes de recém-nascido em volta do pescoço (eca!).

Falta ainda falar de dois personagens importantes: Galahad e Sagramor. O primeiro é irmão de Lancelot e melhor amigo de Derfel, apesar de ser cristão. Ele é um príncipe destituído de trono, já que sua terra é tomada pelos francos, porque seu pai achava mais importante povoar o país com poetas. É um guerreiro bravo e competente, e é culto, já que cresceu na cidade dos poetas. E Sagramor é um númida lacônico, mas um temível guerreiro (conhecido como demônio negro), que não fala muito, mas quando o faz, suas palavras ressoam. É um dos mais importantes guerreiros de Artur.

Finalmente, não esqueci de Lancelot. É que ele não aparece muito neste livro, tendo maior destaque nos livros seguintes, mas já dá pra perceber que ele não corresponde em nada, a não ser talvez pela beleza, ao Lancelot que todos conhecemos. Aqui ele não passa de um almofadinha que paga para que os bardos cantem suas vitórias. Mas deixo para falar mais dele quando comentar os outros (tenho certeza que depois de reler, vou ter mais a acrescentar).

Definitivamente recomendo esse livro para os fãs de Artur, apesar das surpresas que o livro guarda, fugindo do tradicional. E também para os fãs de romances históricos em geral, pois apesar de a lenda de Artur levantar muitas dúvidas sobre sua existência e dar lugar para o fantástico, Bernard Cornwell descreve com precisão os costumes e crenças da época, de forma que a dúvida continua no ar. E só umja correção: no post anterior, eu escrevi o nome de Cenwyn errado. A grafia certa é esta, mas é que esses nomes de origme bretã são difíceis demais (não consigo nem ler direito).

Nota cultural

O culto de Ísis, deusa egípcia modelo da esposa e mãe ideais (como Hera), se estendeu do Egito para todo o mundo greco-romano, chegando à Inglaterra na época da dominação romana. Ela era deusa protetora da natureza e da magia, e era amiga dos desclassificados, como escravos e artesãos. E também a deusa da maternidade e da fertilidade. É a mãe de Horus e a primeira filha de Geb, o deus da Terra, e Nut, a deusa do Firmamento, era também conhecida como a deusa da simplicidade e deusa das crianças. Ela era ainda irmã e esposa de Osíris, o deus do submundo. (Fonte:Ísis)

Se você gostou de O Rei do Inverno, pode gostar também de:

  • As brumas de Avalon – Marion Zimmer Bradley,
  • As crônicas saxônicas – Bernard Cornwell,
  • A demanda do Graal – Bernard Cornwell,
  • As colinas ocas – Mary Stewart